


Parecia um terramoto. Só não provocou a queda do Governo porque a defunta geringonça já se tinha encarregado disso, na votação parlamentar que provocou o primeiro chumbo de um Orçamento do Estado da nossa democracia.
A derrota da principal equipa portuguesa de futebol ao nível de selecções, humilhada pelos adversários sérvios no estádio da Luz com Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa na tribuna, causou um abalo sísmico na psicologia colectiva deste povo habituado a glorificar os heróis da bola. Não só por nos afastar da qualificação directa para o Campeonato do Mundo, a disputar daqui a um ano no Catar, mas pela sofrível exibição da turma das quinas, catalogada na oitava posição da tabela classificativa internacional, enquanto a selecção da Sérvia surge num modesto 29.º lugar.
Uma angustiante dúvida apoderou-se dos milhões de portugueses que acompanham com fervor o chamado desporto-rei: teremos regressado à era em que acumulávamos fracassos nos relvados, mascarados de «vitórias morais» pelos cultores dos eufemismos? O nosso inédito reinado como campeões europeus entre 2016 e 2021 terá sido proeza irrepetível?
Foi curioso ver as reacções em estúdio de vários comentadores, confrontados com a derrocada. Dividem-se em três grupos, cada qual com os seus pontas-de-lança. Aqueles que sempre ansiaram pela queda de Fernando Santos por ter posto os futebolistas a «jogar feio», mesmo vencendo, apressam-se a reivindicar a defenestração sumária do seleccionador. Aqueles que até agora lhe entoavam hossanas mudaram a agulha: falam em «equipa de Portugal» quando dantes invocavam a todo o momento a sacrossanta «selecção nacional». E há ainda os profissionais da ambiguidade, que jamais arriscam uma frase digna de suscitar polémica: estes aludem a «uma exibição cinzenta», lastimam a «noite pouco feliz», lamentam vagamente a «exibição menos conseguida».
Não faltaram bitaiteiros de vários matizes no deprimente serão televisivo de domingo – do pessimista militante que adora proclamar «eu bem dizia» mal vê a bola entrar na baliza errada ao puxa-saco subitamente travestido de crítico feroz. Uns e outros, com lugar cativo nas pantalhas, proporcionam por vezes espectáculos ainda mais penosos do que a ocasional mediocridade lusa nos campos de futebol.
No rescaldo imediato deste Portugal-Sérvia, o pior comunicador foi Fernando Santos: falou muito e disse quase nada, mandando bolas fora. Isto, por exemplo: «Nós todos sabemos que não fizemos aquilo que podíamos ter feito.» Felizmente os jornalistas recolheram também declarações de um jogador, Bernardo Silva, que se deixou de rodriguinhos e rematou assim: «Foi uma exibição péssima, peço desculpa aos portugueses.»
O essencial dito em apenas oito palavras. Se a equipa das quinas tivesse jogado como Bernardo comunica, a vitória seria nossa. Por goleada.
Melhor que ele, só o Presidente da República, ao exclamar: «A luta continua, em Março há mais!» Supõe-se que falaria de futebol. Mas com Marcelo nunca se sabe.
Texto publicado no semanário Novo

a meio da 1ª parte desisti de ver os aleijadinhos
« a bola é quinstrói
o fado é quinduca »
« vale + ser do Benfica que ser rico » já somos todos pobres
“Um país deprimido por culpa do futebol”
Não será antes “um futebol deprimido por culpa do país”.
Como é que a Selecção há-de jogar bem se anda tudo a bater mal da bola.
Coisa rara, Marcelo o nº da bola que consegue encher todas as cadernetas de cromos.
Se não estivesse sentado, caía a rir. Excelente! E verdadeiro!
Cadernetas de cromos da miudagem, diga-se.
O Eng. é uma espécie de Cabrita da Federação, acima e imune a qualquer crítica.
A única diferença é que o Cabrita é sempre a acelerar, já a Selecção nem na EN1 conseguia exceder o limite de velocidade.
Sendo a selecção a equipa de todos nós e representando o país, o Eng. é uma escolha acertada.
Tipo porreiro, não faz ondas, vive do passado.
A melhor observação! Tal e qual!
Faz confusão aquela do ‘sabíamos que…..’, então se sabiam por que não foi bem feito.
Este poste “Um país deprimido por culpa do futebol” é um pouco parecido mas ao contrário: tivessem vencido, alegria, governo porreiro…e não havia poste de “Um país contente por culpa do futebol”.
no destaque do sapo, nao informa o nome do autor do post.
Mas sobretudo apos entrar e ver o nome, logo imaginei o meu comentario : até li um post sobre futebol, coisa que nao me interessa nada.
Mas o Pedro começa logo a marcar. Grande Pedro.
Mas depois fala das pessoas, da natureza humana, aqui na forma de opinadores e bitaiteiros. Ou seja, faz pedagogia. Bem feito.
Só nao dá relevo a outro aspeto : ao 13º jogador, ou lá como se diz, e tanto bem se diz do publico e da sua importancia. Ora, um estadio cheio com milhares de pessoas a puxarem todas para o mesmo lado, e foi o que se viu (diz) !!!
E termina tao bem como começou. Bravo, o humor tambem é preciso.
