The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy


eventhorizon,

Falemos de Arthur Dent. Arthur Dent é um pacato cidadão que, numa bela manhã de quarta-feira, acorda com uma valente ressaca. E, ao acordar, apercebe-se de que a sua casa está cercada por buldozers, preparadas para a demolir, com o objectivo de naquele lugar construir um acesso a uma auto-estrada. Indignado, Arthur Dent decide resistir, e deita-se no chão diante as máquinas, para impedir o seu avanço e assim salvar a sua casa.

A história de Arthur Dent, assim contada, não daria para grande prosa de ficção científica, mas a verdade é que, no hilariante livro de Douglas Adams (por vezes considerado o “sétimo elemento” dos Monty Python), The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, este pequeno acontecimento na vida de Arthur Dent é a versão reduzida de um evento de dimensões… galácticas, quando chega ao planeta Terra uma frota de naves da burocrática raça alienígena Vogon (lesmas espaciais, em resumo) com o intuito de… demolir a Terra, para naquele ponto do espaço construir o acesso a uma “auto-estrada” galáctica. De nada servem os apelos humanos: de acordo com os Vogons, o aviso de demolição esteve cinquenta anos publicado em Alfa-Centauri, pelo que se os humanos não viram o aviso e reclamaram junto das entidades competentes a tempo, enfim, problema deles. E assim, a Terra é demolida, e todos os seus habitantes são erradicados.

Quase todos. Arthur Dent salva-se quando o seu amigo Ford Prefect decide resgatá-lo de sua casa, pagar-lhe umas quantas cervejas, e, no momento em que chegam as naves Vogon, arranjar uma boleia para o espaço. Pois Ford é apenas um humano em disfarce, sendo na verdade natural de um “planeta nas proximidades da estrela Betelgeuse”. E é também um dos colaboradores do Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, o mais conhecido guia para uma bela viagem à boleia pela galáxia, com vendas superiores à grande Enciclopédia Galáctica e, é um prático computador com uma capa onde se pode ler, em letras gordas e amigáveis, as palavras “Don’t Panic”. E a partir deste momento começa a odisseia de Arthur Dent e Ford Prefect pela Via Láctea, ao longo da qual encontram personagens inesquecíveis como Zaphod Beeblebrox, Presidente da Galáxia, Trillian, Marvin, o robot depressivo, Slartibartfast, e se envolvem nas mais hilariantes situações. Ao longo da narrativa, é também explicada a busca incansável de uma antiga raça inteligente pela resposta à “Grande Questão da Vida, do Universo… e de Tudo!”, e ainda sobra tempo para que os leitores nunca mais olhem para um rato ou para um golfinho da mesma maneira.

The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy é um livro divertido. Muito divertido. Diria mesmo ser “a” comédia de ficção científica. A mim, fez-me rir desde a primeira linha da introdução (também de Douglas Adams) até ao final. As influências do humor “non-sense” tão típicas dos Monty Python, dos quais Adams era próximo, são evidentes. Diria mais: se os Monty Python tivessem entrado na ficção científica (esqueçamos por momentos o rapto alienígena em Life of Brian), não teriam feito melhor que The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy. Indispensável para quem gosta de ficção científica ou de comédia – e absolutamente obrigatório para quem gosta de ambas.

14 comentários em “The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy”

      1. Por acaso o filme é fraquinho (ainda ontem passou na televisão e pude revê-lo). Fora os primeiros momentos que introduzem a história de forma mais ou menos fiel e uma ou outra piscadela de olho ao livro (as vezes que os personagens dizem “Belgium!”), a verdade é que aquilo a certa altura descamba para a parvoíce generalizada.

        Já o livro, pelo menos se lido na sua totalidade, com todas as partes que o compõem (que incluem The Restaurant at the End of the Universe, Life, the Universe and Everything, So Long, and Thanks for All the Fish e Mostly Harmless), o livro continua divertido, mas assume uma visão muito negra da sociedade e mundo modernos. No fim de contas, apesar de todo o divertimento, Adams não é um simples humorista, mas um escritor de primeira água na sua crítica social e humana.

        1. Da “trilogia de cinco”, como chamava Adams à colecção, apenas li o primeiro e o segundo. Acho o primeiro francamente superior ao Restaurant at the End of the Universe, ainda que este também tenha proporcionado umas boas gargalhadas.

          O filme poderia ser melhor, mas não envergonha – se pensarmos em muitas péssimas adaptações que por aí andam, até brilha ocasionalmente. O Marvin está mesmo muito bom. Mas, claro, retratar o Zaphod Beeblebrox seria muito difícil.

    1. Podia, mas raramente compro alguma coisa na Amazon (nada contra, atenção). Mas este encontra-se facilmente por cá, tanto em várias edições originais como numa edição traduzida relativamente recente da Saída de Emergência (nunca li a tradução).

      The Hitchhiker’s Guide é mesmo muito bom. Merece a compra.

  1. A ficção científica não é a minha praia, em contrapartida sou muito fã dos Monty Python e o resumo que fizeste deu para perceber até que ponto este enredo é delirante, bem ao estilo das maluqueiras deles. Fiquei com vontade de ler 🙂

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