Os 30 mais infectados


Pedro Correia,

Um mês depois, trago aqui novamente o quadro detalhado da evolução do novo coronavírus no planeta, com base em mais de duas dezenas de fontes consultadas e confrontadas – desde logo, a Organização Mundial de Saúde. Quando à escala global existem agora 1,3 milhões de mortos (mais 200 mil) e 53,1 milhões de infectados (mais 13,4 milhões) por Covid-19, oficialmente reconhecidos. Neste período, o número de óbitos aumentou cerca de 18%, enquanto os novos casos entretanto detectados subiram por volta de 35%.

Um registo que me leva a ordenar os países com registo oficial de Covid-19 da seguinte maneira, excluindo micro-estados e nações com menos de um milhão de habitantes:

 

Barém: 48.875 casos por milhão de habitantes

Catar: 48.127 

Bélgica: 44.830

República Checa: 41.682

Arménia: 38.574

Israel: 35.026

Panamá: 33.034

EUA: 32.781

Espanha: 31.754

Koweit: 31.426

França: 29.065

Suíça: 28.855

Argentina: 28.326

Peru: 28.070

Chile: 27.452

Brasil: 27.139

Holanda: 25.101

Eslovénia: 24.468

Costa Rica: 23.662

Omã: 23.178

Colômbia: 22.483

Moldóvia: 21.347

Bósnia-Herzegovina: 20.664

Áustria: 20.126

PORTUGAL: 19.440

Reino Unido: 18.969

Croácia: 18.536

Geórgia: 18.351

Itália: 17.647

Roménia: 17.417

 

Notas a destacar, em comparação com a estatística anterior: a pandemia parece estabilizar na América do Sul, continua em acentuado recuo no Oriente e regressa em força ao continente europeu. As maiores subidas ocorrem precisamente na Europa. Em países como a Bélgica (que sobe 14 lugares neste quadro, entrando para os três mais infectados) e a República Checa (com uma subida de 17 lugares). Aqui o número de novos casos registados quadruplicou em apenas um mês.

Portugal acompanha esta tendência de subida, passando do 34.º posto de Outubro para o actual 25.º lugar. Mais que duplicando as infecções. Somos agora o sétimo país da União Europeia em número de contágios na proporção com os habitantes de cada Estado; há um mês estávamos na nona posição. Passámos a ter Suécia, Irlanda e Reino Unido atrás de nós. E fomos ultrapassados pela Áustria, ausente do anterior rol dos 35 mais.

Em Outubro, nenhum país europeu estava entre os dez mais infectados. Agora há quatro, o que demonstra a progressão do novo coronavírus no Velho Continente. Com aumentos significativos em Espanha (sobe de 13.º para nono, duplicando as infecções), França (estava em vigésimo, agora é 11.º, quase triplicando o número de novos casos) e Suíça (que em Setembro nem constava entre os 35 mais, tal como Itália, Eslovénia ou Croácia).

Significativos os recuos relativos registados em países como Suécia, Rússia, Singapura e África do Sul, agora ausentes desta tabela. 

Em termos comparativos, à mesma escala, temos em Portugal o dobro dos infectados por Covid-19 existente em países como Alemanha, Albânia, Lituânia ou Dinamarca. Triplicamos os números de Marrocos, Canadá, Grécia e México. E registamos quatro vezes mais casos do que Estónia, Letónia, Chipre e Turquia. 

 

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Deixo também aqui novamente o registo da relação entre o número de óbitos confirmados e a população de cada país, por milhão de habitantes:

 

Bélgica: 1197

Peru: 1058

Espanha: 865

Brasil: 771

Argentina: 767

Chile: 767

Bolívia: 752

México: 750

EUA: 749

Reino Unido: 749

Equador: 730

Itália: 721

França: 658

Colômbia: 656

Panamá: 652

Suécia: 605

Arménia: 572

República Checa: 537

Bósnia-Herzegovina: 535

Moldóvia: 489

Holanda: 484

Irão: 475

Roménia: 445

Irlanda: 396

Suíça: 371

África do Sul: 337

Eslovénia: 330

PORTUGAL: 312

Costa Rica: 299

Israel: 294

 

Também aqui se verifica um aumento das cifras europeias. O destaque mais negativo vai para a Bélgica, que desta vez encima a lista, por troca com o Peru. Enquanto a Espanha, que era quinta em Outubro, figura agora nos três países com mais óbitos por milhão de habitantes.

