Os tradutores de ideias

Os tradutores de ideias


Mantenho um amigo desde a juventude. Casou, tem dois filhos e continuo amigo deles todos. Um dos rapazes anda actualmente pelos 20 anos. É disléxico. As primeiras dificuldades notaram-se desde tenra idade e os primeiros tempos de escolaridade confirmaram uma dislexia profunda na leitura e na escrita.
A luta dos pais, a boa formação e educação do agregado, foram sempre essenciais. Encontraram muita gente compreensiva e colaborante, mas tiveram de lutar contra muitos professores e contra o Ministério da Educação vezes sem conta, ao longo dos anos. Apesar de o Jorge ser inteligente e ter sido sempre muito esforçado, não faltaram docentes (imagine-se) a defender a ideia de que, tal como os deficientes motores não se movem como as pessoas saudáveis, também os disléxicos têm de encarar deixar o ensino pelo caminho!
A verdade é que lá foram vencendo cada luta travada e cada processo a reivindicar direitos óbvios. Hoje, o Jorge aceita muito bem a sua fragilidade. Tem sido um estudante bem sucedido, graças à família, aos professores (de português, designadamente, que o foram dando como apto para poder progredir) e ao seu próprio esforço. Está numa faculdade, a caminho de obter um curso de que gosta, certo de que o seu futuro profissional nunca passará pelo domínio de outras línguas.
O Jorge tem uma bolsa de estudo, claro, para a qual foi fazendo prova anual do seu problema limitador e do rendimento académico. O actual governo, que tenta cortar quaisquer benefícios a todo o custo, quis que ele fosse avaliado este ano por uma junta médica. E ele lá foi cumprir a determinação do Ministério da Educação.
Entrou e o primeiro dos cinco médicos presentes a abrir a boca perguntou-lhe:
— Então tem dislexia, não é verdade? E como é que apanhou isso?…

Rádio Telefunken Largo Trop. II
(mod. fab. no Brasil, 1951)
«Sinta-se livre de pelos por mais tempo.»
«(…) as nossas propostas a todos os senhores e senhoras… deputades.»
(Diogo Feio, intervenção na Assembleia da República)

Ferrari Dino 246 GT (Itália, 1969/74)
Aston Martin DBS (Reino Unido, 1967/72)

Foram os carros d’Os Persuasores (The Persuaders), série televisiva de 1971/72: Danny Wilde (Tony Curtis) num vermelho Itália e Lord Brett Sinclair (Roger Moore) num amarelo Bahama.
Os sempre-em-cima


… há perto de cem anos, gente notável conduziu destes Detroit Electric (EUA, 1908/39), como Clara Ford (mulher de Henry Ford), Thomas Edison, John D. Rockfeller Jr., etc.? E que foram produzidos durante duas décadas a partir de um sistema de baterias criado pelo cientista Charles Steinmetz (razão por que o carro também ficou conhecido como Steinmetz Electric)?
Pois saiba ainda que foi este pequeno automóvel que inspirou, nos anos 40, os criadores da Walt Disney Productions no desenho do carro da Vovó Donalda!
Tenho tentado acompanhar os dramas futebolísticos destes dias. Ou melhor: tenho tentado não acompanhar, mas é impossível ser bem sucedido. Está na hora, pois, de deixar claro aquilo que sempre defendi.
Imaginemos que, por esta ou aquela razão, um qualquer clube contrata com um qualquer árbitro um qualquer favor para um qualquer jogo. Imaginemos também que o árbitro aceita e que, portanto, o contrato vai por diante.
Meus amigos, se o árbitro contratado estiver de boa-fé, não pode deixar mal o clube contratante: ele tem de mostrar que é um homem de palavra e não lhe resta outra coisa que não seja cumprir o favor contratado. Temos de ser sérios, não é?
Manuela Ferreira Leite disse que apresentou uma proposta para novo Provedor de Justiça, mas não o divulga.
O PSD já deve ter um nome para cabeça-de-lista às eleições europeias, mas não diz quem será.
O grupo parlamentar social-democrata vai propor esta semana na Assembleia da República a criação de um fundo de emergência social público suportado pela periclitante Segurança Social, mas não indica o montante necessário.
Os sociais-democratas podem ter uma agenda de segredos, mas cheira-me é que perderam a agenda e estão completamente no escuro…

