DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Campos: «O PS propõe, no contexto das medidas de austeridade (e da busca desesperada por uma alternativa ao corte de um dos dois subsídios), medidas de moralização para os políticos. E que propõe Seguro? Simples: As viaturas do Estado para uso particular devem passar a ser contabilizadas para efeitos de IRS. Assim de repente não sei que efeito tal medida teria nas contas públicas, mas é impossível não ver que o secretário-geral do PS perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Se propusesse que as viaturas do Estado devem ser usadas única e exclusivamente para fins de Estado, e jamais para fins particulares, aplaudiria. Mas isso, como é bom de ver, seria pedir muito.»

 

João Carvalho: «O serviço público que se esperaria da RTP (usando o exemplo inevitável do canal principal em sinal aberto) está muito, muito longe dos mínimos desejáveis. Ora porque se cola à programação das televisões privadas com o olho nas audiências, ora porque não se cola e não sabe o que há-de fazer além de encher chouriços — chouriços que ficam pela hora da morte, mais caros que as morcelas gourmet da mesa do rei — o certo é que andamos todos a pagar ordenados principescos que seriam obscenos mesmo que fossem entregues aos melhores profissionais do mundo.»

 

José António Abreu: «Carlos Zorrinho diz que só «a teimosia» ou «eventual excesso de precaução» pode impedir o governo de aceitar as alterações ao orçamento propostas pelo PS. Ele devia ter mais cuidado com a questão de «a teimosia» porque todos nós, detentores de memória não selectiva, ainda nos lembramos de como o governo do Partido Socialista não era propriamente brilhante a aceitar sugestões nos tempos em que dispunha de maioria absoluta.»

 

Laura Ramos: «John Fante foi isso mesmo: um escritor americano filho de italianos pobres imigrados no Colorado, cujo pai assentava tijolos com brios de escultor e vivia entregue à bebedeira constante, às permanentes infidelidades à mulher e ao quase desprezo pelos filhos, numa espiral autoritária e primitiva que marcou o escritor para sempre. A Confraria do Vinho é assumidamente autobiográfico e um dos últimos livros publicados por este “Hemingway italo-americano”, como lhe chamaram, girando em torno dos derradeiros dias do pai, quando o escritor, já casado e a viver em Malibu, regressa penosamente à casa da família perto de Sacramento e à vida entre os paisani, dominados pela idolatria às vinhas de Musso, afogados em chianti (o leite das suas segundas infâncias), eternos malandros deambulando pelas tascas à espera de se atirarem a qualquer rabo de saias.»

 

Luís Menezes Leitão: «Quando é conseguiremos arranjar um governo que não se preocupe com os prejuízos do bar da Heidi e dos que investiram na sua política de crédito e se preocupe antes com os cidadãos trabalhadores deste país?»

 

Patrícia Reis: «Hoje apresentei às pessoas que trabalham comigo no atelier os cortes que terão no subsídio de Natal. Eu não tenho. Não chega, não é a primeira vez, não será a última, mas tenho de pagar o imposto seja como for. Pouco importa, é Natal na mesma.»

 

Rui Rocha: «Os proveitos do alojamento turístico ascenderam na Madeira a 250 milhões de euros em 2009 e a 227 milhões de euros em 2010. Todavia, como aqui se vê, a soma dos proveitos dos meses de Dezembro e de Janeiro dificilmente ultrapassa os 30 milhões de euros. Aqui chegados, uma pergunta: que percentagem dos turistas que visitam a Madeira entre Dezembro e Janeiro continuaria a fazê-lo se não existisse animação ou se esta fosse mais contida? Não sei, confesso. Mas, sei uma coisa. Os proveitos do mês de Novembro de 2010, em que não existiu Natal, Réveillon ou Carnaval, foram superiores a 14 milhões de euros. Isto é, Novembro de 2010, sem nenhuma âncora, gerou mais proveito do que Janeiro ou Dezembro do mesmo ano (cada um deles vale cerca de 14 milhões). Assim, é de admitir que a decisão de visitar a Madeira no final do ano seja ditada, tal como acontece em Novembro, por muitos outros motivos de interesse. E que a animação seja, só por si, pouco relevante.»

 

Eu: «Não há políticos no Governo italiano, liderado pelo ex-comissário europeu Mario Monti. Há sete professores, dois advogados, um banqueiro, um almirante, um jurista, uma antiga delegada da polícia… A intenção é clara: demonstrar aos italianos que chegou a hora de “limpar” o país desse vírus que é a política. Outra coisa não seria de esperar desta equipa governativa que se destina a regenerar Itália para mostrar obediência à Comissão Europeia e ao directório franco-alemão.»

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