Ser ou não ser embaixador é irrelevante para o exercício da função de Ministro da Cultura. Grave seria se lhe tivessem cancelado a licença de poeta.
É preciso ter calma
Rui Rocha,
Ser ou não ser embaixador é irrelevante para o exercício da função de Ministro da Cultura. Grave seria se lhe tivessem cancelado a licença de poeta.
Cidade sem carros, aeroporto sem aviões, Abril sem Primavera, Portugal sem austeridade, Lacerda sem contrato, Maria João Bastos sem Amélie, Ministro sem gravata, Piupiu sem Frajola, neném sem chupeta, queijo sem goiabada, Romeu sem Julieta, tralalá, tralalá…
Sobre alguns temas que nos têm entretido nas últimas horas, gostaria de esclarecer o seguinte:
Ou seja, resumindo: considero que existe uma probabilidade muito elevada de o governo de António Costa se estatelar ao comprido, levando o país com ele. Mas a oposição por via de chicana, da promoção de interesses corporativos ou de vaidades pessoais, utilizando canais e vias inadequadas, não salvaguarda obviamente os interesses colectivos.
Não ganhamos nada em entrar em pânico. Mas as previsões mais recentes não são animadoras: PIB mais baixo, défice mais alto, desemprego a aumentar… A pergunta que qualquer pessoa razoável faz num momento destes é: que país vamos deixar aos animais das próximas gerações?
Nasces, cresces, o Expresso divulga os primeiros nomes envolvidos no Panama Papers, envelheces, morres e o Expresso publica os últimos envolvidos no Panama Papers.
Em nome do Pai?
Sr. Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, li o seu artigo no Observador e fiquei estupefacta. Pior, fiquei irritada, coisa que vou procurando evitar porque preciso de poupar as minhas energias para o que realmente interessa, e este somatório de patetices paternalistas e contraditórias não devia merecer-me nem o levantar de uma sobrancelha. Mas infelizmente sou curiosa e fui lendo, sem querer acreditar no que lia mas à espera de ver até que ponto iria o delirante disparate.
Repare, eu não me sinto minimamente ofendida pelas suas palavras. É-me impossível respeitar quem não argumenta seriamente, sem sequer ter o respeito mínimo, nem pelas mulheres nem pelos homens, de considerá-las/os inteligentes. Quem acha que umas patacoadas aparentemente bem dispostas e sem qualquer fundamento são o “bacalhau basta” para que elas fiquem a sentir-se muito elogiadas e eles complacentes, de sorriso cúmplice e travesso, não pode ser levado a sério.
Ainda assim, gostaria que me respondesse a algumas perguntas. Vamos por partes, como diria Jack, o estripador (vê como também consigo ser “bem disposta”?).
1. Sabe, realmente, o que significa a palavra “feminismo”? Não me parece que saiba. É a procura e garantia de paridade, de rigorosa igualdade de direitos para “as duas modalidades do género humano”, para usar as suas próprias palavras. Ora, pretende justificar que Deus é feminista (essa extraordinária confidência que Deus parece ter-lhe feito ao ouvido numa noite especialmente iluminada) afirmando em todo o seu texto a superioridade de uns e a inferioridade de outros?
Na sua religião (a Igreja Católica Apostólica Romana) verifica-se essa rigorosa paridade? Se sim, dê-me, por favor, alguns nomes de Papisas, cardeais*, bispos* e padres* do género feminino (*para estas palavras creio que nem sequer existe o equivalente feminino) que a provem. Ou será que Deus é feminista mas a ICAR (produto dos homens) não cumpre, afinal, as directrizes do Seu legado?
2. “É óbvio que Deus tem um fraquinho forte pelo sexo fraco”, diz o Sr. Padre. Outra contradição: ou sustenta que as mulheres são o sexo fraco ou que são seres superiores aos homens, de tão “beneficiadas” que foram por Deus, como todo o seu texto pretende provar. As duas teses é que não me parecem conciliáveis. Ou será que “o sexo fraco” se refere apenas ao ínfimo pormenor da força física, sendo que nem mesmo esse é inquestionável?
