O Presidente pede aos portugueses para “porem de lado as divisões”. Isto a poucas semanas da discussão do Orçamento de Estado na Assembleia da República. Uma vez mais, como sucedeu em todos os momentos cruciais do seu mandato, Cavaco Silva presta-se a facilitar a tarefa do Governo, dando uma espécie de orientação de voto ao PSD. Não é por acaso que esta declaração de Cavaco surge logo após outra de José Sócrates que, apelando igualmente ao espírito “unitário”, declarou: “Espero que ninguém pretenda irresponsavelmente fazer do debate orçamental o pretexto para abrir uma crise política, que teria consequências profundamente negativas para o interesse nacional” .
O País precisa de “coesão e união de esforços”, diz Cavaco. A conjuntura actual “não está para brincadeiras”, diz o chefe do Governo. Na mesma toada de união. Nacional.
Que Sócrates diga isto, entende-se. Mas ao Presidente, suposto árbitro do sistema, apetece perguntar como é que – em democracia – será possível “pôr de lado as divisões”. Vamos passar a pensar todos da mesma maneira? Para que há-de existir uma oposição a qualquer governo se o ideal, como preconiza Cavaco para levar a água ao moinho de Sócrates, é não haver “divisões”? Se não houver “divisões” sobre o Orçamento de Estado – principal instrumento da acção governativas – haverá “divisões” a propósito de quê? E para que havemos até de nos dar ao incómodo de votar numa eleição presidencial se com isso estaríamos a caucionar a “divisão” entre candidatos?


Haja paciência…
Neste mundo de aparências
e falsas estabilidades,
germinam tantas deferências
lotadas de boçalidades.
Por um caminho espinhoso
tão duro como decadente,
este regime vergonhoso
é totalmente imprudente…
(atenção: quadra mais…)
Sem cuidado de disfarçar
tamanha escarradeira,
o que faltará destrançar
no meio da chafurdeira?!
Não há como o (des)governo para estimular as rimas populares em tom satírico…
Para isso, mais vale acabarmos com esta história dos partidos. Sempre torna as coisas mais transparentes e mais baratas. Que desilusão, este Presidente.
Pois, João. Isto de haver partidos é uma profunda maçada.
Em vez de debitar inanidades sobre inanidades, mais valia a Cavaco estar calado e não aparecer em público até às eleições.
De outro modo, ainda se arrisca a oferecer-nos o Alegre como seu sucessor…
Como é sabido, uma desgraça nunca vem só.
Já nem sei que seria melhor… se um poeta, se um economista resignado.
ao senhor presidente, um pano encharcado na cara ou,nas palavras de saudoso amigo, “açorda e uma lamira na tromba ! “…