Transportes públicos? (24)


jmmcc,

 

Um bom transporte de fruta, nos dias que passam, tem a grande vantagem de fazer circular o negócio…

10 comentários em “Transportes públicos? (24)”

  1. Do que o pessoal se lembra para tentar escapar aos radares das SCUT.
    Ou será que já há quem pague em géneros?…

  2. Bom no âmbito do zumzum que se criou com as portagens nas scut, não resisti a tentar perceber o que passa com tais vias para que o preço/km seja tão elevado. Vai daí pesquisei no site os relatórios de contas da empresa Scutvias da concessão da beira interior criada em 1999 (por ser a que melhor conheço).
    Apraz dizer que não sou especialista financeiro, nada que se pareça, mas sei o suficiente para encarar estes relatórios, como um cozinhado de números. Porque, se é verdade que a matemática não engana (2+2=4), já os relatórios com números, ou como eu gosto de dizer “escrita com números”, pode dar largas à imaginação ou “preparar”, ou “explanar” resultados que interessem à 1) administração, 2) accionistas, 3) credores.
    Ainda antes de passarmos aos números, de referir que o estado paga à concessão por previsão. Algo que não consigo admitir, para uma empresa que gasta 2,6milhões de euros em remunerações de 98 funcionários, ter apenas duas em vez de 18×2 células fotoeléctricas… Assim, só existe 1 ponto de medição de viaturas, que é no túnel do Marão. Tudo o resto é previsão… Qualquer utente da A23 percebe que entre Castelo Branco e Torres Novas o trânsito é 3x superior ao trânsito registado entre Castelo Branco e Guarda. Mas a previsão não diz isso. Aliás coloca o túnel muito pouco atrás do troço de Abrantes: ridículo.
    Vamos aos números. Proveitos anuais da concessão 2008: 116.175.412,50€. Custos operacionais, incluindo amortização do empréstimo: 55.183.186,99€. Extrapolando o valor em dívida e a amortização para o final do ano de 2011, a empresa deve no final de 2011+/- 684.340.475,52€ a pagar em “suaves” prestações anuais de 46.065.000,00€.
    Dos proveitos, 113.226.675,65€ vêm directamente do ESTADO “via previsão”. Isto significa que o ESTADO, se nacionalizasse agora a empresa SCUTVIAS e assumisse o passivo e os custos operacionais totalizando os 55.183.185,99€/ano, pouparia 1.102.826.284,54€ nos próximos 19 anos. Se nunca tivesse assinado o contrato de concessão teria poupado em 30anos 1.741.304.659,80€. Isto não é má gestão, para mim, é roubo. E não me interessa que venham dizer que o empreendimento foi lançado no tempo do Cavaco, explorado no tempo do Guterres, consentido no tempo do Durão e Sócrates e que agora Sr. Vítor Gaspar resolva parte do problema roubando ainda mais aos cidadãos.
    E lamento que os portugueses que não utilizam estas vias-rápidas, sacudam a água do capote e digam: quem utilize que pague, esquecendo-se que durante 11 anos já andou a pagar este roubo. E que daqui para a frente quando lá pagar ainda vai ser roubado mais um bocadinho.
    Não sei o custo final da obra de 178km. Mas o projecto inicial rondava os 890milhões de euros. Admito que tenha resvalado, por isso dou de barato o valor da amortização, mas não posso deixar passar a diferença do que o ESTADO paga com o custo.
    Sr. Ministro Gasparzinho, as “gorduras” que tanto falavam são estas e muitas outras que por aí há. Não são os vencimentos superiores a 650 euros dos funcionários.
    Aos autarcas locais: não acham que está na hora de se comportarem como tal? Não está na hora de se juntarem todos e procurarem uma solução? São 3 distritos (Santarém, Castelo Branco e Guarda), 830mil pessoas. É preciso arranjarem 850euros por pessoa. Mobilizem empresas e pessoas e arranjem os 684.340.475,52€ em dívida. Assumam a manutenção da estrada por município, e assegurem assim o futuro da vossa economia, da vossa região. Em terra de cegos quem tem olho é rei. Num país em que todas as auto-estradas pagam portagem, uma região onde não se paga, pode atrair mais gente e investimento!..
    Digo isto porque faço intenção de deixar de utilizar a A23 e voltar aos tempos da A1 até Coimbra e seguir pela nacional até ao meu destino: nordeste transmontano. Vão acabar os almocinhos na Covilhã, passeios na serra da estrela, os queijinhos da serra, enchidos, as paragens no festival da cereja… etc. Como eu, muitos o vão fazer.

    1. Pois vão. Por isso é que temos uma das melhores redes de vias rápidas europeias, mas tantas delas às moscas. E, consequentemente, as previsões do Estado foram uma ova, como estava bom de ver.

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