As mulheres são mais bonitas do que os homens? Essa agora. Quem garante isso? É a sua opinião indiscutível ou a de Deus, seu confidente privilegiado? “Também foram beneficiadas na idade madura porque, quando eles começam a ficar calvos, elas, pelo contrário, ainda penteiam fartas melenas que, diga-se de passagem, fazem as delícias e o lucro de muitos cabeleireiros e a inveja de muitos carecas”. Desculpe, aqui tenho mesmo de perguntar-lhe: está a gozar com o pagode?
3. Não contesto o privilégio que é ser mãe, sinto-o desde que o fui e enche-me de felicidade. Mas é também, ninguém pode negá-lo, uma carga tremenda em quase todas as sociedades desde há muitos séculos, carga essa que as mulheres suportam sozinhas, ou quase, na maioria das vezes. E que as conduz a inúmeras situações de injustiça e discriminação, inadmissíveis mas generalizadas, no mundo do trabalho e não só. E, portanto, que faz com que esses seres “infinitamente superiores e beneficiados por Deus” sejam, afinal, tratados pelos homens como se fossem exactamente o oposto.
4. “Até o diabo está de acordo com Deus. Quando o demónio quis perder o género humano, tentou primeiro a mulher, Eva, porque sabia que ela depois se encarregaria de fazer pecar o homem”. Ah, pois. Assim se justifica muito convenientemente, desde sempre, a inocência crédula do homem – coitadinho, não percebeu nada do que estava a fazer – e a astúcia ardilosa da mulher, essa megera espertalhona que o domina sempre em favor do Mal. Belo alibi, de facto. Deste estigma muito “feminista” (deixe-me rir, sim?) deriva o sentimento de culpa que as mulheres carregam desde que nascem.
5. A palavra “virgindade” aplicada a Maria ao conceber um filho sem contacto carnal, não consensual nos Evangelhos e há muito questionada por haver quem defenda tratar-se de um erro de tradução da Bíblia do aramaico para o hebraico, e penso que nem sequer sendo um dogma da Igreja (não sou especialista na matéria, aceito correcções de bom grado), é tudo menos um prémio para as mulheres. Porquê? Porque nenhuma mulher humana estará nunca à altura de tal prodígio – a não ser com os novos meios de fertilização, mas nem esses dispensam a participação de um homem, mesmo sem contacto directo – o que a deixa numa situação de inferioridade, de ficar irremediavelmente “aquém” de Maria, o ideal de Mãe. Para já não falar da inevitável associação das relações sexuais a qualquer coisa de sujo, de pecaminoso.
6. O seu parágrafo seguinte é quase pueril, de tão fácil de desmontar. Dá-nos um rol de homens que traíram, negaram, condenaram, flagelaram e crucificaram Jesus, e outro de mulheres que o choraram e lhe limparam o rosto ou que intercederam por ele, no caso da mulher de Pilatos. O que aconteceu foi, simplesmente, que todos eles fizeram o que estava ao seu alcance na hierarquia do poder, o papel que lhes cabia na sociedade. Cite-me, por favor, os nomes de apóstolas que estiveram à mesa com Jesus na última ceia. Os nomes de imperadoras, membros femininos do Sinédrio, altas dignitárias e até de mulheres com carreira militar que existiam à época no império romano? Quem tomava as decisões? Quem servia, limpava, lavava e executava todas as tarefas domésticas? No máximo, no caso a mulher de Pilatos, o poder das mulheres de homens influentes limitava-se aos bastidores.
7. Finalmente, a ideia peregrina de que o sacerdócio foi reservado aos homens pelo próprio Jesus Cristo (onde está isto escrito, se Jesus não deixou uma única linha escrita pela sua mão?) não como um privilégio, mas como um “prémio de consolação” por serem inferiores. Admitindo a estapafúrdia hipótese de isto ser verdade, que sentido faria Jesus Cristo entregar às menos capazes das suas criaturas a enorme responsabilidade de propagar e defender a sua doutrina? Juro que nunca me passou pela cabeça ouvir (ou ler) um argumento tão inacreditavelmente absurdo. Quem pode, repito, levar isto a sério?
