
No próximo Domingo 15 de Novembro, eu e o meu marido comemoramos o que se convencionou chamar “Bodas de Esmeralda”: quarenta anos de um casamento feliz, estável, com os altos e baixos normais num relacionamento normal, com o exercício de paciência diário (eu sou signo Leão, ele é Sportinguista ferrenho, eu sou apartidária, ele é PS desde “pequenino”) tão necessário a uma boa e duradoura convivência.
Para trás ficaram as atribulações dos vinte anos, da vida a correr, dos sacrifícios, das crianças para cuidar em horários desencontrados, sufocantes e difíceis. Éramos dois putos com responsabilidades acrescidas, que as levaram sempre muito a sério e as puseram acima de tudo. Qualquer semelhança com os dias de hoje é pura ficção, dado que presentemente a noção de responsabilidade é esbatida e irreal, como se tem vindo a verificar de dia para dia.
Com a utopia dos planos a longo prazo presente, a comemoração pretendida foi sendo consecutivamente adiada, renovada, remodelada, enfim, destroçada, e ficou resumida a um passeio a dois de um só dia, no dia seguinte à efeméride, porque o Domingo é mais uma vez para confinar.
Fizemos um plano que tem Fátima como um dos locais de paragem. Porquê, perguntam-me, tu nem és lá muito católica! Porque sim. Porque me faz sentir bem. Porque me transmite serenidade . Porque sempre me fez chorar sem saber bem a razão. Porque faz bem chorar. Porque para chorar, não é necessário haver uma razão. Não precisamos de molhadas, podemos apenas pensar em paz e sentirmo-nos gratos pela quietude e levidade espiritual.
Está tudo na minha cabeça? É provável, mas também é um excelente indicativo de que a minha cabeça pode não funcionar assim tão mal.

Quando vou a Fátima é simplesmente para sentir isso que a cabeça da Senhora sente. Igualzinho.
Felicidades!
Obrigada! Igualme te para si.
… ou não assim tão bem.
Optimamente, Alexandre. Quando chegar à minha iade, há-de querer ter um disco rígido a funcionar como o meu, vai ver.
Bom FDS
Mas dia 15,não é suposto as pessoas ficarem em casa?
Muito obrigada por não ter lido a publicação 🙄🙄🙄
BFS em casa
Gostei muito de ler este seu postal.
Ir à Fátima porque sim é um óptimo motivo. Estive muitos anos sem lá ir. Há dois anos, numa viagem de trabalho com um irmão, ao passar na zona de Fátima demos por nós na autoestrada a pensar… e se? Concluímos que não conhecíamos a nova igreja e que esse era o excelente pretexto. E foi. No ano passado, voltei lá com a minha mãe e o meu companheiro. E como sempre comovi-me. Sinto-me sempre muito confortável em Fátima e não penso muito além disso. Nem creio que seja preciso.
É isso mesmo Isabel. Comove-me a fé. Porque se sente a sua emoção. Também me sinto muito confortável lá.
Obrigada pelos votos e BFS
Duas achegas:
Ir ‘a’ Fátima e não à (desculpe a gralha).
E obrigada por me introduzir à palavra levidade.
Parabéns, Maria Dulce! Quarenta anos é obra, e mesmo com a grande probabilidade de o casal, por essa altura, e como dizem por aí, já se ter transformado em “duas pessoas de família”, isso é, indiscutivelmente, uma grande vitória sobre as inúmeras pegadinhas da vida, sempre à espreita para nos porem à prova e uma admirável predisposição para viver e sonhar junto. Como dizia alguém, por certo inteligente, “sonho sonhado sozinho é sonho, sonho sonhado junto é realidade”!
Feliz celebração e felizes sonhos, juntos, por muitos anos!
Obrigada, Fátima. Vai ser mais um passeio a dois, no day after, como a Maria referiu e muito bem. Mais um de muitos. Podem não ter sido 40 passeios, mas andamos quase por lá. É importante termos tempo para nós. Sempre foi.
BFS.
Que o day after seja muito feliz e que se sinta muito bem por lá (e, vá lá, também pode chorar um bocadinho, why not? Waterproof rimmel, okay?
)
Beijinho e tudo de bom!
💐
Maria
Querida Maria, muito obrigada pelo excelente “day after” e pelos votos. Uma cas coisas “”boas” do uso da máscara e o descanso que se dá à pele. Sem makeup fico com um look olheirento e adoentado, mas quem é que repara. Eu reparo, mas com o atavio acabo por nem pensar nisso.
Beijinho e BFS
Eu que não sou nada católico, há uns anos desviei-me da autoestrada para ir ver o santuário de Fátima e também achei giro. É um terreno grande e liso. Pena que não me tenham deixado dar lá uns chutos na bola juntamente com o meu filho. Mas é agradável.
Mas só o santuário, claro. De resto, Fátima é um sítio de fugir. Hotéis e restaurantes horríveis.
