Amigos do serviço de urgência do Hospital de S. Francisco Xavier: Não me conheceis, nem isso importa; sou filho da velhinha que foi deixada ao vosso cuidado por dois diligentes bombeiros ao princípio da chuvosa noite de ontem, vítima de um desmaio e subsequente queda que lhe rasgou um corte feio na cabeça e fez perigar o recobro das intervenções duras que a senhora havia sofrido, semanas antes, noutro hospital. Durante todo o tempo que a minha velhinha passou no interior do vosso serviço, entre análises e exames de imagiologia, percebi – no fundo já o sabia – o quanto são duras as vossas tarefas, difícil o trato humano. Sempre que tenham de lidar com uma velhinha assustada, um alcoolizado violento, um acidentado grosseiro ou um adolescente em pânico, por favor sintam o meu respeito e admiração. Obrigado por terem tratado a minha velhinha como se fora a vossa velhinha; por esse vosso espírito estranhamente jubiloso que vos permite acumular lucidez para os momentos mais difíceis; e sobretudo pela vossa gentileza, a vossa incomensurável gentileza: não a percam jamais.
Não a percam jamais
Bandeira,

As melhoras da sua velhinha 🙂
Grato, IsabelPS 🙂
Belo e sentido e justíssimo texto, Zé. Um forte abraço, com votos de boas melhoras da tua Mãe.
Como se vê nem tudo vai mal no SNS. E é bom que casos como este sejam publicitados.
As melhoras para a sua mãe.
Muito obrigado, Tiro ao Alvo. E sim, é uma pena, uma injustiça tremenda que estes profissionais bem mereciam ver corrigida.
Obrigado e um abraço, Pedro. Sei que entendes bem esta luta.
A sensibilidade e a gratidão são valores que não podemos abandonar.
Parabéns por este texto ao autor e aos visados.
Também já vivi, mais ou menos, a mesma experiência.
É que qualquer velhinha que cai ou por quem passo rua podia ser a minha mãe que já tem 92…
Grato, JAB. E tem toda a razão. Sensibilidade, empatia, gentileza, gratidão, decência, compreensão, delicadeza, vocábulos não faltam – o que falta é quem os utilize, a começar por muitos utentes das urgências que se comportam como se entre criadagem. (92 anos é obra! Viva a sua mãe ainda por muitos e bons.)
Que bom e que raro ler um texto assim sobre algo que acontece aqui e agora!
E o melhor de tudo é que acontece mesmo, a julgar pelos, felizmente ainda poucos, episódios que me levaram às urgências do meu hospital.
Mas o melhor de tudo é mesmo estarmos a falar de uma regra, cujas exceções apenas confirmam.
Que bom!
Parece-me que são a regra, sim. Obrigado e um abraço.
Como médico, é precisamente essa a pergunta que me faço frente ao doente: se esta pessoa fosse a minha Mãe, como gostaria de a ver tratada?
(alguns administradores não gostam da pergunta, faz com que o atendimento por vezes demore…)
As melhoras para a sua Mãe.
Obrigado e bem-haja pela sua atitude, H.
Que texto lindo de ler. Um dos sentimentos que mais me tocam é justamente a gentileza. Para além do bem que faz, ele é super estimulante – gentileza gera gentileza. Para mim, ele define, quase por si só, a “gaveta” para onde vão as minhas pessoas: “pessoas a evitar” e “pessoas a não perder”. Melhoras para a sua velhinha que, suspeito, será bem gentil.
Gentilíssima, gentil Fátima. Obrigado!
As garras da desumanização nem sempre vencem. Parabéns aos resistentes!
Que não lhes falte a força e que o reconhecimento público nunca seja esquecido. Como foi este o caso.
As melhoras da sua Mãe.
Parabéns a todos eles, sim, e muito obrigado. Um abraço
Tendo eu próprio beneficiado dos cuidados e “hospitalidade” do SNS, no meu caso no vetusto hospital de S. José, onde permaneci recentemente duas semanas, fui testemunha em primeira mão da dedicação e abnegação de todo o pessoal.
Tendo percorrido todos os patamares de intervenção médica, desde a enfermaria geral aos cuidados intensivos, passando pelos intermédios, não tenho dúvidas: quando algum dos meus também precisar, é ali que quero que esteja.
Longa vida ao SNS.
Dedicação e abnegação, palavras gentis mas tão cheias de força. Um abraço