Um penoso fim de mandato


Pedro Correia,

 

Mais do mesmo. José Sócrates apresenta-se aos portugueses, no início do debate orçamental, como se aterrasse de Marte e não tivesse a mínima responsabilidade por seis anos de descalabro das contas públicas.

O primeiro-ministro que aumentou o montante do abono de família e agora o retira, que defendeu no debate televisivo contra Francisco Louçã as deduções à colecta antes de praticamente acabar com elas, que aumentou a comparticipação dos medicamentos para os mais idosos antes de voltar com a palavra atrás, que anunciou o cheque-bebé e se esqueceu dele ainda antes de o lançar, que passou uma legislatura a propagandear grandes empreendimentos que não passaram do papel, que anunciou o aumento do salário mínimo e agora o congela, que aumentou os salários da função pública e agora os reduz, que baixou o IVA e agora o aumenta, fala com a arrogância de sempre de um país que só existe na sua cabeça.

Daqui a alguns meses abandonará o poder deixando Portugal em recessão económica, um monstruoso défice orçamental, uma monumental dívida externa, o maior índice de desemprego de que há memória, um recorde absoluto de carga fiscal, chocantes desigualdades sociais e o desmantelamento efectivo do estado social que jurava defender.

A culpa da crise – diz o ainda primeiro-ministro, com a desfaçatez de um bombeiro pirómano – é da “turbulência” dos mercados internacionais. É da oposição, de esquerda e de direita. Será do buraco de ozono. De tudo e de todos. Menos dele.

Nem uma palavra de desculpa, como aliás se previa. Já se percebeu: será um penoso fim de mandato. Não para este primeiro-ministro incapaz de ver a realidade, mas para os portugueses que sofrem os efeitos da sua inaceitável incompetência.

 

Imagem: José Sócrates com Gordon Brown

20 comentários em “Um penoso fim de mandato”

  1. Somos governados pelo Duo da Bancarrota, uma boys band (a Fernanda Câncio que se acalme com a igualdade de género que também se arranjam good jobs for girls) que é a versão doméstica dos Guns & Roses. Guns por parte do assalto fiscal e Roses por parte da ilusão de estado social. Um tipo ouve o José e o Fernando a sacarem (sem segundos sentidos, ok!) os primeiros acordes do Knocking on FMI´s Door e até se arrepia. E eles não ficam por aqui. Numa evocação sentimental de um conjunto recente de medidas fracturantes em matéria de Abandono de Família (Sweet Child O´Mine!!!), oferecem-nos uma versão bem esgalhada do November Pain. Por mais um tempo, o palco ainda é deles. Vá lá, atendendo à crise, será mais uma coisa tipo estrado. O verdadeiro Estrado Social. A artistas com esta dimensão não se peça humildade, realismo ou contenção. Não tenho dúvidas. Se ninguém os impedir, eles só vão parar quando o vocalista partir a guitarra eléctrica nas nossas cabeças.

    1. Exactamente, Rui. O duo da Bancarrota continua com uma actuação digna do nome. Estradas com custos para o utilizador, comboio de nula velocidade, abandono de família, estrado social (para os amigos e compinchas), cheques carecas para bebés…

  2. José Sócrates não sabe governar e não tem culpa! Os culpados somos nós, que somos crédulos, basta alguém prometer que vai haver melhoras no País, que os portugueses vão passar a viver melhor e aí estamos nós a acreditar e a votar em pessoas que ao longo do tempo revelam que não passaram de oportunistas e aldrabões sem escrúpulos. Somos ingénuos. Antes de Abril de 74, porque não podíamos falar, não podíamos contestar livremente. Depois de Abril de 74, podemos falar, podemos contestar…….e isso leva-nos onde? A uma vivência pior que antes de Abril de 74. Nós que nem uma revolução sabemos fazer, nós que não aproveitámos nada, deixamos que se aproveitassem da nossa ingenuidade. Não merecemos estes governantes. E o desgosto que vou sentindo é que Sócrates vai aldrabando convencido que está a falar verdade e nós já vamos acreditando no que ele diz. Que triste está a ficar este País que é MEU!!!!