Catavento
(anos 20)
Os meteorologistas inquietos

Pertencem a um grupo muito comum em reportagens do exterior. Os meteorologistas inquietos reconhecem-se por parecerem invariavelmente agitados, com o corpo a bambolear e o olhar pretensamente vago num rosto sempre em busca de novos ângulos.
Estão quase sempre atrás da figura de primeiro plano abordada pelo repórter, mas nunca demasiadamente atrás. Quando estão mesmo atrás, não ficam ali muito tempo: vão-se mexendo, apoiando-se numa perna para se apoiarem na outra logo a seguir — e assim sucessivamente, mudando com extraordinária subtileza de lugar até terem a certeza de que estão mais em cima do ombro da figura da frente do que atrás da cabeça. Se este não mantiver a cabeça muito quieta, têm de continuar a bambolear-se para não perderem a visibilidade por cima do ombro.
Às vezes, não estão atrás daquele que acompanham; estão mais ao lado. Isso não é um problema para os meteorologistas inquietos: ora se apoiam numa perna, ora na outra, até terem a certeza de que estão no lugar certo. A operação é idêntica à que aplicam no caso anterior.
O seu nome vem da atitude que assumem enquanto a cena está a ser filmada: vão olhando para o céu, com aquele ar conhecedor e grave de quem observa atentamente se o sol está para durar ou se poderá cair algum dilúvio de repente. Nos intervalos da observação do tempo, os meteorologistas inquietos relançam os olhos distraídos pela câmara como-quem-não-quer-a-coisa, abanando afirmativamente a cabeça em sinal de apoio a algo que acham que acabou de ser dito pelo entrevistado…
«(…) o sistema fique melhor capacitado para a diferenciação, para a qualificação da intervenção e para obter melhores resultados (…)»
(Alberto Costa, na apresentação de projecto de sistema prisional)

Este imponente Buick Super Eight Coupé (EUA, 1947) estava estacionado à porta do concessionário da marca na Baixa de Lisboa, em 1947, e tinha acabado de ganhar o 1.º Prémio do Concurso de Elegância e Conforto, complemento do Rallye Automóvel de Lisboa desse ano, patrocinado pel’O Século Ilustrado.
Alguém consegue saber onde foi tirada esta foto há mais de 60 anos? Avenida da Liberdade, Rua do Ouro, Rua da Prata…?
«Efeito no intestino.»

O Livro da Primeira Classe
Estava bom de ver: com a apresentação oficial (?) de Vital Moreira para encabeçar a lista do PS às eleições europeias, José Sócrates ensaiou o primeiro apelo à importância do acto eleitoral, pelo papel relevante que deve caber à União Europeia no mundo actual. A partir de agora, vai ser um fartote de apelos, porque o "papão" da abstenção e do voto voluntariamente branco ou nulo anda a meter-lhe medo. É a má consciência de quem contribuiu para o descrédito em que caiu a nossa política.
O que Sócrates se esqueceu foi de explicar por que motivo os portugueses devem dar agora o seu aval à Europa e o negou no passado recente, quando faltou à promessa de referendar o Tratado Europeu ultimado em Lisboa.
Também Vital Moreira aproveitou a sua apresentação oficial (?) para apelar à participação nas eleições, sempre a apontar o fantasma da abstenção. Tão crítico que era sobre o que via como incoerências da política nacional, igualmente ele se fez esquecido do referendo negado. Um caso que lhe teria sido vital repor, em benefício do seu perfil "independente", ao invés de partilhar a má consciência socialista.
«(…) o contra-ataque benfiquista esteve perto de render um golo madrugador, quando logo aos 4’, Aimar isolou Nuno Gomes (…) Foi o primeiro de uma longa série de lances perigosos que levaram aromas de golo às duas balizas (…)»
(Paulo Curado, in Público Última Hora)

Aston Martin DB5 (Reino Unido, 1963/65)
O DB5, o mais famoso dos Aston Martin, foi o carro de James Bond em Goldfinger, Thunderball, GoldenEye, Tomorrow Never Dies e Casino Royale.
Muitos nem sabiam que eu tinha uma prima. Chegou hoje, a Vera!