Um dos argumentos que tem sido utilizado para justificar a inqualificável ausência de consequências políticas pela tragédia de Pedrógão Grande é que seria mais fácil para a Ministra da Administração Interna sair do que ficar. Trata-se de uma forma completamente enviesada de colocar em questão. Do que estamos aqui a falar é, repita-se, de responsabilidade política e não de responsabilidade individual. Por ser assim, são completamente indiferentes para a discussão argumentos que assentem no impacto da decisão na pessoa de Constança Urbano de Sousa. No campo da responsabilidade política não relevam, por exemplo, considerações de justiça ou injustiça da consequência para a Ministra. A responsabilidade política é, por definição, injusta para o responsável do cargo. A natureza da responsabilidade política é precisamente não haver um envolvimento directo do titular do cargo, um nexo de causalidade evidente, entre as suas decisões e as consequências trágicas. Se esse nexo existisse, estaríamos então a falar de responsabilidade de outra natureza, eventualmente até criminal. Da mesma maneira, não interessa se a Ministra sofre mais ou menos, se lhe é mais fácil ficar ou sair. O que importa é preservar o funcionamento institucional. E a continuação da Ministra em funções enfraquece o governo, não este em concreto mas a instituição, porque, depois destes acontecimentos, Constança Urbano de Sousa é evidentemente uma governante fragilizada.
Quero lá saber se é mais fácil para a Ministra ficar ou sair
Rui Rocha,

A responsabilidade política é, por definição, injusta para o responsável do cargo.
Discordo. A responsabilidade política é justa, porque ela é, de facto, uma responsabilidade. A responsabilidade política ocorre quando houve um decisor político que, na sua esfera política, agiu de forma imprudente ou temerária, o que levou a que o desastre acontecesse. Por exemplo: Jorge Coelho não manda reparar a ponte e a ponte depois cai; ao não mandar reparar a ponte, Coelho incorreu no risco de que a ponte caísse, esse risco materializou-se, e portanto Coelho teve responsabilidade política. Outro exemplo: o presidente da Câmara responsável pela torre Grenfell mandou revesti-la com um revestimento combustível, a torre ardeu, logo o presidente da Câmara é politicamente responsável.
Portanto, tem que se demonstrar que houve de facto alguma responsabilidade da parte do dirigente político, demonstrar que ele tomou (ou deixou de tomar) decisões que conduziram a um risco.
Responsabilidade politica é diferente de responsabilidade técnica. A responsabilidade pode ser simbólica, quando não técnica. Aliás na maioria das vezes a responsabilidade de um ministro é simbólica e não técnica. Mas não por isso menos grave.
Eu disso de símbolos não entendo nada. Para mim as coisas não são símbolos de nada; elas são o que são, e nada mais.
Por isso, não sei o que seja “responsabilidade simbólica”.
Sobre simbologia:
Símbolos são valores que se atribuem a coisas que intrinsecamente são neutras, ou inexistentes. exemplo: Bom,Mau,Feio,Belo.
Pelo pensamento revela as limitações de uma educação básica.
Veja bem, se o avaliasse, pelo que escreve, diria tratar-se, o Sr. Lavoura, símbolo de algo e não de alguém.
Encontra-se cada definição por aqui…
“Símbolos são valores que se atribuem a coisas que intrinsecamente são neutras ou inexistentes”.
Metade da frase está cheia de nada, a outra metade de coisa nenhuma.
O que importa é preservar o funcionamento institucional.
Certo, mas o funcionamento institucional é sempre perturbado quando um dirigente é (por qualquer motivo) substituído, pelo que, para preservar o funcionamento institucional convem não mudar de dirigentes. Qualquer mudança de dirigentes, mesmo que feita por um ótimo motivo (por exemplo, quando há eleições e o governo muda), perturba o funcionamento institucional.
“Certo, mas o funcionamento institucional é sempre perturbado quando um dirigente é (por qualquer motivo) substituído”
Errado:
Se o funcionamento institucional está perturbado, ele só deixa de o estar se modificado.
a continuação da Ministra em funções enfraquece o governo
Parece que sim, mas pode ser que não. O mesmo foi dito há uns meses atrás quando o ministro das Finanças se meteu naquela embrulhada com o António Domingues. Toda a gente nessa altura disse que o ministro das Finanças teria que ser demitido, que a sua posição era frágil, que ele enfraquecia o governo e patati patatá. Hoje em dia toda a gente concorda que o ministro das Finanças é, de facto, um dos melhores membros do governo. O que hoje parece ser verdade pode daqui a uns meses verificar-se ser falso.
“Parece que sim, mas pode ser que não”
Tão profundo como:
Pode ser que sim, e parecer que não.
“Quero lá saber se é mais fácil para a Ministra ficar ou sair” Bom título porque traduz a sua ideia: o que interessa é que ela saia, as razões e consequências não interessam.
E com aquela coisa dos drones, o Ministro do Ar não deveria demitir-se? Um problema é que não existe Ministro do Ar. Mas é fácil: nomeia-se um e depois demite-se. Fica resolvido o caso dos drones.
Excelente comentário. Anda neste blogue toda a gente a querer que a ministra se demita, como se isso fosse resolver algum problema, quiçá ressuscitar os mortos.
Eu já cá ando há muitos anos e sei portanto que, regularmente, ocorrem em Portugal fogos gigantescos. Este foi apenas mais um desses fogos gigantescos (não foi maior do que muitos outros que ocorreram no passado, incluindo em 2016). Nunca ninguém se demitiu por causa de um fogo gigantesco. É verdade que neste fogo específico morreram civis e noutros fogos não, mas daí não decorre automaticamente que uma demissão seja mais necessária ou conveniente neste fogo do que noutro qualquer.
