O plano que Ian Fleming revelou a JFK para derrubar Fidel Castro
Como pretexto para rever o fabuloso filme From Russia With Love (1963), considerado por muitos como a mais fascinante aventura de James Bond ao serviço de Sua Majestade, o autor destas linhas viu um documentário no qual ficou a saber que o romance homónimo de Ian Fleming – de 1957, e que inspirou o segundo filme da saga 007 – estava na lista dos dez livros favoritos do falecido Presidente John F. Kennedy.
Um artigo publicado na revista Life de 17 de Março de 1961 fazia esta revelação, o que fez aumentar significativamente as vendas daquele livro, antevendo o sucesso estrondoso que o filme viria a ter dois anos mais tarde.
No Ian Fleming and James Bond: The Cultural Politics of 007, um conjunto de ensaios publicados em 2005 pela Indiana University Press, percebem-se as razões que despertaram o interesse de JFK pelo livro From Russia With Love. De acordo com o professor universitário Skip Willman, que assina o capítulo The Kennedys, Fleming and Cuba, tanto John como o seu irmão Robert “partilhavam um fascínio especial por operações secretas e histórias de espiões”.
Um interesse cultivado desde a sua infância, mas reforçado com as obras de Fleming. Para John era particularmente interessante observar a linha que separava a vida real de Ian e o mundo de fantasia que recriava nos seus livros. O falecido Presidente reconhecia-lhe uma inteligência e imaginação fora do comum.
JFK, na altura senador do Massachusetts, chegou a conhecer Fleming pessoalmente num jantar dado na sua casa de Georgetown a 13 de Março de 1960, um encontro possível através de uma amiga comum.
Conta Skip Willman que a noite foi memorável e que JKF terá desafiado Fleming a imaginar formas para derrubar Fidel Castro, na altura praticamente um recém-chegado ao poder.
Respondendo ao repto de John, Fleming disse que recorreria à lógica do “ridículo” para forçar Castro a abandonar o poder. Partindo do pressuposto que os cubanos só se interessavam por dinheiro, religião e sexo, Ian lançaria sobre Cuba notas falsas de dólares para desestabilizar a moeda cubana e panfletos a dizer que o seu líder era impotente, como forma de o fragilizar junto dos seus concidadãos.
Apesar de existirem outras versões quanto aos contornos deste jantar, o facto é que John Bross, responsável da CIA que estava presente naquela noite, terá levado aquilo a sério e informado o próprio director da Agência, Alan Dulles, sobre o conteúdo das propostas de Fleming.
Mas, como mais tarde se veio a saber, as ideias de Fleming não seriam assim tão disparatadas à luz daquilo que a CIA já andava a orquestrar para tentar derrubar Castro. Jogos psicológicos, complots e planos mirabolantes já faziam parte do cardápio da CIA.
No dia seguinte, ao jantar, foi o próprio Dulles que tentou contactar Fleming para um encontro, mas este já tinha deixado Georgetown em direcção a Washington. A partir daí, toda a política externa americana em relação a Cuba é do conhecimento da História, não havendo registo de qualquer missão bem sucedida.
Se o encontro entre Dulles e Fleming tivesse acontecido, quem sabe se a CIA, com uma ajudinha do MI6, não conseguiria ter êxito no derrube de Fidel Castro nos anos 60.



Um documento que é um estupendo naco da História contemporânea do Ocidente. Está de parabéns o Alexandre Guerra.
Ora aqui está um interessante e instrutivo ‘post’ do Alexandre, que muito nos honrou com esta visita. A primeira. Outras hão-de vir.
Caros Pedro e João,
muito obrigado e um abraço de Xangai.
Alexandre
Outro, Alexandre. Boa estada por aí (ainda existe a orquestra de jazz no Peace Hotel?) e boa viagem.
Já foi ao Peace Hotel, Alexandre? Tenho uma longa história vivida e escrita lá.