Everybody Down, de Kate Tempest.
Não sou o maior fã mundial do hip-hop, em grande medida porque a raiva e contestação que costumam conferir-lhe sentido tendem a esgotar-se ou a parecer artificiais assim que os projectos obtêm sucesso. Este álbum de Kate Tempest agradou-me por constituir não uma série de queixas ou acusações provindas de quem nasceu (ou quer parecer ter nascido) em ambiente económico difícil mas um conjunto de mini-histórias bem delineadas, assentes em letras inteligentes que procuram muito mais a evocação do que o efeito fácil. No fundo, é tanto um álbum de música como uma obra literária, facto compreensível quando Tempest também se dedica a escrever poesia (ganhou o prémio Ted Hughes com o poema narrativo Brand New Ancients, que costuma apresentar em espectáculos ao vivo) e peças de teatro. Nesse sentido, perde bastante se ouvido como música de fundo ou enquanto se faz qualquer outra coisa – incluindo ler posts do Delito.