8. Uma última nota, relativa às roupas. Desde a antiguidade, ao longo dos tempos e respectivas modas, capas e vestes longas sempre foram usadas tanto por homens como por mulheres (valha-nos essa única antiga paridade). O que G.K. Chersterton se esqueceu de notar foi que também as mulheres começaram a usar calças após a revolução industrial, pondo-se generosamente ao nível dos seres “inferiores”.
Eu não sei se Deus existe. Admito que exista, ou não. Gostaria muitíssimo de poder dizer convictamente que sim, que existe e me protege de todo o mal. De ter fé suficiente para aceitar dogmas sem questioná-los, sem lhes procurar a origem e a explicação. De ver em absurdos, hipocrisias e injustiças flagrantes, sagradas sentenças sobre as quais não precisamos de reflectir nem ter opinião. Mas não sou assim, e quase me apetece dar graças a Deus por isso, por mais contraditório que pareça. No entanto, gosto de considerar-me cristã (o que é diferente de ser católica, como sabe muito melhor do que eu), cá pelos meus motivos. Acredito que Jesus (Cristo ou não) deixou aos humanos uma mensagem de Amor que não exclui ninguém, nem sequer os inimigos. Uma mensagem de uma originalidade insuperável, corajosa, revolucionária e dificílima de praticar. Amai-vos uns aos outros. Tão difícil que tudo ou quase tudo foi deturpado por esses mesmos humanos. Incluindo eu, que não me considero melhor do que ninguém.
Mas, por favor, não me chamem idiota com textos destes.
* Texto da “nossa” Ana Vidal no Facebook a propósito deste artigo lamentável.
Procuro sócio investidor para lançar uma versão GPS com a voz do João Soares a ameaçar os condutores das viaturas que não respeitam as regras de circulação em rotundas.
Discurso viril matinal, sms farronqueiro pela tarde e pedido de desculpas de espinha dobrada ao terminar o dia. As grandes proclamações facebuquianas de honra inchada e bochecha rosada de marialva são baratas. Em contrapartida, a única atitude vertical depois do esbofeteamento público às mãos de Costa não avança ou só virá de empurrão. João Soares (ainda) não se demitiu. E é pena. Até que se demita o país continuará privado de um mau escritor de novelas eróticas.
Pede-se encarecidamente ao espírito do marido da Maria Luís Albuquerque que abandone logo que possível o corpo do Senhor Ministro da Cultura.
Só para dar um exemplo: pelo visto, acusam a irmã de Juan Carlos de Espanha, Maria del Pilar Alfonsa Juana Ignacia de Todos los Santos Borbón y Borbón, de estar envolvida. Tudo bem. Mas agora pergunto: como é que podem garantir que é ela e não alguém com um nome parecido?
Mas os comunistas, o PSD e o CDS não se importaram com isso.
Judas estava referenciado.
A acreditar nas escrituras sagradas do Komentariado nacional, temos o privilégio de assistir ao momento histórico em que nasce uma nova religião. Lula é o “Escolhido”. Sofre de Síndrome de Tourette para despistar. Justo, impoluto, portador de toda a luz e só da verdade, é perseguido pelos fariseus, também conhecidos por coxinhas, que pretendem crucificá-lo. Para o salvar, Dilma, inspirada por uma pomba que é mãe sem pecado do pardal que costumava aparecer ao Hugo Chávez, enviou-lhe o Bessias.
Don´t know much about ideology
But I do know that Lula is a crook
And that Dias Loureiro is a crook, too
And I know if you shout it loud with me
What a wonderful world this would be.
Don´t know much about ideology
But I do know that Sócrates is a crook
And that Tecnoforma and “Submarinos” are a shame, too
And I know if you shout it loud with me
What a wonderful world this would be.
Don´t know much about ideology
But I do know that Hitler was an assassin
And that Stalin was an assassin, too
And I know if you shout it loud with me
What a wonderful world this would be.
Don´t know much about ideology
But I do know that brazilian right wingers are mostly sons of a bitch
And that Castro ans Maduro are sons of a bitch, too
And I know if you shout it loud with me
What a wonderful world this would be.
Yeah, but I do know that I if I shout it loud with you
And I know that if you shout it loud with me, too
What a wonderful world this would be.