O Pedro não brinca em serviço, com este post e até Março, sempre vai lixando o governo e arredores. O futebol dá para isto, acontecesse o contrário teríamos o Pedro a comentar ‘o PS aproveita a bola para fazer propaganda eleitoral’.
A teoria da conspiração tem tentáculos mais longos do que um polvo gigante.
Este até vê naquilo que eu escrevi uma crítica ao partido dele.
Caramba, é bem verdade que a fé cega os acólitos do poder.
Chapa5
Talvez nem haja misterio. Mas a realidade é que continuo sem entender porque uns tantos blogs perdem a compostura por dá cá aquela palha, ninharias.
A primeira hipotese é o cansaço. Mas cansaço cronico ? Existe ?
Categoricamente o prejuizo para a imagem é inevitável. Mesmo se houver estrategia de polemica, os possiveis beneficios imediatos, nao se comparam á imagem danificada.
Mal comparado, quando era criança uns tipos cambaleavam pelas ruas, seguravam-se nos postes e muros, falavam alto verdades, ate contra o regime, mas ninguem os seguia.
Diz-se que os idosos voltam a ser crianças. Mas ao que se percebe, nao é o caso, os blogs que perdem assim a compostura, ainda nao sao ( estao ? ) velhos.
E quando eramos criancinhas, um agredia o outro dizendo-lhe que o pai tinha orelhas de burro. O outro, nao podia ficar-se, e retorquia que o pai tinha nariz de elefante.
que sentido faz hoje, um tipo vitima porque o seu clube sofreu anteontem 7 golos, em vez de estar escondido, tapar a cara, retorquir para o outro, que o clube rival sofreu 8 golos há 50 anos .
Amanha vou inscrever-me em geriatria.
Faz você muito bem. Para se automedicar depois.
12o jogador
Treze dá azar.
mas tem, o post, um pontito negro : defenestraçao.
é gozar com a ignorancia, pois nunca vi esse termo.
E só rever o que se passou em 1640 no Terreiro do Paço com os apaniguados de “nuestros hermanos”
Lembro-me perfeitamente como se fosse hoje. Espetámos com seis batatas à Espanha, directamente importadas da América pelo Pingo Doce. 1140… bons tempos.
Não precisa de recuar tanto. Em 2010, com Paulo Bento como seleccionador, espetámos 4-0 à melhor selecção espanhola de sempre. 4427
https://www.zerozero.pt/jogo.php?id=127
estao divertidos, que bom.
e obrigado ao Arnault pelo esclarecimento.
O último parágrafo é de partir o coco. O Ventoinha fala de tudo mesmo que não haja nada.
Agora a sério, Portugal ainda pode ir ao Mundial, desde que FS dê um avolta pelo país e coloque em campo os melhores. Aconselho ums ida a Alvalade na 4º feira para ver 3 jogadores: Pedro Gonçalves, Gonçalo Inácio e Matheus Nunes. Pena : Adán, Porro, Feddal e Coates não ter dupla nacionalidade.
SL
Entretanto, o FS devia aproveitar este tempinho até Março para estagiar com o RA.
Nesta altura, a responsabilidade pelo mau momento que a selecção atravessa já não é do FS, mas sim da federação que teima em mantê-lo quando claramente já não tem mão na equipa.
Sem dúvida que haverá sempre o mérito pelo que alcançou e deve ser respeitado por isso, mas era mais que altura para mudar de liderança. O argumento da suposta indemnização em caso de despedimento serve apenas para criar mais suspeições sobre os interesses que gravitam em redor das convocatórias e voltamos aos maus velhos tempos onde os empresários é que decidiam quem ia á selecção. Por estes dias, não se pode negar a escandalosa ausência do melhor marcador da época passada enquanto que o flop de ouro mesmo a marcar 1 golo a cada 8 meses, lá está a ocupar uma vaga….ele há coincidências,,,,
Esta direcção da FPF foi, de longe, a que mais títulos e troféus conseguiu. No futebol, no futsal, no futebol de praia.
Os factos são estes.
Futebol:
– Portugal, campeão europeu (2016)
– Portugal, vencedor da Liga das Nações (2019)
Futsal:
– Portugal, campeão europeu (2018)
– Portugal, campeão mundial (2021)
Futebol de praia:
– Portugal, campeão europeu (2019, 2020, 2021)
Prefiro dar o mérito aos atletas que se entregam em campo na conquista dos troféus e imediatamente a seguir os clubes que investem na formação, do que propriamente a uma federação podre de rica mas cheia de tachos e tachinhos. O exemplo mais básico é o desporto escolar onde nem tenta criar condições para captação de jovens. Se hoje há jogadores espalhados pelos melhores clubes do mundo, o mérito será de muitas pessoas/instituições mas a federação não será uma delas com certeza.
Tipica atitude tuga.
O ódio ao sucesso, a celebração do fracasso.
Eis um dos principais motivos porque vivemos em estagnação permanente.
António Lopes
Um futebol deprimido por culpa de incompetentes, empresários oportunistas e muito chauvinismo à mistura.
Manuel Antunes
Grande crónica do Sr.Pedro Correia.
Parabéns.
Obrigado.