“Eu já cá ando há muitos anos “
Portanto, não os suficientes para estar morto.
“Este foi apenas mais um desses fogos gigantescos “
Adoro esse “apenas”…arder mato, ou 60 pessoas, incluindo crianças, é detalhe estatístico.
“automaticamente que uma demissão seja mais necessária ou conveniente neste fogo do que noutro qualquer.”
E isto porque os mortos não ressuscitam, decerto.
Obrigado caro Anónimo. Poupe-me a escrever comentário idêntico ao seu.
“Mais fácil sair do que ficar”.
Este era o argumento dos tempos de… Salazar.
Pergunta: isso (ser do tempo de Salazar) prova que ficar é mais fácil que sair? Sempre e em todas as circunstâncias?
E o incêndio no túnel do Marão? Quem se deveria ter demitido? Ah, não morreu ninguém, só quando morrer é que se actua. Esperemos!!
O Ministro dos túneis obviamente. Se não existe, inventa-se como dizia um outro comentador.
Acabei de dizer tudo no poste anterior porque, como muitos (especialmente a nível global), o que eu sei e o que eu queria saber, a grande maioria nem sequer consegue imaginar, vivendo na sua caixinha “caseira” e, não bastando isso, por vontade própria, mete as palas ou o que antigamente chamavam “óculos de Penafiel”, não vá o Diabo tecê-las e se desconcentrem no “caminho”, dispersem a atenção e, em vez das suas confortáveis “Verdades”, acabarem no desconforto de saber que só têm andado concentrados nas “cenouras” e, não é por acaso que estejam quase a acabar. No mínimo, isto devem ter notado, desde 1974 que têm sido, sistematicamente, reduzidas, primeiro vinham em caixotes e distribuídas ao desbarato, hoje, alguns ainda se agarram às suas “cenourinhas” “adquiridas e garantidas”, outros já nem as vêem no presente nem futuro, para não falar das futuras gerações, essas vão pagá-las, sem nunca chegarem a saber e muito menos provar uma única “cenoura”, com sorte, terão rações de palha.
Quanto aos políticos… meros funcionários que dão e tiram cenouras, conforme ordens externas e, alguns, estão mais preocupados, não com a escassez das “cenouras” mas, com os seus próprios “tachos”, nem que para isso tenham que fazer muitos parques, alguma mesquita ou, simplesmente, agarrarem-se com unhas e dentes às mordomias do Poder mas, tudo… em prol de um melhor futuro, especialmente, melhorar as Vidas dos cidadãos que os elegeram.
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/ok-c orral-no-mai-9358895
Face ao que já se sabe — a absoluta incompetência política do MAI e do PM e a bagunça operacional das forças no terreno — O PR devia demitir o governo.
Mais divertido seria o próprio PR demitir-se. Mas só depois de demitir o governo. Com demissões em massa resolver-se-iam todos os problemas. Temos falta de demissões. Todo o chefe deve perceber que à mínima dificuldade deve pôr-se a andar.
Também. Todos eles. Acabar com a república, e fazer cidades-estado governadas por uma guilda de mercadores e mercenários sinistros com punhais atrás das cortinas — Proença de Carvalho teria finalmente uma profissão a condizer com o aspecto.
Os defensores da ministra podem ter tido alguma razão a princípio. Pede-se muito facilmente a cabeça do ministro (o BE, pelo menos, customava pedir).
Pessoalmente, neste caso pareceu-me inteiramente lógico que se o fizesse, desde logo porque a resposta da ministra foi desastrosa, e já no ano passado tinha sido desastrosa. Ainda assim, se tivesse corrigido o curso talvez fizesse sentido ficar.
Mas neste momento objectivamente não percebo como alguém defende que a ministra tem condições para ficar.
A ministra foi já por várias vezes desautorizada pelo PM, quando este exigiu em público explicações aos serviços da sua tutela.
A essas exigências os serviços responderam com um exercício de passa culpas, e ondas sucessivas de desmentidos cruzados.
Não demonstram a mínima solidariedade institucional. Não parecem ter noção de que falharam em conjunto e que precisam de aprender com isso em conjunto.
E não é esse o papel da ministra? Pôr serviços que tutela a trabalhar em conjunto tendo como objectivo o bem comum? Objectivamente isso está a acontecer?
Entretanto nem a ministra (cuja autoridade não existe) se demite, nem o PM (que não se coíbe de a desautorizar) a demite, nem o PR (que tem obrigação de garantir o regular funcionamento disto tudo) aparece.
“…inqualificável ausência de consequências políticas…”, “…a responsabilidade política é, por definição, injusta para o responsável do cargo…”, “…o que importa é preservar o funcionamento institucional…” , eis como o RR , típico democrata(ml) de outros tempos, agora democrata(lgbt), em poucas linhas, nos faz vomitar…(mbbbb!!!)…
o sapo nestes dias tem evidenciado o Delito, e cada vez mais se confirma, diferentes a_tores com a mesma tecla , apostados na demissao.
O Rocha (neste momento nao consigo desencravar a letra R_i ) até é brando, o_ melhor dito, explica ate m ito bem a coisa, a diferença das responsabilidades .
Atento já comparei ou questionei se o Delito nao é um governo sombra, á espera que todos os ministros se demitam.
E como o Rocha náo é aqui polemico, fico.
O que tu queres, tambem os outros queriam. .. Ide ver se esta alguem na equine que vos aceite.