«Vaidade e orgulho são coisas muito diferentes, embora muitos empreguem, indistintamente, os dois termos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho consiste na boa opinião que tomamos de nós mesmos e a vaidade na impressão favorável que desejaríamos fazer nos outros.»
Jane Austen, Orgulho e Preconceito, p. 22
Ed. Livraria Romano Torres, Lisboa, 1972 (4ª edição). Colecção Obras Escolhidas de Autores Escolhidos, nº 10. Tradução de Leyguarda Ferreira

![7940844_zcfi5[1].jpg 7940844_zcfi5[1].jpg](http://8.fotos.web.sapo.io/i/Ba41466d1/18011209_YvizI.jpeg)
errata: onde está verdade devia estar vaidade
Claro. Já emendei. Obrigado.
E quando o preconceito se torna num orgulho vaidoso?
Quando alguém vive embrenhado em seus próprios conceitos e preconceitos torna-se incapaz de penetrar o mistério que habita o outro. Mais grave ainda, perturba-se pelo facto de não entender o sentido e o significado que outro ou outros imprime(m) a sua existência e, arrogantemente, desdenha do conhecimento do outro pensando que sua sabedoria é fonte de contradição.
Há tempos alguém muito indignado procurava humilhar-me pelo facto de ter empregue o termo “in persona Christi” para definir o acontecimento sacramental que visa transformar as pessoas num sacramento de Vida, Pão da Vida na Fonte da Vida, filho(a) no Filho, luz da Luz no mundo e para o mundo.
Pois bem, que significa isto? Tão somente isto:
http://en.wikipedia.org/wiki/In_persona_ Christi
Mas mais: vio
https://www.youtube.com/watch?v=3CPYvovV
Jane Austen não escreveu mas pressupõe-se: uma pessoa não pode ser vaidosa sem ser orgulhosa.
A verdade de cada um pode tornar-se a vaidade idiossincrática que se apresenta, travestida daquela modéstia orgulhosa que todos possuímos.
E todos somos preconceituosos. Todos! Em maior ou menor escala, por vezes até inconscientemente, mas a verdade é que o preconceito é cada vez mais um estigma social enraizado em todas as culturas.
Sim, Dulce. O preconceito está, de resto, intrinsecamente ligado ao instinto de sobrevivência. Como aliás, ‘mutatis mutandis’, ensina aquele sábio ditado português: “O seguro morreu de velho.”
Sem pré-conceitos ninguém chega muito longe.