Vivam! (Ou: exemplos de como leis bem-intencionadas nos protegem eficazmente da realidade)


escafandro,

Por questões de justiça e equidade, leis exigem progressões de carreira e aumentos salariais no sector público, independentemente da evolução da economia.

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A economia não cresce o suficiente e as receitas do Estado deixam de cobrir as despesas.

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O Estado aumenta impostos e taxas.

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A economia definha; empresas fecham e o desemprego aumenta.

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No limiar da bancarrota, o Estado corta salários aos seus funcionários.

 

Vivam as boas intenções.


Para proteger os mais fracos, leis proíbem o aumento de rendas e dificultam o despejo de inquilinos.

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Sem rentabilidade, os senhorios deixam de fazer obras nos prédios.

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Os prédios degradam-se.

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Os mais fracos vivem cada vez em piores condições.

 

Vivam as boas intenções.


Porque os direitos adquiridos devem ser intocáveis numa sociedade que se respeita, leis proíbem cortes nas pensões.

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Factores como o aumento do desemprego e da esperança média de vida desequilibram as contas do sistema de segurança social.

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O Estado sobe a idade da reforma e corta radicalmente nas pensões dos futuros beneficiários. 

 

Vivam as boas intenções.


 Sendo pouco todo o cuidado quando se trata dos direitos dos cidadãos, leis garantem mil e uma salvaguardas no sistema de Justiça.

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A complexidade torna-se gigantesca e a resolução dos processos demora eternidades.

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O sistema acaba dominado por quem tem dinheiro para contratar advogados que aprenderam a usá-lo a seu favor.

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O cidadão comum treme perante a hipótese de se ver envolvido num processo e desiste de tentar ver reconhecidos direitos que, em teoria, possui.

 

Vivam as boas intenções.


E por aí fora, da educação aos «estímulos» à economia. Nota final: que uma das leis em causa seja a Constituição só torna praticamente impossível efectuar correcções de trajecto.

3 comentários em “Vivam! (Ou: exemplos de como leis bem-intencionadas nos protegem eficazmente da realidade)”

  1. Subscrevendo: «E é aqui que entra a “teoria da conspiração”.

    A redução do trabalho disponível, sendo irreversível, atinge cada país (do bloco) desenvolvido de formas e timings diferentes. A verdade é que os nossos “salvadores”, os países do centro e norte europeu ainda têm industria para mais alguns anos, a salvo dos países emergentes. E já entenderam o erro que estavam a seguir no que se refere à mão de obra de baixo custo que estavam a absorver. A sua imigração tinha origem em países cultural e principalmente religiosamente muito distintos dos seus. A França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Finlândia, Suécia, Noruega, etc começam a sentir, “na pele”, esse erro.

    As mesquitas multiplicam-se, bem como outros efeitos colaterais…

    Os desequilíbrios culturais e religiosos internos começam a assumir proporções imprevistas no centro da Europa. E, rapidamente, esses países começam com o processo inverso: conter essa origem de imigração (repatriando, inclusive, o máximo possível) usada e abusada nos últimos decénios e abrindo uma nova porta de entrada, a novos imigrantes vindos de dentro da Europa… dos países do Sul (Portugal, Espanha, Grécia, … Itália).

    Para que esta nova política funcione, três coisas precisam – antes – de ficar garantidas:

    1)Que há muito desemprego nesses países.
    2)Que o trabalho que “fica” nesses países seja ainda menos bem pago do que actualmente (face ao que pagarão no centro e norte da Europa pelos empregos mais desprestigiados).
    3)Que os respetivos dirigentes sejam controláveis e que, por essa via, valorizem publicamente a emigração como alternativa à economia local, em depressão e ao estado de coisas (lamentáveis) que atingem esses países.

    O que pode justificar a política seguida. Quanto ao resto, cada um que conclua…

    Trabalho qualificado?
    Esse, só mesmo nos países emergentes. Pois o acesso a esse trabalho, os países “desenvolvidos” guardam para os seus…»
    http://notaslivres.blogspot.pt/2012/04/teoria-da-conspiracao.html

  2. Se fossem boas intenções quem as propõe estaria atento aos resultados.
    Na maior parte dos casos não são boas intenções, mas sim a estrutura de poder a ter de fazer alguma coisa para justificar a sua existência e para aumentar o seu poder.
    Como é evidente este edifício vai cair.
    Não se passa impunemente de 30% de Economia Política, para 40% , para 50% e mais.
    A que devemos adicionar inúmeros preços falsos por causa de impostos desiguais.
    Ou seja as distorções já devem estar a não muita distância das distorções de um país comunista.
    Os resultados serão semelhantes.

  3. Para proteger os consumidores permitimos que os bens possam ser comprados em qualquer parte do mundo.

    Os empresários mudam a produção para pontos onde o trabalho escravo é garantido por regimes autoritários.

    Como não é possível competir com esses preços a produção de bens industriais praticamente desaparece onde há regimes democráticos

    Não havendo produção de bens não há riqueza logo é preciso pedir emprestado para manter a economia

    Deixa de haver quem empreste e os consumidores só poderão sobreviver se sujeitarem às condições de trabalho existentes em países autoritários.

    Os consumidores foram tão bem protegidos que agora são escravos.

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