Ponto de situação


Rui Rocha,

Sobre alguns temas que nos têm entretido nas últimas horas, gostaria de esclarecer o seguinte:

  •  Não é por vir a público atacar um governo relativamente ao qual não tenho qualquer simpatia, apreço ou ilusão que Vasco Lourenço deixa de ser um rematado patarata alucinado que passará rapidamente de cómico a perigoso se dermos algum crédito às posições que assume. E ainda que possam existir fundadas dúvidas sobre o perfil, a competência, a actuação ou até mesmo a indumentária do Ministro Azeredo Lopes, estou convencido que o pior que poderia acontecer é que este viesse a cair ou a ver o seu poder democrático diminuído por via de acção ou omissão ostensiva dos militares.
  • Na mesma linha, mas agora de forma mais geral, não é por manifestarem público desconforto perante um governo relativamente ao qual não tenho qualquer simpatia, apreço ou ilusão que deixo de considerar que, em geral, o lugar dos militares é nos quartéis e a melhor forma de prestar serviço à democracia é o silêncio, sem prejuízo de manifestarem as suas posições em sede própria que difiilmente será a praça pública.
  • A saída do Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, com manifestação via Facebook de críticas veementes ao comportamento pessoal e não só à orientação política do Ministro é absolutamente condenável e, tendo sido feita nos termos em que foi, revela uma preocupação com o seu próprio umbigo e não com os interesses do país. Se há questões graves a revelar, uma carta de demissão estruturada e fundamentada é a forma adequada de sair. 

Ou seja, resumindo: considero que existe uma probabilidade muito elevada de o governo de António Costa se estatelar ao comprido, levando o país com ele. Mas a oposição por via de chicana, da promoção de interesses corporativos ou de vaidades pessoais, utilizando canais e vias inadequadas, não salvaguarda obviamente os interesses colectivos.

0 comentários em “Ponto de situação”

  1. Neste comentário do RR o que convém relevar é isto :

    ” Mas a oposição por via de chicana, da promoção de interesses corporativos ou de vaidades pessoais, utilizando canais e vias inadequadas, não salvaguarda obviamente os interesses colectivos. “

  2. RR. Como sabe aprecio a sua forma de pensar / escrever, pelo que pergunto:
    -Se fosse Ministro da Defesa (sabemos que não é) qual teria sido a sua directiva no caso dos candidatos, a uma carreira de oficial das forças militarizadas, “gays”?.

    Quanto ao caso de o Min.Def. se apresentatar sem gravata numa “parada militar” … não supreende. Giringonsa no seu melhor.

    1. O melhor comentário que vi sobre o tema foi, creio, do Rodrigo Moita de Deus: o exército deve selecionar de acordo com o perfil desejável de um militar e não de acordo com a orientação sexual. Quanto à geringonça, anda a deitar muito fumo. Um abraço, JS.

  3. A geringonça no seu melhor…
    Ainda se vão comer uns aos outros.
    A, bolas!… Não se pode dizer “comer”…
    Agora esta de o Rui falar de forma séria… não esperava.
    Parabéns, por mais este texto.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *