União nacional


Pedro Correia,

 

O Presidente pede aos portugueses para “porem de lado as divisões”. Isto a poucas semanas da discussão do Orçamento de Estado na Assembleia da República. Uma vez mais, como sucedeu em todos os momentos cruciais do seu mandato, Cavaco Silva presta-se a facilitar a tarefa do Governo, dando uma espécie de orientação de voto ao PSD. Não é por acaso que esta declaração de Cavaco surge logo após outra de José Sócrates que, apelando igualmente ao espírito “unitário”, declarou: “Espero que ninguém pretenda irresponsavelmente fazer do debate orçamental o pretexto para abrir uma crise política, que teria consequências profundamente negativas para o interesse nacional” .

O País precisa de “coesão e união de esforços”, diz Cavaco. A conjuntura actual “não está para brincadeiras”, diz o chefe do Governo. Na mesma toada de união. Nacional.

Que Sócrates diga isto, entende-se. Mas ao Presidente, suposto árbitro do sistema, apetece perguntar como é que – em democracia – será possível “pôr de lado as divisões”. Vamos passar a pensar todos da mesma maneira? Para que há-de existir uma oposição a qualquer governo se o ideal, como preconiza Cavaco para levar a água ao moinho de Sócrates, é não haver “divisões”? Se não houver “divisões” sobre o Orçamento de Estado – principal instrumento da acção governativas – haverá “divisões” a propósito de quê? E para que havemos até de nos dar ao incómodo de votar numa eleição presidencial se com isso estaríamos a caucionar a “divisão” entre candidatos?

7 comentários em “União nacional”

  1. Haja paciência…

    Neste mundo de aparências
    e falsas estabilidades,
    germinam tantas deferências
    lotadas de boçalidades.

    Por um caminho espinhoso
    tão duro como decadente,
    este regime vergonhoso
    é totalmente imprudente…

    (atenção: quadra mais…)

    Sem cuidado de disfarçar
    tamanha escarradeira,
    o que faltará destrançar
    no meio da chafurdeira?!

  2. Em vez de debitar inanidades sobre inanidades, mais valia a Cavaco estar calado e não aparecer em público até às eleições.
    De outro modo, ainda se arrisca a oferecer-nos o Alegre como seu sucessor…
    Como é sabido, uma desgraça nunca vem só.

  3. ao senhor presidente, um pano encharcado na cara ou,nas palavras de saudoso amigo, “açorda e uma lamira na tromba ! “…

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