A força dos fracos e a fraqueza dos fortes


fiodeprumo,

Pontos fortes 3.jpg

Quantas vezes não tenho assistido à tolerância com que se encaram as atitudes dos que são tomados por frágeis e a manifesta intolerância que é usada nos julgamentos daqueles que são considerados como sendo fortes?

É natural que assim seja, dirão uns. Mas então onde é que os fracos terão, alguma vez, o estímulo para deixarem de o ser, se forem sempre acarinhados e protegidos?

Fui sempre considerada uma mulher forte, vá lá saber-se porquê. Calculo que o epíteto se terá ficado a dever à circunstância de eu não ser pessoa de grandes queixumes e de tentar, quase sempre, dar a volta ao que me corre menos bem.

Por outro lado, conheço muito boa gente que queixando-se amargamente da existência e nada fazendo para a mudar, goza da compreensão de quase todos à sua volta.

Ainda recentemente assisti a algo que ilustra o que acabo de dizer. Uma amiga minha enviuvou e a vida dela sofreu um abalo psíquico e até económico, porque de duas pensões ficou só com uma. Pois bem, quando eu lamentava o que lhe sucedera, houve logo quem se apressasse a dizer “não te preocupes. Ela é uma mulher muito forte e por isso vai, seguramente, sair da situação. Pior está a irmã, também viúva, que é de uma enorme fragilidade e não consegue recuperar”. Na altura indignei-me com a diferença de tratamento face a uma mesma situação.

Ora agora, pergunto eu, os fortes não terão também direito aos seus momentos de fraqueza e à benevolência que se tem para com os mais fracos?!

0 comentários em “A força dos fracos e a fraqueza dos fortes”

  1. A propósito do seu desabafo, permita-me aconselhá-la a ver esta publicidade,que hoje me foi enviada por um amigo: http://youtu.be/xaIVZn5kWiM
    Saiba, todavia, que não vou comprar o tal produto. E, pelo que diz, parece-me que a Helena também não estará interessada. Mas é bom a gente saber que estas coisas existem…

  2. Sim, deviam ter!
    A resposta, a meu ver, não passa, porém, em também mostrar intolerância pelos problemas dos mais fracos, mas tolerância com todos.
    Aliás, os conceitos de forte e fraco são muito subjetivos, muitas vezes, são ideias feitas sobre uma pessoa, baseadas apenas num único acontecimento ou numa única situação. Uma vez forte, sempre forte, parece ser o lema, mesmo que a pessoa mostre fragilidade em algum outro momento. Isso também influencia o julgamento que o próprio tem sobre si. Se ouvirmos, desde sempre, as pessoas considerarem-nos fortes, julgamo-nos fortes, o mesmo se passando com o seu inverso. E, muitas vezes, mantemo-nos fortes, sabe-se lá com que sacrifícios.

    Desde bem pequena que ouvi dizer de mim que era precoce, uma adulta em corpo de criança. Convenci-me disso. No entanto, tal julgamento baseava-se mais no desejo dos adultos à minha volta que fosse mesmo assim. Olhando para trás, analisando, penso que era uma criança como todas as outras e senti falta da proteção e do mimo que me era devido e que raramente me era dado, precisamente por me considerarem crescida para a idade. No fundo, todos nós podemos ser assim ou assado, é uma questão de mentalidade.

    Mas é verdade que quem se queixa mais é mais apoiado e fica mais “fraco”, mais dependente. Nem é preciso ir mais longe: quase todos os pais assim agem com os próprios filhos. Por isso, não me admira nada que as pessoas julguem como diz sobre as irmãs que refere no seu texto.

  3. Muito bem.

    Começa desde quase o berço, olhe para a Escola(Publica e não Publica) veja quem é sacrificado. É quem tem de andar lentamente à força, é quem tem de se fazer de parvo para conseguir estar na escola.

    Ou como alguém com uma espingarda tem sempre razão contra quem tem um bombardeiro . Só por causa disso.

    Ou como a ganância e o socialismo anti-social dos Gregos é defendido.

    Ou como um pobre tem sempre razão contra um rico.

  4. Têm sim, os fortes têm direito ao apoio e ao carinho de todos.

    Mas há uma situação que se cultiva muito em Portugal: quando se vê alguém em estado de fragilidade todos julgam que devem pensar por esses, agir por esses e nunca com esses. Talvez por isto os fortes sejam sempre mal vistos, eu refiro-me aos fragilizados que mantêm a consciência de pretender continuar a ser como são.
    O seu exemplo, Helena, nos momentos de tais dificuldades, espelha esta última afirmação. Mas há por aí muita gente que morre sem amparo por entender que a vida não se vive com queixumes.

  5. Não deviam ter direito à benevolência nem os fracos que se fazem de fortes nem os fortes que se travestem de fracos.

    Se nos debruçarmos sobre os fortes que são mesmo fortes e sobre os fracos idem aspas, convém esclarecer o seguinte: A capaciadade que cada um de nós tem para corrigir seus comportamentos espontâneos fazendo uso da razão, varia com a biologia de cada um.

    Duas senhoras gordinhas que desejam ambas emagrecer podem ter níveis de “dor” muito diferentes quando se confrontam com a mesma experiência da abstinência de comer.

    Aquela que é conhecida como “forte” pode ser humilhada pela “fraca” simplesmente porque para a fraca a dor é muito menor, comparada com a dor sentida pela “forte” perante o mesmo estímulo.

    Por isso, muitas vezes associamos “forte” a insensível e “fraco” a sensível.

    Forte é aquele que costuma reagir com facilidade às situações em que é chamado a contrariar a sua natureza, e Fraco o contrário.

    Com os povos passa-se o mesmo…

  6. Estava a refletir em todas as suas palavras e lembrei-me do exemplo de São Paulo… as palavras de Paulo em 2 Coríntios 12:10 são impressionantes, refletindo uma maturidade espiritual que poucos alcançam: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” Ele sentia prazer no sofrimento! Será que nós sentimos a mesma coisa, sejamos fortes ou fracos? É comum sentirmos pena, ou amargura, ou profunda depressão, mas sentir prazer? O comentário de Paulo não trata de alguma prática louca de autoflagelação, mas da sua capacidade de confiar plenamente em Deus. Ele entendeu que o sofrimento nos oferece oportunidades para nos aproximarmos mais de Deus, e Paulo aproveitou tais oportunidades ao máximo. Da mesma forma que a pessoa que pratica ginástica ou musculação pode sentir prazer no esforço e sofrimento dessa prática, visando os resultados em termos da saúde física, Paulo sentia prazer nas angústias da vida, tendo em vista os resultados de crescimento espiritual e do galardão eterno. para mim é um exemplo muito forte…

      1. O sofrimento é fonte de conhecimento. Ninguém cresce com as nossas dores. São as dores que fazem crescer.
        Paulo só tirava prazer das fraquezas pela superação das mesmas: “Já não sou eu que vivo mas o Cristo vive em mim”. No fundo revela-nos que na Cruz se vence a morte.

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