Europeias (28)


Pedro Correia,

 

DIZ-ME COM QUEM ANDAS…

 

José Sócrates e Rodríguez Zapatero, os dois socialistas que mais se têm distinguido no apoio à recondução do conservador Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia, partilharam hoje dois palcos. O líder socialista português não podia estar pior acompanhado neste arranque efectivo da campanha eleitoral do seu partido para as europeias: a Espanha de Zapatero, com o seu cortejo de quatro milhões de desempregados, é um modelo perfeito de um estado à deriva na actual crise económica internacional. Desde que há registos estatísticos regulares em Madrid, nunca os indicadores macro-económicos foram tão globalmente negativos como agora, tornando ridículas as promessas de pleno emprego feitas por Zapatero na campanha de 2004, que deu origem ao seu consulado, e reiteradas várias vezes de então para cá. Sem fundamento, como se viu.

Há uns tempos, Sócrates costumava acautelar-se um pouco melhor com as companhias, ciente certamente daquele ditado que emana da sabedoria milenar do nosso povo: "Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és."

 

ADENDA (às 22.13): Acabo de ver agora, só agora, as imagens dos dois comícios, em Portugal e Espanha. Em Coimbra, o convidado Zapatero fala em castelhano. Em Valência, o convidado Sócrates fala… em portunhol. Um sinal inequívoco do provincianismo português, que me deixa francamente envergonhado.

6 comentários em “Europeias (28)”

  1. Pensei que Sócrates é que era péssima companhia a Zapatero, concedendo no nínimo, caro Pedro, serem ambos péssimas companhias recíprocas.

    Porque se um é péssimo com os piores resultados de sempre nos números da economia, o outro é o pior de sempre em trapalhada pura, rabos de palha e mesmo nos mesmos números da economia porque o impacto do desemprego em Portugal é ainda mais devastador já que não temos o mesmo suporte social de dignidade e nível de vida proporcionado pela Segurança Social espanhola. Bem pelo contrário. Há relatos de perfeita discricionaridade e atitudes casuísticas por esse País, como se as pessoas concretas fossem fardos que infectam de fealdade as Estatísticas Desejadas.

    Se um desempregado médio em Portugal tem de fazer face às suas necessidades mínimas, pessoais e familiares, com pouco mais de 300 euros, pouco mais há a dizer sobre a diferença de impacto dos 17% espanhóis e os muito maquilhados 9 ou 10% portugueses.

    Sempre a considerá-lo, caríssimo Pedro,

    joshua

  2. Mais do que simples provincianismo – pura subserviência.
    Este cretinóide envergonha-nos a todos, enquanto povo.

    1. Tocaste no ponto exacto: este primeiro-ministro faz-se pequeno junto dos grandes e grande junto dos pequenos. E os que gravitam em torno dele procedem da mesma forma. Isto define um estilo. Ou a falta dele.

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