Quanto vale uma sondagem?


Rui Rocha,

O jargão político, que tem resposta para tudo e solução para quase nada, diz que uma sondagem vale o que vale. O mesmo é dizer que vale muito quando os resultados são favoráveis e bastante menos quando ficam aquém do esperado. Neste último caso, o procedimento mais comum é formular uma teoria que passa pela culpabilização de terceiros e que tem, pelo menos, três declinações possíveis. A primeira consiste em defender que as propostas são boas, mas os eleitores são fracos. A outra passa por invocar a falta da credibilidade da sondagem e os interesses que lhe estarão subjacentes. A terceira aponta o dedo aos inimigos, externos ou internos. Ora, imputar a responsabilidade a terceiros, sejam eles os eleitores ou os adversários políticos, pode ser da mais elementar justiça em face das circunstâncias. Mas, essas são as constantes da equação eleitoral. Inalteráveis, portanto. Daí que a atitude inteligente seja actuar sobre as variáveis. Isto é, identificar os erros cometidos e os possíveis pontos de melhoria. É isto mesmo que Passos Coelho deve fazer se quiser ganhar as próximas eleições. E o que as sondagens dizem, independentemente da sua credibilidade e de outros obstáculos e armadilhas, é que os eleitores não votarão em Nobre, em Relvas ou em Leite de Campos, por muito que isso custe ao ego dessas personagens. Resta por isso a Passos Coelho ir a jogo. Ele próprio, sozinho, com os seus defeitos e as suas limitações. Sem mediadores, de carne e osso, real como Massamá. Para lá das agências de comunicação, para cá do país. Ou se desgraça ou cai em graça. Esse é o risco. E o risco é a essência da política.

8 comentários em “Quanto vale uma sondagem?”

  1. Rui, concordo com praticamente tudo. Considero que o próprio Passos Coelho também é parte do problema e não só os seus “ajudantes”, aos quais acrescento Marco António, outra figura bem visível do actual PSD. As gaffes, as contradições, as mentiras (sim, mentiu), os ziguezagues, as (poucas) ideias que deixam os portugueses (pobres e pessimistas) com receio, tudo isto contribuiu, a meu ver, para a queda nas sondagens. Aliás, outra coisa não seria de esperar, sobretudo após a gaffe Nobre. Mesmo que possamos alegar que o problema nisto tudo foram os maus conselhos dos “ajudantes”, então teremos que considerar PPC um inábil que, sem ajudas dos outros, não sabe o que dizer ou fazer. Entre uma coisa e outra, não sei o que será pior.
    Como comentei noutras conversas, estou pessimista em relação ao nosso futuro, pois, mesmo antes de chegar ao governo, já começou como Sócrates acabou: mentiras, contradições, erros e sem apoios dos mais competentes da sociedade. O post da Teresa, mais abaixo, não poderia estar mais correcto. Nem o Sr. Silva, aquele que alguns garantem ser o Presidente da República, mas que anda desaparecido (descobriu o Facebbok e agora não quer outra coisa, parece um puto com um brinquedo novo, e até já envia declarações lá) escapa à razia. Mais, o desbaratar da enorme vantagem que tinha (nas sondagens e a boa imagem que tinha no eleitorado) seria um verdadeiro case-study. Como é possível um candidato dar tanto tiro no pé? Nobre foi a gota que fez transbordar o copo e as sondagens, sobretudo a da Marktest que já dá o PSD atrás do PS, devem fazer abrir o olho a PPC. Mas será que PPC tem olho para perceber isto? Pelo que vi e ouvi até agora, não creio…
    Abraço.

  2. Está na altura de deixar de ser o betinho certinho de Massamá e começar a partir a loiça sem pedir licença como se fosse de uns quilómetros antes como se fosse da Buraca ou do bairro da Boavista. A IC19 é a mesma mas a atitude é diferente.

      1. Nem mais amigo Rui, eu ouvi ‘aos soluços’ o forum da TSF onde ele participou e só por uma vez pareceu de facto genuíno que foi quando respondeu ao um ‘abrantes’ que estava a ligar do Rato e aí deu uma resposta a sério que terminou com um “sobre isso estamos conversados, não é ó (abrantes)”.

        Foi das poucas coisas que gostei de ouvir, o resto pareceu-me plástico de modo a acharmos todos que é um grande estadista.

  3. Estar mal acompanhado (pelos próprios ajudantes de campo) não ajuda. Enganam-se sucessivamente na receita: Pimenta no próprio rabo é frescura no de Sócrates.

      1. Quando a Cruz e o Relvas abrem a boca até o Cristo e o cortador abanam, e o dito cujo refresca. A teoria deve ser que é melhor ter mau hálito que não ter hálito nenhum. A última baforada do sintético foi uma referência a Marrocos cuja embaixada já tratou.

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