O comentário da semana


Pedro Correia,

«É verdade que os hábitos de leitura de jornais e de consumo de informação em geral se alteraram – o lema parece ser cada vez mais escrever uns sound bites curtos e provocantes que caibam num post do Facebook – mas como leitora compulsiva de segundos, terceiros e quartos parágrafos exijo mais de um artigo jornalístico do que aquilo que já li online ou no take de uma agência. A fórmula de sucesso de publicações como por exemplo a Der Spiegel é a conjugação de notícias breves com dossiers temáticos muito aprofundados (chegam a mais de dez páginas) que dão ao leitor o necessário enquadramento. Outras publicações alemãs, por exemplo diários como o Frankfurter Allgemeine Zeitung ou semanários como o Die Zeit, também fazem felizmente a aposta numa informação aprofundada que se distinga claramente de meros tweets. E isso reflecte-se na qualidade da discussão pública.

Um exemplo? A actual crise na Guiné-Bissau tem sido melhor explicada – isto é, tem-se ido além da publicação dos comunicados do Comando Militar ou das declarações da União Africana e da CEDEAO – na imprensa alemã do que na portuguesa. Claro que para compreender a desagregação do estado guineense e as causas estruturais profundas da instabilidade é preciso recuar até Luís Cabral, cruzar tribalismo e etnicidade com tiques autoritários herdados do colonialismo português, e para isso são precisos muitos parágrafos (e toda uma bagagem histórica e sociológica, mas isso é outro tema).»

 

Da nossa leitora Helena Ferro de Gouveia. A propósito deste meu texto.

2 comentários em “O comentário da semana”

  1. Bravos “post” e comentário
    A imprensa portuguesa é muito má, mas é o expectável. O nível geral do país é muito baixo (e o politicamente correcto, vulgo eduquês, serve para garantir que se manterá tal como está ou ainda pior).
    Esquecermo-nos disso apenas piorará as coisas.

  2. Que não come do meu pão.
    Sou caminho, do começo
    Neste dia em recomeço
    Estou preso e alimentado
    À sociedade que conheço
    Sou amor que o não tem
    Subjuguei-me aqui e além
    Pensando que estou certo
    Onde é errado.
    Mas que fiz eu?
    Para construir este poema?
    Mas que fiz eu?
    Com esta revoltante poesia?
    Mas que caminho poderei
    Então tomar?
    Mas que revolta
    Poderei iniciar?
    Só com palavras
    Nada fiz com as minhas mãos
    Nada posso construir, ou destruir
    Estou farto…
    Mas farto de palavras.
    Agreguei amor, liberdade
    E não sou livre
    Fiz de mim farrapo
    Tocha humana
    Quem me quiser largar fogo
    Que me largue
    Que me destrua à vontade
    Que me espezinhe
    E me bote p´ra valeta
    Quem quer comprar um poeta?
    Que apenas construiu palavras
    E nada fez.
    Mas, estas mãos… continuam
    Continuam escrevendo poemas
    Para as pessoas lerem
    Comodamente instaladas
    Eu quero que a poesia
    Seja distribuída
    Em panfletos p´las ruas
    Quem em cada corpo
    Deslizante haja um poema
    E que eu rasgue
    As veias e introduza
    No sangue a poesia
    Só então poderei dizer
    Bem hajam os poetas

    SR MIGUEL PORTAS MERECIA MAIS, DO FILHO DE VICTOR SERRA UM HOMEM QUE O ADMIRAVA-O MUITO
    DEIXO ESTE POEMA OBRIGADO MIGUEL

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *