E agora, Governo?


Rui Rocha,

Vamos esquecer que sabemos quem negociou a compra do Siresp. Vamos admitir que o Lacerda é só um tipo com azar e que o facto de todos os processos que mediou darem asneira é mera coincidência. Vamos acreditar que a agora Ministra Tancinha nao sabia de nada naquela altura. Não é difícil. Não sabe de nada agora, também não saberia então. Vamos dar de barato que o Zé Sócrates estava demasiado ocupado a esconder a massa na gruta e a planear as férias em Formentera. Vamos aceitar que o traidor Passos, incapaz de concretizar o plano diabólico de levar o seu povo à miséria, fechou os olhos na esperança de o ver arder em incêndios. Seja. Mas então, fica uma pergunta: perante a evidência da absoluta imprestabilidade do sistema, o que vai o actual Governo patriótico de esquerda fazer? Denuncia o contrato? Pede indemnização? Tenta renogociar? Sim, é isso: afinal de contas, o que vai fazer agora?

Imperativos morais


Rui Rocha,

1) Multidão enfurecida decide linchar tripulantes de avioneta por considerar que estes deveriam ter obedecido ao imperativo moral de pôr em causa a própria vida para não provocar danos à integridade física de terceiros;
2) Multidão enfurecida percebe que, para linchar os tripulantes, terá de enfrentar 1 (um) basquetebolista com 2 (dois) metros de altura e outro tanto de largura;
3) Multidão enfurecida decide prescindir do imperativo moral que movia a sua sede de justiça para não pôr em causa a sua própria integridade física.

Para o ano é que vai ser


Rui Rocha,

“Eu próprio acompanharei muito de perto para ter a certeza de que no pino do Inverno ninguém se esquece do que aconteceu no Verão.” – Marcelo Rebelo de Sousa, Agosto de 2016.

 

“Temos ainda dois anos de legislatura, era importante que, no caso que espero que não aconteça das condições naturais serem tão adversas como este ano, podemos poupar a experiência do ano que está em curso e isso passa por aproveitarmos todo o tempo, a partir de Setembro/Outubro, até à Primavera do ano que vem para em conjunto ver o que é que é possível.” – Marcelo Rebelo de Sousa, Julho de 2017.

A rolha que faz ricochete


Rui Rocha,

A tentativa de impor a lei da rolha em matéria de incêndios vai revelar-se um monumental tiro no pé de António Costa. Na impossibilidade de ouvirem os comandantes dos bombeiros, os órgãos de comunicação social vão virar-se naturalmente para os autarcas e os populares. Aqueles, mas sobretudo estes, estarão obviamente num estado de descontrolo emocional devido ao perigo que enfrentam. Em casa, os espectadores verão pessoas desesperadas prontas para criticar tudo e todos sem qualquer contraponto de informação dos comandantes no terreno. Não vai ser bonito para o governo.

Mais vale prevenir


Rui Rocha,

14 de Julho – Bebidas portuguesas ganham 1 medalha de prata e 3 de bronze no International Spirits Challenge 2017

15 de Julho – Portugal perde final frente à Inglaterra no Euro sub-19 e fica-se pelo 2º lugar

16 de Julho – Joana Vasconcelos e Francisca Laia conquistam medalha de prata no K2 200 metros

16 de Julho – Fernando Pimenta conquista a medalha de prata em K1 5000

20 de Julho – A ciclista Maria Martins, mais conhecida por “Tata”, conquistou a medalha de prata na prova júnior de eliminação no European Track Championship U23 & Junior.

20 de Julho – Surf: Frederico Morais perde final na África do Sul.

 

Há que saber interpretar os sinais e o significado disto é muito claro. Desde que o Salvador Sobral ganhou a Eurovisão e foi convidado para almoçar com o Ferro Rodrigues, os portugueses que participam em competições internacionais, à cautela, recusam-se a ficar em 1º lugar. Alguns, mais prudentes, optam mesmo pela medalha de bronze não vá o Diabo tecê-las. É um comportamento que altera a verdade desportiva mas que se compreende atendendo ao que está em jogo.

Trump, o nepotista


Rui Rocha,

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– Ouve esta, ó Mário, tu ouve-me só esta.

– Conta, Tó, conta!

– Vou à Ana Paula Vitorino e digo: já viste que o Trump colocou a família toda em altos cargos do Estado?

