Na Feira do Livro


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Como já disse, fui ontem à Feira do Livro. Atrevi-me a isso tanto para seguir a sugestão do Pedro Correia como para assistir à sessão de apresentação de um livro de amigo meu. Encontrei o recinto bastante animado, apinhado de gentes que espero terem sido (estarem a ser) boas clientes. A sessão a que assisti foi simpática, e nela encontrei algumas pessoas que não via há décadas e outras que não tenho o costume de ver. Depois percorri uma das alas da feira. Jurara que não compraria livros, pois vivo sob a pressão de uma tripla escassez: espaço nas estantes, capacidade de concentração e, sobretudo, papel-moeda. Como tal nada vasculhei, de facto deixando distraídos soslaios aos pavilhões e nada ansiosas grandes angulares sobre a mole humana: mas apenas reconheci um afamado ex-bloguista, com o qual convivi em Maputo. Mas, não tendo nada para dizer, eximi-me a ir cumprimentá-lo: é destes recolhimentos, silêncios, que é feita a velhice, já me dizia o meu pai António. Chamava-lhes, lembro-me bem, “falta de paciência”. E nada louvava isso, ainda que o praticasse sem rebuço.

Ainda assim não resisti ao velho hábito de comprar livros, e disso deixo registo. Já perto do final da ala, em sentido descendente, atentei numa banca de monos – as que sempre mais atraíam quando era cliente habitual da Feira. E, ao preço de um euro cada, de lá trouxe estes três volumes da colecção ABC da Cozinha, editada por Bárbara Palla e Carmo (Abril/Controljornal Editora, 1999): Tudo Sobre Arroz, Tudo Sobre Peixe, Tudo Sobre Vitela.

Quando regressado a casa percebi que voltara contente.

7 comentários em “Na Feira do Livro”

  1. uma tripla escassez: espaço nas estantes

    É preciso ter a coragem de eliminar (enviar para a reciclagem de papel ou, eventualmente, deixar abandonado algures na esperança de que alguém ache útil e leve) livros que nos ocupam as estantes mas que jamais voltaremos a ter paciência para ler (e cuja utilidade, aliás, será duvidosa, dado que o mundo evolui cada vez mais rapidamente e portanto cada vez mais coisas caem na obsolescência).

  2. Tive uns dias muito agradáveis de jejum: internet, televisão e qualquer meio de comunicação. Li ainda, entre outro, a (hilariante) viagem do elefante, de Saramago. Quebrado este ciclo, tive conhecimento que recentemente foi servido um excelente prato: a Martinha já tem uma cartolina do partido socialista. Na realidade quanto mais partidos eles estiverem mais adesões ocorrerão. E verifico com agrado que esta adesão é mais uma de tantas que virão de elefantes, desta feita, brancos.
    Um elefante branco enquadra-se num partido, já partido, mas que necessita ter na estante algo que não trará qualquer serventia para a nação mas que agrada bastante aos arquiduques.
    Na verdade este país acabará sempre por enredar-se numa viagem que de todo não dispensará de um cornaca cujo nome, Subhro, isto é, Branco, muito indica que mesmo que os elefantes tenham outras cores, de alguma forma se tornarão brancos. Não sei se era esta a ideia de Saramago ao escolher o nome de subhro para o cornaca indiano, o condutor do elefante. Porém, com a utilidade que o bicho tem na narrativa, não me parece de todo destituído de objectivo a escolha deste nome para uma critica geral que se mantém actual: somos um país governado por elefantes brancos.

    1. Nunca li esse livro, terei que o arrancar da estante, está visto. Quanto à Super-Marta, como a chamam os avençados do PS albergados na universidade pública? Passo…

  3. .’…já me dizia o meu pai António.’
    Nunca me referi ‘meu pai (nome)’, por não ter outro. Não se passa o mesmo com os avós, são nomeados por serem dois, um do lado paterno outro do lado materno.
    No caso dos pais, também pode acontecer: um pai biológico e um pai adotivo.
    Até pode acontecer, agora, com casamentos de homossexuais haver dois pais quando é adotada uma criança, ou até se for filho natural e um deles.
    Mas tudo isto é outra conversa, que nada tem a ver com a epígrafe.

    1. A resposta à letra a este comentário fica suspensa – há co-bloguistas que são senhoras. Mas há cada imbecil anónimo, que bosta de gente.

      1. Mas que imbecilidade haverá em reparar haver necessidade fazer referência ao seu pai realçando o nome dele.
        O meu pai já morreu, que necessidade realçar o meu pai José já morreu.
        Deixe-se de não sei quê há senhoras no blog, se quiser explique por gestos o que no seu excelente texto quer dizer/sentir necessidade de acrescentar o nome ao ‘…já me dizia o meu pai…’.
        Não percebeu ser apenas um comentário literário ao texto.

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