
A inserção escolar das crianças e jovens ciganos é um assunto muito complexo. O relatório aconselhado pelo antigo Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, Rui Marques, no Facebook mostra que há outros lados que convém ouvir nesta questão.
.: Agrupamento de Escolas Abel Varzim :.
Fonte: www.eb23-vila-seca.rcts.pt
Um dos factores que faz ruído na história de Barqueiros é a palavra contentor. Parece uma realidade terceiro-mundista mas, se pensar bem, concluo que passei parte de minha vida em contentores – primeiro, no contentor que a universidade destinou ao meu departamento e, depois, no contentor que acolheu durante muitos anos a redacção da estação de televisão onde trabalhei. Não é perfeito, mas garanto que, lá dentro, nem se pensa nisso. O problema não é certamente esse.
Algumas vozes de condenção à turma separada de Barqueiros não têm em conta que muitos pais não querem colocar os seus filhos pequenos numa turma com marmanjos de 18 anos que, em vez de História de Portugal e Geografia, estudam uma disciplina chamada Mundo Actual. Mesmo a nível de aprendizagem, veja-se a experiência das Novas Oportunidades e o que dela pensam os professores que são obrigados a leccionar disciplinas do secundário a adultos para os retirar das estatísticas dos Centros de Emprego. Admito, no entanto, que a ideia seja simpática para quem tem os filhos no ensino privado e deixa para os outros – o povo – os custos da integração escolar dos adolescentes e adultos de etnia cigana.
Por fim, é preciso ter em conta que mesmo os ciganos não estão todos do mesmo lado da questão que é saber o tipo de ensino que pretendem. Como em relação a todos os assuntos que envolvem a sua etnia, há muitos que defendem a protecção e reconhecimento das singularidades que lhes é dada até pelas Nações Unidas e há muitos (e, sobretudo, muitas) que querem uma integração plena com direitos e liberdades iguais. E daí, perguntará o leitor paciente. Nada, só acho que não podemos ter tantas certezas com base em indícios tão fúteis.