Dois outros países europeus subiram muito: a França, que figurava na 16.ª posição, está em Novembro no posto 13. E a República Checa é agora a 18.ª, quando há um mês nem integrava a lista dos dez mais. Destaque pela negativa também para a Argentina, que sobe dezoito lugares em dois meses: era 23.ª em Setembro e 15.ª em Outubro, agora segue em quinto. Um posto nada invejável.

Em Portugal, no entanto, pouco ou nada se fala da Argentina. Tal como são mínimas as referências à progressão do novo coronavírus na Bélgica, apesar de todos os principais órgãos de informação portugueses terem correspondentes em Bruxelas. Evidente disparidade informativa, em comparação com outros países, muito mais mencionados.

A Itália – que já esteve em primeiro – situa-se hoje na 12.ª posição: há quatro meses surgia em quarto. Destaque positivo também para a Suécia, que entre Julho e Novembro baixou do 5.º para o 16.º lugar.

Canadá, Honduras e Iraque saíram este mês da lista dos 30 com mais mortos por milhão de habitantes. Portugal, inversamente, regressa a ela. Embora estejamos longe do 21.º posto que ocupávamos em Julho. E ainda mais da 12.ª posição registada no início de Maio. 

Infelizmente as estatísticas demonstram que, em termos proporcionais, temos o dobro dos óbitos por Covid-19 ocorridos na Alemanha. Triplicamos o registo da Grécia. E acumulamos cerca de cinco vezes mais vítimas mortais do que a Estónia, a Letónia ou a Finlândia.

29 comentários em “Os 30 mais infectados”

  1. É bom ver os números apenas como estão pEdro, sem comentários ou notas sobre eles. Isto porque há diferenças significativas entre os diversos países que reflectem (ou se reflectem nos) cenários locais. Deixo alguns pontos:
    – A América do Sul está a entrar no Verão. Não é completamente claro se temperaturas elevadas e sol reduze o risco de transmissão, mas é claro que o Verão teve menos casos na Europa (parcialmente porque as pessoas passarão mais tempo fora de portas).
    – A Bélgica conta os casos suspeitos de serem Covid-19 nos seus números, mesmo que não haja testes positivos. O mesmo para os óbitos. Isso inflaciona parcialmente os números.
    – Alguns países não testam o suficiente, por capacidade ou decisão estratégica/política. A exemplo, na Holanda não consigo ter um teste facilmente, mesmo que queira pagar, ao contrário de na Alemanha.

    São só notas sobre o assunto e não pretendo explicar nada, apenas fornecer algum contexto extra. Outros poderão fornecer mais.

    PS – dito isto, se de facto os órgãos de comunicação portugueses não falam da Bélgica, isso é muito mau jornalismo.

    1. Também pensei fazer uma analogia entre o recuo proporcional das cifras a sul do Equador, agora que em África e na América se vive o Verão austral, e a temperatura ambiente. Algo semelhante ocorreu no continente europeu, neste nosso Verão que já passou. Mas interrogo-me ainda se ao teorizarmos sobre isso não estaremos a dar um passo maior que a perna. Tanto quanto sei, há teses muito divergentes sobre o assunto.

      Quanto à Bélgica: de lá quase só nos chegam ecos sobre as “instituições comunitárias” e visitas de altas entidades à Comissão ou ao Parlamento Europeu. Como se naquele mesmo país não ocorressem as cifras que aqui trago. E ao contrário do que sucede noutros países (Argentina, desde logo) na Bélgica não há falta de correspondentes portugueses, muito pelo contrário.

