«É verdade que os hábitos de leitura de jornais e de consumo de informação em geral se alteraram – o lema parece ser cada vez mais escrever uns sound bites curtos e provocantes que caibam num post do Facebook – mas como leitora compulsiva de segundos, terceiros e quartos parágrafos exijo mais de um artigo jornalístico do que aquilo que já li online ou no take de uma agência. A fórmula de sucesso de publicações como por exemplo a Der Spiegel é a conjugação de notícias breves com dossiers temáticos muito aprofundados (chegam a mais de dez páginas) que dão ao leitor o necessário enquadramento. Outras publicações alemãs, por exemplo diários como o Frankfurter Allgemeine Zeitung ou semanários como o Die Zeit, também fazem felizmente a aposta numa informação aprofundada que se distinga claramente de meros tweets. E isso reflecte-se na qualidade da discussão pública.
Um exemplo? A actual crise na Guiné-Bissau tem sido melhor explicada – isto é, tem-se ido além da publicação dos comunicados do Comando Militar ou das declarações da União Africana e da CEDEAO – na imprensa alemã do que na portuguesa. Claro que para compreender a desagregação do estado guineense e as causas estruturais profundas da instabilidade é preciso recuar até Luís Cabral, cruzar tribalismo e etnicidade com tiques autoritários herdados do colonialismo português, e para isso são precisos muitos parágrafos (e toda uma bagagem histórica e sociológica, mas isso é outro tema).»
Da nossa leitora Helena Ferro de Gouveia. A propósito deste meu texto.


Bravos “post” e comentário
A imprensa portuguesa é muito má, mas é o expectável. O nível geral do país é muito baixo (e o politicamente correcto, vulgo eduquês, serve para garantir que se manterá tal como está ou ainda pior).
Esquecermo-nos disso apenas piorará as coisas.
Que não come do meu pão.
Sou caminho, do começo
Neste dia em recomeço
Estou preso e alimentado
À sociedade que conheço
Sou amor que o não tem
Subjuguei-me aqui e além
Pensando que estou certo
Onde é errado.
Mas que fiz eu?
Para construir este poema?
Mas que fiz eu?
Com esta revoltante poesia?
Mas que caminho poderei
Então tomar?
Mas que revolta
Poderei iniciar?
Só com palavras
Nada fiz com as minhas mãos
Nada posso construir, ou destruir
Estou farto…
Mas farto de palavras.
Agreguei amor, liberdade
E não sou livre
Fiz de mim farrapo
Tocha humana
Quem me quiser largar fogo
Que me largue
Que me destrua à vontade
Que me espezinhe
E me bote p´ra valeta
Quem quer comprar um poeta?
Que apenas construiu palavras
E nada fez.
Mas, estas mãos… continuam
Continuam escrevendo poemas
Para as pessoas lerem
Comodamente instaladas
Eu quero que a poesia
Seja distribuída
Em panfletos p´las ruas
Quem em cada corpo
Deslizante haja um poema
E que eu rasgue
As veias e introduza
No sangue a poesia
Só então poderei dizer
Bem hajam os poetas
SR MIGUEL PORTAS MERECIA MAIS, DO FILHO DE VICTOR SERRA UM HOMEM QUE O ADMIRAVA-O MUITO
DEIXO ESTE POEMA OBRIGADO MIGUEL