– Ahahahah!

– Depois vou ao marido da Ana Paula Vitorino… ai como é que se chama o gajo?

– O Eduardo Cabrita?

– Isso. O Cabrita. Vou ao Cabrita e digo: já viste esta coisa da família do Trump?

– Ahahahah!

– Depois vou ao Vieira da Silva e digo: já viste esta história da família do Trump?

– Ahahahah!

– Depois vou à filha do Vieira da Silva… ai como é que se chama a filha do Vieira da Silva?

– A Mariana, a Secretária de Estado?

– Isso. A Mariana. Vou à Mariana e digo: já viste aquilo da família do Trump?

– Ahahahah!

– Depois vou à Ana Catarina Mendes e digo: já viste isto da família do Trump?

– Ahahahah!

– Depois fui ao irmão da Ana Catarina Mendes…

– O que foi ontem a Secretário de Estado?

– Esse! E digo: e esta coisa da família do Trump, hã?

– Ahahahah! Que sacana. E depois, Tó, e depois?

– Depois fui ao Carlos César.

– Ahahahah!

Sinalética preventiva


Rui Rocha,

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Não quero estar aqui a armar-me em especialista na vigilância de paióis. Só sei que o meu sogro também teve uns problemas de ladroagem lá na vizinhança e acabou por colocar esta sinalética no portão. Custou 4 euros no chinês e foi remédio santo. Partilho para o caso de o Senhor Ministro da Defesa ver interesse em experimentar em Tancos.

Quero lá saber se é mais fácil para a Ministra ficar ou sair


Rui Rocha,

Um dos argumentos que tem sido utilizado para justificar a inqualificável ausência de consequências políticas pela tragédia de Pedrógão Grande é que seria mais fácil para a Ministra da Administração Interna sair do que ficar. Trata-se de uma forma completamente enviesada de colocar em questão. Do que estamos aqui a falar é, repita-se, de responsabilidade política e não de responsabilidade individual. Por ser assim, são completamente indiferentes para a discussão argumentos que assentem no impacto da decisão na pessoa de Constança Urbano de Sousa. No campo da responsabilidade política não relevam, por exemplo, considerações de justiça ou injustiça da consequência para a Ministra. A responsabilidade política é, por definição, injusta para o responsável do cargo. A natureza da responsabilidade política é precisamente não haver um envolvimento directo do titular do cargo, um nexo de causalidade evidente, entre as suas decisões e as consequências trágicas. Se esse nexo existisse, estaríamos então a falar de responsabilidade de outra natureza, eventualmente até criminal. Da mesma maneira, não interessa se a Ministra sofre mais ou menos, se lhe é mais fácil ficar ou sair. O que importa é preservar o funcionamento institucional. E a continuação da Ministra em funções enfraquece o governo, não este em concreto mas a instituição, porque, depois destes acontecimentos, Constança Urbano de Sousa é evidentemente uma governante fragilizada.

Pedrógão Grande e o verdadeiro escândalo do jornalismo


Rui Rocha,

Não, senhor. Não mesmo. Por muito que nos queiram fazer acreditar, o maior escândalo jornalístico associado à tragédia de Pedrógão Grande não é um artigo publicado no El Mundo sob pseudónimo, nem a reportagem da Judite, nem a impreparação dos jornalistas, nem a repetição das frases feitas, nem a exploração abusiva dos sentimentos e das emoções. Tudo isso levanta naturalmente interrogações deontológicas e é susceptível de crítica cerrada. Mas há pior. Vejamos os factos. Temos, desde logo, 64 vítimas mortais, ao que parece 12 desaparecidos e centenas de feridos. É uma das maiores tragédias humanas à escala planetária provocada por um incêndio florestal. Temos depois a política da floresta e de prevenção e combate a incêndios mais do que questionável ao longo de décadas. Temos os Kamov que não voam e não servem para combater fogos. Temos o SIRESP cuja aquisição está envolta em suspeitas sérias e que não funcionou em várias situações de emergência já conhecidas em 2016. Temos carrinhas com antenas que não comunicam. Temos uma estrada que não foi fechada e onde morreram mais de quatro dezenas de pessoas. Temos o camião de frio da Protecção Civil que não funciona. Temos a origem do incêndio que é preciso apurar para lá das versões pré-estabelecidas. Tudo isto são factos que um jornalista experiente deveria querer conhecer e aprofundar. Como compreender então que, entre outros, Paulo Baldaia e Fernanda Câncio se tenham apressado, no DN e com os cadáveres ainda quentes, a decretar a inevitabilidade do sucedido? Como é possível que tenham prescindido imediatamente, perante tudo isto, da função essencial de jornalista que é fazer perguntas? Este sim é o elefante no meio da sala do jornalismo português, o escândalo que é preciso investigar. Com que propósito, em nome de que interesses, a mando de quem abdicaram das perguntas para abundar nas respostas?

