Zangas de comadres.


Luís Menezes Leitão,

Não me espantou nada o apoio do PS a Rui Moreira na Câmara do Porto, uma vez que sempre me pareceu evidente que Rui Moreira estava a fazer no Porto uma gestão integralmente socialista. O que sempre estranhei foi que o CDS continuasse a apoiá-lo. Encarei por isso com muita naturalidade o facto de Ana Catarina Mendes dizer que a vitória de Rui Moreira no Porto será a vitória do PS. Isso é evidente para qualquer observador minimamente atento. Azeredo Lopes e Matos Fernandes, respectivamente chefe de gabinete do presidente da câmara do Porto e presidente das Águas do Porto na gestão de Rui Moreira, não são hoje ministros de António Costa?

 

Mas Rui Moreira, pelos vistos tem um ego do tamanho do mundo, pelo que acha que a vitória será exclusivamente sua e decidiu agora rejeitar o apoio do PS, embora estranhamente não tenha reclamado a restituição dos seus ministros a António Costa. Pelo caminho poderia igualmente rejeitar o apoio do CDS que nunca lhe fez falta alguma na gestão da Câmara.

 

Isto só demonstra que os partidos erram profundamente quando apoiam candidaturas pretensamente independentes. Se não têm nenhum militante para apresentar como candidato, mais vale irem pastar para outras paragens. E sinceramente um independente, que consegue simultaneamente receber o apoio do PS e do CDS é alguém que eu não quereria a gerir a minha cidade. Felizmente que não moro no Porto. Alguém nesta história andará seguramente enganado. Em qualquer caso os eleitores bem podiam ser poupados a estas zangas de comadres.

0 comentários em “Zangas de comadres.”

    1. Isso foi há mais de 30 anos. E na altura teve um sucesso brutal entre os militantes de ambos os partidos. Juntava-se a ala jacobina e revolucionária do PS com a ala saudosista e conservadora do CDS. Era um governo que funcionava muito bem, tanto assim que a experiência acabou rapidamente e nunca mais foi repetida.

  1. “Isto só demonstra que os partidos erram profundamente quando apoiam candidaturas pretensamente independentes.”

    Não, não erram. Permitem que candidatos, fora do sistema, e por isso com mais dificuldade de exposição venham para a gestão autárquica. E demonstra por parte dos partidos alguma maturidade democrática, em que o que conta é a qualidade da pessoa e não o militante.

    “Azeredo Lopes, chefe de gabinete do presidente da câmara do Porto”

    E antes de ministro, portuense, conhecedor da cidade.

    “E sinceramente um independente, que consegue simultaneamente receber o apoio do PS e do CDS”

    Vejo aí qualidade e independência

  2. Rui Moreira rejeita o apoio do PS porque sabe que os eleitores socialistas votaram nele.
    De maneira que essa rejeição que faz só pretende ser isso mesmo, um ego grande para tentar provar que não necessita da máquina partidária do PS.
    É caso para dizer: pode ser que se lixe.
    Uma coisa é gerir com independência, outra é julgar-se auto-suficiente. O orgulho paga-se caro.
    Quem tem um projecto para a cidade não pode rejeitar apoios e melindrar-se com afirmações inocentes.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *