Um partido sem emenda (1)


Pedro Correia,

«Recusei liminarmente apresentar-me às eleições [legislativas] se não tivesse subjacente a candidatura à respectiva presidência. (…) Não poderia aceitar ser vice-presidente de Fernando Nobre por uma questão de coerência. (…) O PSD, preterindo militantes prestigiados e com perfil muito mais adequado para a presidência da Assembleia [da República], acolhe nas suas listas em lugar de destaque e com perspectivas de promoção a segunda figura do Estado, uma personalidade [Fernando Nobre] sem perfil adequado, muito polémica, sem consistência nem coerência política e de duvidosa actractividade eleitoral, tudo com o pretexto de alargar as listas a independentes e dar voz a um prestigiado representante da sociedade civil. Poucos serão os eleitores que acolhem esta justificação.»

António Capucho, em carta aos militantes do PSD-Cascais hoje divulgada pelo semanário Sol. Nobre foi membro da Comissão de Honra da candidatura de Capucho à câmara de Cascais, funções que este autarca abandonou em Janeiro invocando motivos de saúde. Faltam 44 dias para as legislativas.

11 comentários em “Um partido sem emenda (1)”

    1. Trinta anos depois, os mesmos de sempre. Recusam dar lugar a outros. Este é um dos muitos motivos que levam as pessoas a distanciar-se cada vez mais da política. Isto corrói a democracia muito mais do que alguns pensam.

  1. Afinal as coisas encaminham-se para que não haja mudança, pois se alguém muda é acusado porque fez diferente, se fizer igual pode ser criticado, contudo tolera-se porque já se sabe que é sempre assim…
    Neste caso, Capucho envergonha o PSD e prova que Passos fez bem em o preterir, só que o líder do PSD está a beber o veneno de propor mudanças. Muito criticam mas poucos aceitam mudar…

    1. Mudar seja o que for ou seja quem for na política portuguesa tem sempre custos elevadíssimos. As regras do jogo incentivam a perpetuação dos mesmos protagonistas. E os comentadores políticos, que fazem parte do sistema, são – de modo geral – os primeiros a criticar quem chega de novo.

  2. Já começam os incómodos do baronato, o que é um bom sinal na medida em que parece surgir a vontade de mexer no “establishment” de mais de três décadas.

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