      1. Há uma sequência causa-efeito que esta associada a diminuição de contagio e ao Verão, que é o facto de as pessoas passarem mais tempo fora de casa, o que ajuda a diminuir a concentração de vírus em suspensão e como tal diminui a potencial cara viral. Não elimina transmissões, obviamente, mas ajuda, nem que seja um pouco.
        Agora claro, isso não significa que seja determinante. E como está no comentário abaixo, em alguns dos países a diferença entre Verão e Inverno é bastante menor clara que aqui.

    2. A América do Sul está a entrar no Verão.

      A maior parte da América do Sul é equatorial ou tropical e, nesses sítios, os nossos conceitos de “verão” e “inverno” não têm significado. Somente na Argentina, Chile, Uruguai e extremo sul do Brasil é que têm.

      1. Tem razão, a proximidade do Equador reduz a diferença entre as estações, mas gostaria de apontar que mesmo assim há diferenças. Por um lado, o plantel tem inclinação, pelo que acaba por haver alguma diferença, mesmo que leve. Por outro, o clima do planeta está interligado, pelo que mesmo quando a temperatura não muda, há diferenças de clima (mais ou menos chuva, horas de sol, humidade, etc).
        E não esqueçamos que a maior parte da América do Sul está suficientemente abaixo do Equador para o clima passar a tropical.

        Seja como for, a sua observação foi excelente e serve para qualificar a minha. Coo sempre, há muitos aspectos a considerar. Agradeço-lhe essa nota.

  2. A Holanda é um caso interessante.
    O uso de máscara é fortemente (agora) recomendado, mas não obrigatório. Vai contra as liberdades individuais.
    Continua a haver ajuntamentos.

    1. O uso de máscara [v]ai contra as liberdades individuais.

      É obrigatório as mulheres usarem biquini na praia. Isso não irá contra as liberdades individuais?

    2. Vive na Holanda? Só por curiosidade.

      Tem razão, os holandeses têm problema em impôr o uso de máscaras por causa das liberdades individuais e também do ponto de vista legal. As pessoas soa lembradas em todo o lado que o uso de máscara é “pedido gentilmente” (ou “amigavelmente”, numa tradução literal), o que habitualmente significa “insistimos em”. Mas a verdade é que as pessoas continuam a ignorar isso em grande parte. A comunicação não tem ajudado, mas os holandeses andam a portar-se mal nisto. Até parecem… sei lá… Sul europeus…

      1. Estou em regime de mudança. Parte da família já saiu da zona de conforto. Por acaso está semana estou cá. Lá.
        É raro ver uma máscara na rua
        Ainda ontem veio a casa um técnico de reparações, de cara nua. Estafetas idem.
        Escolas não se usa, nem alunos ou professores.
        Estou numa cidade de pequena dimensão, porventura em Amesterdão ou Roterdão pode ser algo diferente.

  3. Continuo a não perceber porque é que a Suécia é tabu para a comunicação social.
    Continuo a não perceber porque é que Portugal insiste em impor medidas draconianas de limitação de liberdades dignas de países totalitários.
    Continuo a não perceber porque é que os doentes não covid, cujo índice de mortalidade é muito superior ao dos doentes covid, estão a ser criminosamente ignorados.
    Continuo a não perceber porque é que estamos a obrigar as crianças a respirar por um pano cheio de fungos, bactérias e vírus, durante várias horas por dia.
    Continuo a não perceber porque é que dizem que esta segunda vaga da pandemia está pior se os enfermeiros estão em greve uma semana inteira.

    1. Continuo a não perceber porque é que estamos a obrigar as crianças a respirar por um pano cheio de fungos, bactérias e vírus, durante várias horas por dia.

      Isso é o que menos percebo. Porque se tortura as crianças, elas que são imunes ao SARS-COV-2? Porque têm elas que estar a sofrer com isto? É uma barbaridade.

      O meu filho diz que a disciplina que prefere, de todas, é a educação física. Porque é a única em que não tem que usar máscara.

      Lá que os velhos doentolas e fracos tenham que se cobrir todos, entendo. Revolta-me que, egoistas, torturem as crianças que são fortes e nada têm a sofrer com o vírus.

      1. O estado vai pagar aos hospitais privados 2100 euros/dia por cada doente covid.
        Agora começo a perceber o alarme social…
        Será que os helicópteros de combate aos incêndios também vão ser chamados para transportar os doentes covid de uns hospitais para os outros?

  4. O tempo dá a razão a Anders Tegnell. Parabéns à Suécia, que não embarcou em paranoias e manteve o bom senso.

    1. Dá ainda mais razão às autoridades uruguaias, que fizeram o mesmo que as suecas e obtiveram um desempenho brilhante quando comparado tanto com os vizinhos do norte como com os do sul.

  5. Em Portugal, no entanto, pouco ou nada se fala da Argentina.

    Também pouco ou nada se fala da Venezuela, na qual, ao contrário do que acontece nos outros países da Amáerica Latina, parece haver poucos mortos.

    Permito-me suspeitar que a cura de emagrecimento que Nicolás Maduro forçou os seus concidadãos a fazer melhorou bastante a resistência deles à covid-19.

  6. Em Portugal, no entanto, pouco ou nada se fala da Argentina.

    Um outro país de que pouco ou nada se fala é o Uruguai. O que é uma pena, porque esse é o país latino-americano que é mais similar, em mentalidades e cultura, a Portugal.

    No caso do SARS-COV-2, o Uruguai tem, ao contrário dos seus grandes vizinhos, taxas de infeção e de mortalidade despiciendas. Porque será? Será porque, ao contrário do saber vigente, e tal como fez a Suécia, não impôs quaisquer restrições à sua população?

  7. Não sei como consideram o caso sueco um êxito. Com menos 1,5 milhões de testes por milhão de habitantes do que Portugal, consegue ter praticamente o dobro dos mortos. Testam muito menos, tem o dobro da mortalidade, onde é que está o êxito?

  8. parabens.

    Claro que é demasiado extenso, mas tem mesmo que ser. O intuito nao será confundir o leitor.
    Já previa essa conclusao, pois conheço objetivo do autor.

    Apenas o penultimo paragrafo me deixou confuso, e nem com mais de uma leitura lá chego.

    E para rematar uma noticia tambem recente, mas que de certeza passou ao lado de muitos : a suissa acabou com as restriçoes relativamente aos portugueses. Só li o titulo, mas pensei assim, ai havia restriçoes, e entao agora que a pandemia está a crescer em portugal é que acabam com as restriçoes !!!! Faço o papel daquele alentejano naquela serie de humor portuguesa, talvez os malucos do riso.

  9. outra coisa que me ia falhando, e que talvez o Pedro compreenda, se eu souber explicar, e tenha opiniao.

    Imaginemos a belgica com 10 milhoes de pessoas, e o brasil tambem com 10 milhoes de pessoas, neste caso dispersas por um territorio imenso, ou seja nao seriam apanhadas pelo virus. Isso altera a estatistica ?

    Vou insistir a ver se lá chego : imaginemos que a belgica tem 10 milhoes e o rio de janeiro tambem tem 10 milhoes, e que a belgica esta toda infetada, enquanto que no Brasil, so o rio de janeiro. Ou seja o rio de janeiro pode estar vezes mais infetado que a belgica, mas distribuido pela populaçao do brasil dá quase zero, nas estatisticas.

  10. O Pedro vai gostar/rir e os leitores tambem. Vejam :

    SAPO Tek
    Com as medidas de confinamento agravadas os memes voltam a inundar a Internet

  11. Interessante ver a vilipendiada Suécia ter menos óbitos e menos infectados por milhão de habitantes que os confinadores França e Itália.

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