
Vim à Feira do Livro. E acho muito bem que se restrinja a entrada de espectadores nos estádios de futebol. Pois eles são mais “viróticos”, até porque sujos, e movimentam-se, tocam-se, infectam-se. Enquanto estes são letrados, mais limpos. E estão imóveis. É tudo mais seguro.

Agora não percebi. Você está a favor ou contra as restrições de espectadores nos estádios de futebol?
Está a favor ou contra o elevado número de pessoas na Feira do Livro?
Não podemos ter o sol na eira e a chuva no nabal, se não aceitamos medidas repressivas numa situação também não podemos aceitar medidas repressivas na outra.
Bem pelo contrário, devemos não só aspirar como exigir ter sol na eira e chuva no nabal.
Assim é um bocado difícil e temos de dar razão ao governo. Repare, num avião estamos todos a respirar para a frente, não há problema de contaminação. Num estádio de futebol estamos todos a respirar para cima dos jogadores, e não pode ser, coitados.
Dois pesos, duas medidas. O vírus, como todos sabemos, infiltra-se insidiosamente nos estádios de futebol. Não nos locais de trabalho, não nos transportes públicos, não nos ajuntamentos do Parque Eduardo VII, onde só na sexta-feira estiveram 15 mil pessoas.
É um vírus inculto. Só lhe interessa bola, nada mais.
Vírus inculto mas solidário e trabalhador – só essa diligente característica explica a sua simpatia de não se transmitir nos transportes públicos, como tão bem reconheceu o nosso ministro que tutela Galamba.
A “cultura” é propriedade privada da esquerda, como as manifestações da CGTP e os transportes publicos . Já o futebol é só perigosos populistas e direitistas.
Conclusão: O Covid é um vírus progressista.
O Covid-19 é um vírus democrático, profundamente liberal pois segue o princípio da equidade. Está disponível para todos, sem distinções, consoante as respectivas disponibilidades e práticas.