Podemos importar este tipo de pensamento? (II)


cadernoelastico,

Depois da França, na semana passada, é a vez da Inglaterra dar atenção às despesas “menores”:

 

– Civil service pay remits for this year will have to be approved by Laws. Any central government pay package above the prime minister’s salary will have to be approved by Laws. David Cameron’s voluntary pay cut means the threshold will be reduced from £150,000 to £142,500.

 

– Ministers will be banned from having a dedicated chauffeur-driven car. The only exceptions will be on security grounds. Laws said: “Ministers will be expected to walk or take public transport where possible, or use a pooled car. The pooling of cars will allow big savings to be made.”

Podemos importar este tipo de pensamento?


cadernoelastico,

 

Em França, o governo aprova medidas nas coisas pequenas, aquelas que aqui “nao contam” para o défice.

 

O Ministério da Economia francês noticiou que as luzes se apagam agora automaticamente às 19h30 em todo o edifício e que as revistas de imprensa serão divulgadas internamente por via electrónica, não devendo ser imprimidas para economizar 23 toneladas de papel por ano. O ministro do Ambiente anunciou também que já começou a circular num carro de pequena cilindrada da Citroën…

Outras definições


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O Ridley Scott resolveu traduzir num filme de duas horas o conceito muito complexo de “salganhada”. Este foi o resultado:

 

 

A sério: poupem-vos uns euros, e esperem pelo filme na televisão, num qualquer sábado à tarde em que não tenham muito que fazer. Basicamente, Scott resolveu incluir na lenda clássica do Robin Hood (roubar aos ricos para dar aos pobres) uma conspiração internacional, a conquista da Magna Carta, uns duendes de floresta, uma Marian tipo Joana d’Arc, uma princesa francesa a querer ser rainha, um cavaleiro que não sabia que o era, etc., etc. A verdadeira salganhada, como dizia.

Notas breves


cadernoelastico,

 

Anda por aí uma espécie de pensamento único, que tende a desculpar o novo plano de austeridade: não há outra solução… É um discurso que não admite contradições, pintado com um tom de inevitabilidade (e daí o pedido de desculpas a acompanhar, no miserável coro laranja). Ora, basta pensar um bocadinho para ver que o défice resulta da diferença entre despesa e receita. Há muito tempo que a despesa excede as receitas, numa tendência de obesidade estatal que só cresceu. O bloco central informal, ou lá como a combinação daquelas duas cabecinhas pensantes se chama, apenas olha para a receita. Vêm com grandes desculpas, apontam medidinhas pontuais de descida da despesa, mas ao mesmo tempo adjudicam novas auto-estradas, só para referir o exemplo mais evidente. Podíamos, claro, perguntar se alguém pensou em olhar para as despesas “menores”, como a renovação de equipamento dos milhares de departamentos do Estado, ou ainda os custos de deslocações e alojamentos. Claro que nada disto se faz, até porque não dá direito a aberturas de telejornais. A solução mais simples é estrangular quem já está meio morto, e não reage: o contribuinte comum. Vai daí, aumentamos os impostos, tiramos mais dinheiro aos que já pouco têm (e aos que pouco terão, no futuro), e continuamos o nosso alegre cortejo, com o Estado a fazer de Jabba the Hut.

 

Confesso que não sei o que mais me irrita, se o tom desrespeitoso do senhor primeiro-ministro, com a estúpida conversa da Coca-Cola, se o falso pedido de desculpas de Passos Coelho. De qualquer maneira, de uma coisa tenho a certeza: ninguém neste arco governativo respeita os contribuintes portugueses.

Outras tradições


cadernoelastico,

 

Há sítios onde os critérios para se chegar a lugares públicos de topo são um bocado mais complicados. A senhora em questão chama-se Elena Kagan. O ano passado foi nomeada para Solicitor General, e sujeitou-se a esta comissão de inquérito. Este ano, está na short list para o Supremo Tribunal Federal, para substituir o Justice Stevens. Estranhamente, nenhum dos candidatos chama a este processo público de humilhação. E há alguns que já sofreram bastante “pressão psicológica” com as perguntas (embora não o suficiente para exercer acção directa sobre os microfones):

 

Arejar – publicidade descarada


cadernoelastico,

 

Há muito que sou fã dos desenhos da Lucy Pepper (lembram-se das capas da revista Atlântico? pois…). Mas sou também fã dos livin’ draws, uma espécie de histórias que seguem o traço da Lucy, a maior parte das vezes com música. São uma das minhas melhores formas de arejar – até porque a Lucy é inglesa e vive em Portugal, portanto tem uma visão muito peculiar deste nosso cantinho. Este livin’ é um videoclip para uma cantora inglesa, a Cloe Red, uma miúda de 15 anos que gravou agora o primeiro álbum. Gosto do vídeo, e gosto da música. Enjoy.

Descubra as diferenças


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Esta semana, André Abrantes Amaral e Antonieta Lopes da Costa em debate com Ana Margarida Craveiro e Adolfo Mesquita Nunes.


Juntos, analisam alguns dos principais temas da actualidade:

– ‘Rating’ ao fundo – Os mercados financeiros ficaram nervosos após o corte do ‘rating’ da república portuguesa pela Standard & Poor’s. Depois da Grécia, seremos nós?

– Corrupção absolvida? – O administrador da Bragaparques, Domingos Névoa, foi absolvido pelo Tribunal da Relação de Lisboa da tentativa de suborno de um vereador do município lisboeta. A decisão parece ter abalado a já pouca confiança que os cidadãos têm nos tribunais. Será caso para tanto?

– Recuos do governo –  O governo aprovou uma alteração à lei do funcionamento dos tribunais, prevendo a suspensão dos prazos judiciais, no período entre 15 e 31 de Julho. Esta alteração e o novo estatuto do aluno, entretanto também apresentado, são mais sinais da fraqueza deste governo?

 

Hoje, às 18.05, repetição no domingo às 19.05, em 90.4 FM.