  3. Excelente texto, que devia ser distribuído por todo o País, a começar nas escolas de qualquer dos graus de ensino.
    O mal absoluto que o irresponsável PM que temos está a provocar a Portugal atingirá várias gerações. Importa, portanto, não deixar que lhe seja esquecido o nome.

  4. Obviamente, só posso subscrever o que escreveu… e só me admiro deste sentimento/constatação não estar presente em cerca de 25% ou mais portugueses… Noto, também, que se “esqueceu” de colocar, nem que fosse em passant, qualquer coisa como “com o patrocínio do Palácio de Belém”…

  5. Sou um fã dos vendedores de”banha de cobra”.. Paro em todas as feiras onde os ouço impingir o produto…
    A Assembleia da Republica.. é uma delas “prima inter pares”… É maravilhoso ver e ouvir o inigualavel feirante:

    -…” Sr presidente… srs deputados… eu não “tou” aqui para enganar ninguem tenho o curso

    de “inginheiro” não precisava desta vida pr’a nada… estou aqui pr’a bem do país e da Europa!!!

    — Aldrabão…
    Cale-se ó colega….!

    Não vale a pena caracteriza-lo de outra forma!

  6. Este post é faccioso e pouco honesto, porquanto a seguir a Cavaco Silva, José Sócrates foi o melhor primeiro-ministro que tivemos a integrar um executivo governamental, sem deixar de realçar que CS governou em tempo de “vacas gordas”.
    Os rácios mostrados pelas estatisticas não surpreendem num país tecnicamente falido, com um tecido empresarial perfeitamente desactualizado onde impera (ava) a ganância do lucro fácil, em parte fruto das más práticas resultantes das políticas laborais. A falência das empresas actualmente em catadupa contribuindo para o aumento substancial da taxa de desemprego significa que a maior parte delas já sobreviviam a balões de soro há muito tempo, sustentadas pelos financiamentos bancários – concedidos sem critério e/ou objecto de análises subjectivas, pouco fundamentadas, enfim, onde imperava a política do “amiguismo” – a par com o acumular das dívidas ao fisco e à segurança social.
    JS não é o protagonista deste “quadro infeccioso”, do aumento da dívida, do défice orçamental. Tem tentado governar recorrendo à prática do ”tapa buracos”, mesmo assim implementando medidas destinadas ao controlo da despesa, como seja a introdução dos genéricos, as reformas no ensino e na saúde. Mas como ele provem de um partido de esquerda não conseguiu ir mais além, refiro-me concretamente à redução das empresas subsidiadas pelo Estado, tais como fundações, institutos disto e daquilo. Esperemos então por Passos Coelho para, assim, dar início a essa grande obra…

    1. Você parece ter desembarcado agora de Sirius, na mesma nave espacial que trouxe Sócrates. Gordon Brown recebeu ordem de despejo dos eleitores britânicos em metade do tempo de governo que Sócrates já leva. Só a anacrónica Constituição que temos impede os eleitores portugueses de despejarem agora este PM que há seis anos vem desgovernando Portugal.

    2. Cara Fernanda,
      Lembro apenas que JS teve condições absolutamente únicas para governar e para inverter a lógica do “quadro infeccioso” de que fala… Maioria absoluta no Parlamento (1ª na história do PS), um Presidente cooperante (talvez em demasia), a confiança de um país, o discurso de ruptura (sempre inconsequente), a capacidadede ir buscar os melhores à sociedade civil para servir o país (até o Governo de Santana conseguiu um elenco mais prestigiante) e uma máquina comunicacional fabulosa (quer por si só explica porque motivo ainda lá está)…
      Portanto, não me diga, num tom de resignação, que só se podia limitar a “tapar buracos”… Como é que se pode dizer que ele governou em periodo de vacas magras quando prometeu este mundo e o outro nas eleições? Então não era tudo rosas?

      1. Infelizmente a governação não é uma “ciência” exacta e a situação real do país há 6 anos não era a mesma do que é hoje: era menos má.
        A cooperação de CS traduz-se na confiança que JS lhe inspira – não o PS, mas JS -. O PSD sabe que só consegue chegar ao poder quando JS tiver cumprido os seus dois mandatos. Portanto, aguardemos com serenidade…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *