Eleições francesas: Lalallande ou Ohlalallande?


Rui Rocha,

Numa eleição, a insuficiência de argumentos pode ser suprida pelo carisma dos candidatos. Mas nesta eleição defrontam-se Sarkozy e Hollande. Não têm ponta de carisma por onde um eleitor lhes possa pegar. Sarkozy tem defeitos. Hollande não tem qualidades. Sarkozy não agrada. Hollande não convence. Sarkozy não cumpriu as promessas que fez. Hollande faz promessas que não pode cumprir. Perante isto, Hollande vai vencer. As eleições ganham-se ao centro. Para sobreviver na 1ª volta, Sarkozy andou em ziguezague, mas encostado à direita. Em nome dos fins, perdeu o meio. Não o vai recuperar. Criou anticorpos onde Hollande recolhe indiferença. Os anticorpos são insuperáveis. A indiferença admite um voto de olhos fechados. A avaliação que o eleitor comum pode fazer sobre Hollande não é positiva. A que faz sobre Sarkozy é negativa. O voto do mal menor vai prevalecer. O melhor virá no dia seguinte. No momento em que Hollande for confrontado com as suas promessas. Ou tenta cumpri-las e desgraça a França, transformando-a na Lalallande, ou não as cumpre e desgraça-se, transformando-se a si próprio em Ohlalallande. De uma maneira ou de outra, o estado de graça do futuro Presidente de França dura exactamente até à noite de 6 de Maio. Sarkozy não merece tanto.

5 comentários em “Eleições francesas: Lalallande ou Ohlalallande?”

  1. Seria bom não esquecer que os Franceses têm o coração à esquerda mas a carteira à direita. E no momento de votar virá a pergunta : Se o Hollande ganha quem é que paga a “conta” ?
    manuel.m

  2. Os franceses como todos os outros não entendem que não se pode viver eternamente com défices por isso não vão mudar.
    Vão empobrecer. E empobrecer quem apostou neles.

    Ao invés, quem não apostou neles agora vai poder comprar barato.

    Uma boa parte dos Países europeus e os EUA poderão ser Argentinas …países que há 50 – 100 anos eram dos mais ricos do mundo e que devido ao populismo socialista ficarão a arrastar-se na mediocridade e na bancarrota a cada 3 décadas…

  3. Afirmar que é preciso parar os sacrifícios e desenvolver o país e de seguida aumentar os sacrifícios e arruinar o país.

    Tenho por experiência que vai aguentar-se pelo menos uns onze meses, se não mais.

    Os franceses não são estúpidos ao ponto de pensar que os políticos falam verdade.

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