Da importância da estabilidade


Pedro Correia,

Dentro de poucos dias, Mariano Rajoy tomará posse como sexto presidente do Governo espanhol desde a restauração da democracia, em 1977. Neste mesmo período, em Portugal, o número de primeiros-ministros foi exactamente o dobro. Do lado de lá, governaram Adolfo Suárez, Leopoldo Calvo-Sotelo, Felipe González, José María Aznar e José Luis Rodríguez Zapatero. Por cá, tivemos como chefes do Executivo Mário Soares, Nobre da Costa, Carlos Mota Pinto, Maria de Lurdes Pintasilgo, Francisco Sá Carneiro, Francisco Balsemão, Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, José Sócrates. E temos agora Pedro Passos Coelho. Foram dezoito governos em 34 anos. Convém reflectir nisto. Para conseguirmos perceber até que ponto o atraso português não passará também por esta contínua dança de governantes. A estabilidade política, só por si, não basta para que um país progrida. Mas ajuda muito. Sem ela, em regra, tudo piora.

10 comentários em “Da importância da estabilidade”

  1. Concordo com a ideia em geral, embora no caso dos governos liderados pelo Eng. Socrates, todo o tempo que ultrapassou o segundo inicial, foi demasiado longo…

  2. É que um espanhol é um português…mas com orgulho…sim, como calculam, Antolin não é um apelido de forte raíz beirã ou minhota…

  3. Já agora, não quer juntar à comparação, o exemplo de Itália ? Ou da Bélgica?
    Se quer perceber o nosso atraso (dentro da OCDE), veja no site do TED o vídeo de Wilkinson sobre desigualdade social.
    Cumprimentos

    1. Ter um primeiro-ministro novo de três em três anos, com novas metas e novas prioridades governativas, é mais um símbolo endémico do nosso atraso. Mas há quem ache bem, como se verifica nesta caixa de comentários. Valha-nos isso: nunca faltam opiniões para todos os gostos.

      1. Exactamente, o problema são mesmo as novas metas e prioridades de cada novo governo. Se não fizessem tábua rasa de todas as realizações anteriores, impondo uma nova agenda só porque sim, afinal em Portugal marcamos a diferença fazendo tudo ao contrário dos antecessores, até podiamos conseguir alguma coisa de jeito. A estabilidade, realmente, não é tudo, mas dá uma ajudinha.

  4. Muito me apraz, não o facto em si, mas que se fale dele, que se o invoque. Refiro-me ao atraso português. Se não for através dele (e do que apurarmos ele não deixou de imprimir em cada um de nós que, apesar de licenciaturas ou mais ou menos mundo, não deixamos de ser produto dele), é difícil, quase impossível conseguir encontrar o espaço de leitura do quadro.
    E depois do 25 de Abril surgiu um comprazimento geral, connosco que nos embotou o espírito crítico e contribuiu para o aparecimento de uma gente, nascida já dentro do regime, pouco crítica, que se cumprimenta muito entre si enquanto começa a esboçar os primeiros saltos de assalto ao poder, saltando do galho dos lobbies, vulgo escritórios de advocacia, para a ramada dos cargos ministeriais, ofendendo-se muito se, para além do mais, lhes não admirarmos os saltos, ou os não considerarmos simpáticos, quiçá fofinhos. Acho que vou ter saudades dos Armandos Varas.

  5. Exactamente Pedro. Estive uma vez para escrever aqui sobre esta mesma comparação. Parece que em Portugal não há intermédio, entre a instabilidade (1ª República e, apesar de tudo menos, 3ª república) e a “estabilidade forçada” (Estado Novo).

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