
De facto, o que a União Europeia neste momento realmente precisava era de um embargo petrolífero ao Irão. No mesmo dia em que Christine Lagarde avisa a União Europeia para ter cuidado, pois a crise do euro pode significar uma nova Grande Depressão, nada melhor para apimentar ainda mais a coisa que criar um novo choque petrolífero, fazendo o preço dos combustíveis disparar ainda mais. E como a Espanha e a Itália estão em risco de precisar de uma ajuda externa que ninguém lhes pode dar, não há melhor que retirar-lhes desde já o acesso ao seu tradicional fornecedor de petróleo, forçando-as a procurar alternativas seguramente mais caras. Não sei quem foi o autor da ideia, mas ela merece desde já o prémio do disparate do ano ou, se calhar, do século.

Excelente post! Vou transcrever no meu blogue.
Aquilo é um blogue?
Mas era já só o que nos faltava…
A fórmula é igual à do Iraque…
– Embargo
– Problemas sociais no Irão
– Tentativa de golpe
– Se não resultar, invasão
O grande problema vão ser a relação com o Uzbquistão porque, se houverem problemas cerca de 30 M deles, que vivem no Irão, irão “bazar” tentar fixar-se no Uzbquistão… Ora este país não tem condições de “receber” tanta gente.
Por isso o problema da diminuição da produção vão ser efectivamente dois… A perda da produção do Irão e do Uzbquistão.
O único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra é o homem.
Luís é tão bom este post que não resisti e publiquei no meu blogspot com indicação, claro, de autoria e domínio.
Quando levantamos um muro, é sempre boa ideia perceber se este impede que os outros entrem na nossa casa ou a nós de sair dela. E reflectir sobre o que é pior… Excelente, Luís.
Caro Luís,
Sobre a crise do euro, publiquei recentemente este post http://oourico.blogs.sapo.pt/49986.h tml
onde explico o que está em causa na Europa e especulo o que provavelmente isto afectará o mundo.
Não creio que a solução passe por embargos a petróleo mas talvez pela criação de bancos coorperativos como o JAK banks. Esta foi a solução encontrada por Dinamarca e mais tarde Suécia para fazer face à grande depressão: deo/jak-bank-o-banco-que-n-o-cobra-juros
http://permaculturaportugal.ning.com/vi
Será que a legislação actual em Pt. permitiria que um grupo de cidadãos criasse um banco coorperativo?
Uma coisa é certa: para prémio do disparate do ano (ou do século!), este post está muito bem encaminhado.
Como é, de facto, possível que ninguém (a não ser o autor do post) tenha visto os prejuízos que advêm de um embargo petrolífero ao Irão?! Como é que espanhois e italianos são saíram ainda à rua em massa para repudiar tais pressões inqualificáveis?! Realmente…
Não, o meu amigo é que está certo. Não vai haver prejuízos nenhuns de um embargo petrolífero. O petróleo está muito barato, há poucos países a procurar petróleo e a Europa pode bem aguentar algum aumento do preço. E se não há multidões na rua é porque a decisão está certa. Realmente…
O meu amigo faz a figura daquelas pessoas que pensam que as gripes se apanham à conta das correntes de ar. Confundem causalidades com condicionantes.
A alta do preço do petróleo não se deve a embargos, mas sim ao que está por detrás disso: a prossecução do programa nuclear por parte do Irão e a perturbação que tal gera na região. Essa é a causa. Esse é o problema a ser resolvido.
Que espanhois e italianos (e brevemente japoneses e coreanos) sejam forçados a procurar alternativas, também é uma questão de perspectiva. Faz lembrar a da raposa que desdenhava das uvas por não chegar a elas. Na aparência, estão a ser forçados a aderir ao boicote; na prática, foram informados de que já não falta muito para o petróleo iraniano deixar de correr nos pipelines. Dir-se-ia que estão a ser forçados na mesma; mas forçados a encarar o problema de frente e a prepararem-se para o que aí vem.
Vem aí outro choque petrolífero? Em princípio, não. Precisamente porque a economia ocidental está como está, e a procura tem desacelerado; e porque os EUA têm controlo sobre várias das torneiras, a começar pela Arábia Saudita. É claro que nos espera (mais) algum sofrimento nas carteiras; mas vamos ter de aguentar.
As incertezas sobre a forma como se vai travar esta guerra são mais que muitas; e ainda mais sobre o seu desfecho. Mas uma coisa é certa: daqui a coisa já não passa. Precisamente essas incertezas levaram a que não se agisse até agora, e se tentassem todas as outras soluções. Nada resultou.
Agora, os dados estão lançados: a “primavera árabe” cumpriu a sua função, destabilizando os potenciais aliados do Irão (só este conseguiu resistir aos “ventos democráticos”); as forças militares ocidentais foram quase todas desmobilizadas dos palcos de guerra anteriores; os paióis americanos estão repletos; as eleições americanas estão a entrar em ponto de caramelo (sempre a “happy hour” dos lobbies da indústria militar); e os habituais clientes do petróleo iraniano estão a ultimar a transferência de fornecedor.
Comece a festa.
Psst! o petróleo é fungível.
É que claro que este facto também demonstra a pouca eficácia da medida.
Quanto ao resto a guerra é inevitável.
O petróleo é fungível mas é escasso e há uma forte pressão para aumentar o preço, o que seguramente um embargo causará. Aumentar o preço dos combustíveis significa agravar a recessão. Quanto ao facto de a guerra ser inevitável, tendo a concordar consigo, mas é essencialmente devido aos disparates dos governantes. O que é que se conseguiu com a guerra no Iraque? Multiplique por 100 e terá os resultados de uma guerra com o Irão.
De facto, é bem mais sensato deixar uns quantos radicais com fornecimento facilitado em armas nucleares, a russia e a china não chega, há que apimentar as coisas! (E até me enjoa falar da coreia do norte)
Devias ir para política pah, com certeza ganharias o Nobel do disparate!
O Nobel do disparate atribuo-o a si. Tem ideia quais são as consequências de um ataque ao Irão? Nesta época de recessão, é mesmo daquilo que estamos a precisar. Para decisão sensata não está mal.
Genial, indeed. Uma repetição do Iraque? Ler e ouvir a propósito Seymour Hersh:
http://www.democracynow.org/2011/11/21/s eymour_hersh_propaganda_used_ahead_of
http://www.newyorker.com/online/blogs/co mment/2011/11/iran-and-the-iaea.html