Não tenho complexos em relação a Marinho Pinto. Sempre admirei a sua frontalidade e não sou “cristão novo”, nem mudei a minha opinião depois da cena lamentável da noite de sexta-feira. No dia em que foi eleito bastonário, previ-lhe o destino aqui. E confirmei-o aqui, quando começou o desfile das virgens ofendidas. Como o algodão, certas pessoas não enganam…
Os portugueses detestam as pessoas frontais e capazes de dizer a verdade, enfrentando os interesses corporativos. Nem o facto de hoje o “Público” revelar que só em 2008 foi condenado um advogado por dia, por “má conduta profissional”, calará certos barões, incomodados com a verdade. Falhas deontológicas, abuso de confiança, abandono de clientes e faltas a julgamentos não podem ser desvalorizadas, com a alegação de que se trata de casos isolados.
A conduta pouco edificante de alguns advogados, que Marinho Pinto referiu, posso confirmar através de um caso ocorrido comigo.
Corriam os anos 80 e eu não vivia em Portugal. Precisei de recorrer aos serviços de um advogado, para que me representasse em tribunal num acto meramente formal. Pessoa amiga recomendou-me um nome. Contactei-o, expliquei-lhe o que pretendia e disse quem me recomendara. Não me esqueci de lhe perguntar quais seriam os honorários. Sossegou-me, dizendo que cobraria apenas as deslocações e o tempo perdido, atendendo a que fora recomendado por uma amiga comum. O caso resolveu-se com duas idas a tribunal que lhe terão ocupado, no máximo, duas tardes.
Resolvido o assunto, telefonei a agradecer e pedi que me enviasse a nota dos seus honorários. Quando, um dia, ao chegar a casa abro a carta do advogado, com os honorários, ia tendo um ataque cardíaco: 325 contos (moeda da época)! Telefonei à minha amiga e ela explicou-me que era normal alguns advogados cobrarem à percentagem, mas aconselhou-me a participar à Ordem dos Advogados, caso pudesse comprovar essa prática. Fiz as contas e lá estava. Cinco por cento do valor envolvido. Redondinhos!
Participei à Ordem dos Advogados. A única resposta que recebi pedia-me para enviar comprovativo do acordo de honorários que estabelecera com o advogado. Fiquei esclarecido e, mais do que nunca, com a certeza que tinha andado a perder tempo na Faculdade de Direito. Ainda enviei uma cópia da carta do advogado e o valor em causa, mas resposta "nickles".
Pessoalmente, se fosse advogado, ficaria satisfeito se a Ordem denunciasse as ervas daninhas que denigrem a profissão. Infelizmente, parece que não é essa a opinião dos advogados a que a TVI e outra comunicação social dá voz. Seria interessante saber as razões que levam a TVI (ou a ex-advogada MMG?) a fazer campanha contra Marinho Pinto. Por mim, ficaria satisfeito se viessem mais 5 Marinhos Pinto. Não aprecio heróis Gosto mais de gente corajosa, do que de cúmplices… O corporativismo mental é um dos cancros da nossa democracia.

Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá
Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dàquém e Dàlém Mar
Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D’embalar a trouxa
E zarpar
A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei
A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr’ós filhos da mãe
Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D’embalar a trouxa
E zarpar
Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei
Grande Zeca!
Texto verdadeiramente lamentável.
Como é possível?
Não é exigível um mínimo de responsabilidade a quem escreve num blogue colectivo?
Para si a verdade é lamentável? Olhe, lamento!
“O que é a verdade?” (Pilatos)
Não sou advogada. Só agora vi o duela MMG-MP, graças à gentileza do senhor do Público (via Twitter). Não poderemos fazer um abaixo-assinado a favor deste bastonário?
A favor?
Chiça!
“Pessoalmente, se fosse advogado, ficaria satisfeito se a Ordem denunciasse as ervas daninhas que denigrem a profissão.”
eu tambem!! ainda estou à espera…ao que parece ele tem conhecimento de muitas situações, mas, mas fica-se pelas generalizações, pois não é bufo…
lança lama para cima de todos os que não partilham a sua forma de condução da Ordem, em suma, um Ditadorzinho, cuja sua “Verdade” é Lei… e todos os que são contra, como é obvio, são uns fora da Lei… DEMOCRACIA COIMBRÃ muito proxima da DEMOCRACIA XAVISTA
5% nos anos 80?! Nem imaginas a sorte que tiveste. O meu cobrou 10% e nem recibo queria passar. Era associado de um muito mediático que anda pelo Reino Unido.
Pois é maloud, afinal o tipo sempre fez um jeitinho de amigo…
Estas coisas, no entanto, perturbam algumas virgens ofendidas que acham que sendo essa uma prática perfeitamente normal, não deve ser denunciada.
O Bastonário deve é estar caladinho e fazer de fantoche, porque a função dele não é pôr ordem na Ordem, nem dignificar a profissão. É dizer amen!
Esqueci-me de falar dos recibos, é verdade! Com recibo é X, sem recibo é Y.
Vale também para médicos claro, e para o electricista e o carpinteiro que cá vêm a casa fazer uns biscates. Tudo dentro da normalidade, portanto…
Populismo ao serviço do regime Socrático, é disto que o líder precisa para se afirmar junto das massas ignorantes. Nunca o regime esteve tão boçal e a culpa não é só de quem o pratica, mas também daqueles que o suportam. Marinho Pinto faz-me lembrar os cachorros de Pavlov, resta saber que recompensa lhe estará destinada…
Mais 10, mais 15…. venham eles e acabem com os barões do “xupismo”
É absolutamente lamentável que se tomem posições, a favor de A ou de B. O que assistimos naquele telejornal foi um momento de pura estupidez. Ponto. Ninguém tem razão, nem moralidade para apoiar quer Manuela Moura Guedes, quer o advogado Marinho Pinto. Mas é certo que muitos aproveitam a aportunidade para politizar a questão: de um lado um dos actuais inimigos primeiros do Primeiro-Ministro, do outro um pró-Governo, defensor acérrimo das políticas socialistas & amigos. Mas o que se passou não foi um circo, foi muito mais do que isso. A política, em Portugal, quando passa a ser gerida pelo jornalismo transforma-se na Tomatina.
A mim, o caso em apreço só tem dois pormenores que me incomodam:
– Manuela Moura Guedes, que só se representa a ela mesma (quiçá à própria TVI) e que criou um jornalismo-opinativo de mau gosto e total descrédito, agravado por servir guerras pessoais;
– Marinho e Pinto, que representa os advogados como bastonário, desbocado e incontido, além de incapaz de permanecer no patamar devido para descer ao mercado ou à lota.
Mas, como disse, são apenas dois pormenores.
Para lá do caso, o que me irrita profundamente é ter de reconhecer que Santana Lopes está fora deste retrato deplorável do País e possui elevação suficiente para, maltratado em casa alheia, pegar no chapéu e sair.
No meio de tanta frontalidade e de tanto levantamento de questões sem dúvida pertinentes, eu tenho uma dúvida: pode um advogado cobrar , no final de um processo de herança, 10% do valor da mesma, apesar de no início apenas me ter informado do seu preço por hora e por quilómetro , no caso de deslocação? A quem devo recorrer? E quanto tempo, em média, demora um parecer da Ordem dos Advogados? E como posso ter uma ideia dos valores médios que se praticam, para poder comparar? Das consultas que faço, apenas vejo considerações muito gerais, parece-me que é uma profissão completamente desregulada em relação a honorários. Alguém me pode ajudar??? Obrigada.