Do óbvio


Rui Rocha,

É óbvio que o que aconteceu em Pedrógão Grande é uma tragédia de enormes dimensões e que dela têm de ser retiradas responsabilidades políticas. É óbvio que muitas coisas correram mal e é óbvio que, ao contrário do que afirmou extemporaneamente o Senhor Presidente da República, era possível ter feito mais. É óbvio que perante um acontecimento desta gravidade a existência de responsabilidades políticas é a única forma de assegurar que estes temas são geridos no futuro com seriedade. É óbvio que a inexistência de responsabilidade política seria um gravíssimo sinal de laxismo e cumplicidade colectiva com uma situação insustentável. É óbvio que a gestão da floresta e a prevenção e combate a incêndios acumulam décadas de más decisões e de decisões tomadas por motivos errados. É óbvio que nenhum dos sucessivos governos dessas décadas está isento de censura e que os partidos que os integraram (PS, PSD e CDS) são parte da situação a que se chegou. É óbvio quem tem de assumir a responsabilidade política pois de todos esses partidos é óbvio quem está agora no poder e é óbvio que essa responsabilidade política tem de incidir sobre a equipa do Ministério da Administração Interna.

Lamento, mas como português sinto-me envergonhado


Rui Rocha,

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Ouvi as palavras do Presidente da República sobre a tragédia de Pedrógão Grande. São uma vergonha. O Senhor Presidente afirma peremptoriamente que era impossível ter feito mais. Ora, numa situação destas o que é impossível é saber já se podia, ou não, ter sido feito mais. Dizer o que o Senhor Presidente diz tem o único objectivo de paralisar qualquer investigação séria. E o que um país sério faria numa circunstância destas seria apurar integralmente as responsabilidades, se existem, e promover um plano estratégico de prevenção e combate a situações futuras. As palavras do Presidente deveriam ser neste sentido e não no de encerrar apressadamente o tema. Mais tarde ou mais cedo há um preço de irresponsabilidade a pagar por ter um país dirigido por pantomineiros.

 

Leitura complementar: este post lapidar do Henrique Pereira dos Santos.

QUAE SUNT CAESARIS CAESARI


Rui Rocha,

– Mestre, bem sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens. Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?

– Vós, fariseus, sois lixadinhos. Fazeis-me essas perguntas para ver se me apanhais na curva.
– Ehehehe, Mestre. Ficaste entaladinho, não?
– Vós, fariseus, sois tramadinhos. Mas subestimais a minha sabedoria. Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Desembrulhai lá esta.
– Não está mal, ó Mestre. Far-se-á como dizes. Mas agora uma dúvida. A que César entregaremos o tributo? Ao líder parlamentar do PS, à mulher que coordena a Casa da Autonomia, ao filho que é deputado regional do PS nos Açores, à nora que é Chefe de Gabinete da Secretária Geral Adjunta para os Assuntos da Presidência, ao irmão que foi assessor parlamentar durante muitos anos, à mulher do irmão ou à sobrinha da Gebalis?
– Vós, fariseus, sois fodidinhos.

Pensamento da semana


Rui Rocha,

Filho de Madonna treina no Seixal. Madonna janta com Nuno Gomes. Filhas de Madonna passeiam em Lisboa com camisolas do Benfica. Madonna despede-se com fotografia no Estádio da Luz. A verdade é que estas visitas de celebridades planetárias têm muitíssimas vantagens para Portugal. Trazem experiências e perspectivas diferentes, despertam-nos para ângulos de análise a que não dávamos a devida importância. Sim, porque maluquinhos que passam o dia a pensar e a falar em futebol a verdade é que ainda não tínhamos suficientes.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.