E parece que muitos hindus também gostam de lá ir.
A parte comercial passa sempre ao lado. O futebol também deveria ter passsdo…
“Qualquer semelhança com os dias de hoje é pura ficção, dado que presentemente, a noção de responsabilidade é esbatida e irreal, como se tem vindo a verificar de dia para dia.”
Normalmente as pessoas fazem o que acham que está certo. Daí que quando alguém não segue exatamente o que nós fizemos, parece-nos que está a fazer mal. Mas há várias maneiras de fazer as coisas bem.
Parabéns pelos 40, não se torne velha a dizer que no meu tempo é que era bom.
É verdade que cada um deve viver como pode, mas a falta de responsabilidade e respeito por tudo e todos é de bradar aos céus, jo.
Obrigada pelos votos. Tive uma excelente infância e uma espectacular juventude. No meu tempo de adulta, depois dos 20 anos não foi muito bom. Foram tempos muito difíceis. Mas são os trabalhos e as dificuldades que nos ensinam a crescer – muitas vezes para os lados, como agora – e estarmos cá para contar como foi.
BFS
Crescer muito para os lados é muito mau para a covid-19.
Para a Covid não sei, mas para mim é uma chocolatice incontornável, mas quero lâ saber
Muitos Parabéns!
Conte muitos e bons anos de vida cheia de saúde.
E sem esquecer de ir fazendo os seus textos aqui no DO.
Felicidades!
Miguel Nunes
Viva Miguel, obrigada. Ler e escrever são, a seguir aos meus netos, a minha maior paixão, paixão essa que pretendo concretizar sempre que me for possìvel.
Gostava de poder comemorar 100 anos de casamento, mas não me parece que lá chegue
Boa tarde minha Senhora
Sem querer ser intrusivo, aceite os meus parabéns e, sobretudo, os votos sinceros de continuação de uma vida venturosa e com a melhor saúde possível adequada à idade. Eu sou católico pouco praticante, minha mulher é exemplar também neste domínio. Fátima é um local onde vamos frequentemente, estivemos lá há 3 semanas.
Amanhã, 14 Novembro, perfazemos 50 anos de casados, muito bem casados, dois filhos e 3 netos. Em Agosto passado planeámos este dia, e fizemos marcações para, a meio da manhã estar em Fátima e, depois de almoçar na tia Alice, seguir para uma quinta no Douro. A quinta teve de cancelar reservas, COVID “oblige”.
Circulação automóvel castrada, Costa “oblige” . Festejamos em casa.
É a vida.
António Cabral
Viva António! Grande chapelada para si e para a sua esposa. Isso sim, é uma efeméride com valor semi-secular .
Eu e o meu rapaz também iremos ficar em casa a Covidar. Grandes planos, grandes furos… tudo cancelado vezes sem conta. Faremos um ” day after” como diz a Maria, escapulindo–nos os dois… como antigamente, sempre que os meus pais tinham disponibilidade para as netas e saíamos para jantar e ir ao teatro e às vezes ao cinema.
Que tenham um aniversário fabuloso neste sufoco dos dias!!!
Parabéns, felicidades e tudo de bom lhe desejo. Li o seu texto e senti-me dentro dele, comovida, emocionada. Muitas vezes chorei em Fátima, sabendo porquê e sem saber porquê… é um “lugar especial” não tenho dúvidas.
Faço no dia 20 de novembro 66 anos de casada, bem casada. Com amor [o amor amigo],com diálogo, paciência, cumplicidade, cedências de parte a parte…Estamos numa fase de 2 velhinhos que se sentem bem um com o outro e se sentem mal por não poderem abraçar os seus mais queridos. Temos quatro filhos, 10 netos e um bisneto só conhecemos por foto [nasceu 29.10.2020]… enfim é a vida que temos agora. Festejaremos o dia 20 um com o outro e com todos os outros no coração.
Amei ler o seu texto. Um abraço ENORME.
Sessenta e seis anos é um record, Maria. Que o sol possa brilhar todos os dias com a luz da vossa felicidade!! Como eu entendo o “amor amigo” ! Não somos familiares ou peças de mobiliário, somos duas pessoas que se gostam tanto , mas tanto, que muitas vezes se recitam poemas com o olhar, porque as palavras se tornam desnecessárias.
Desejo-lhe e ao seu marido as maiores felicidades , muitos parabéns e que conte muitos mais com a saúde que tanto merecemos.
Um beijinho e bfs.
Bem haja pelas suas palavras bonitas e sensíveis,Maria Dulce.
Um abraço grande para si e seu marido. Que o amor, a paz e a saúde sejam o bem que merecem ! Não só no “dia 15”,mas em todos os dias da vossa vida.
Quarenta é um número muito respeitável.
Espero que contem muito mais.
Parabéns Dulce
Conto chegar aos 100, Paulo
Obrigada e BFS.
É o mínimo
Realmente… 120, or bust!!!
