
Estive em Liège na semana passada no âmbito de uma reunião internacional. Fiquei absolutamente deslumbrado com essa cidade magnífica. Foi durante séculos um principado governado por um bispo, o qual fazia parte do Sacro Império Romano Germânico. Após a revolução francesa foi ocupado pelos franceses, tendo depois integrado o Estado belga aquando da sua fundação. Mas a cidade, apesar de francófona, tem traços tipicamente alemães, como a existência de mercados de Natal que levam a população a encher as ruas.
Liège está presentemente a organizar com imenso entusiasmo a sua candidatura à Expo 2017. Assisti a uma apresentação dessa candidatura, onde o exemplo do sucesso de Lisboa em 1998 era constantemente referido. Lembro-me de na altura ter pensado na euforia que se viveu em Portugal nesse ano, a contrastar com a desesperada situação actual.
Depois de regressar tomei notícia de mais este brutal atentado praticado na linda Praça de Saint-Lambert, precisamente no coração de uma cidade tão pacífica e acolhedora. Depois de Oslo, é agora Liège que é alvo de um ataque de um fanático qualquer. É inacreditável que indíviduos isolados consigam em plena luz do dia praticar crimes desta violência no centro das cidades com recurso a armas deste calibre. Isto só demonstra que na Europa actual a segurança dos cidadãos não está adequadamente defendida.

Adorei Liège. E gosto muito da Bélgica. É a França sem a arrogância e com o sopro nostálgico do ‘vent du nord’.
É impossível proteger disto a não ser que tenha controlos por toda a cidade, uma informação, ou sorte.