Um novo erro não apaga um erro anterior


Rui Rocha,

Sejamos claros. Mantendo-se as circunstâncias, foi tão vergonhosa a comemoração do 1º de Maio em Estado de Emergência como será uma celebração de 13 de Maio em Fátima em termos semelhantes (autocarros, ajuntamentos, etc.) durante a Calamidade. Permitir a uns o que não se admite a outros está sempre errado. O que a CGTP não provou (e a ICAR também não conseguiria demonstrar para o 13 de Maio do ponto de vista de fé que professa) é que uma celebração dentro do quadro do EE prejudicaria de forma irrecuperável direitos que representa. Sem essa demonstração, o 1 de Maio foi uma excepção injustificável e um exercício arrogante de falta de solidariedade. Um erro grave não se apaga com outro. Neste caso, como (quase) sempre, a lei das compensações só aprofunda a dimensão dos erros, não os repara.

9 comentários em “Um novo erro não apaga um erro anterior”

  1. Concordo em absoluto. Só não percebo as declarações dos dirigentes do PSD e CDS,eles votaram no parlamento a favor das comemorações do 1 de Maio.O deputado João Oliveira do PCP,hoje lembrou isso.

  2. Se a Igreja quiser, demonstrando a maior devoção e fraternidade, dar um belo coice ao PCP, então deveria apelar à não participação dos fiéis no 13 de Maio, alegando respeito pelo confinamento decorrente do estado de calamidade.

    1. Já o fez — a Igreja já disse que os fiéis devem assistir às celebrações de 13 de Maio através da Internet.

      Se voltarem atrás, é mais um erro a acumular aos outros. Aliás, daqui a uma semana vamos ver os números disparar novamente.

      1. Não fez não, vai haver celebração mas só com dirigentes eclesiásticos, no fundo tal e qual a CGTP.
        Quem tiver que pagar promessa só lá para Outubro

  3. “Sem essa demonstração, o 1 de Maio foi uma excepção injustificável e um exercício arrogante de falta de solidariedade.”

    Errado. A manifestação de 1 de Maio foi uma manifestação de Poder, Intimidação.

    Todos os outros devem fazer o mesmo.

    lucklucky

  4. Adoro aquela argumentação tão portuguesa de que não se pode ser extremista e há que considerar as excepções.

  5. “Um novo erro não apaga um erro anterior”.

    Mas distrai. E se este governo é competente em alguma coisa, é nas campanhas de distração.

    A batata quente fica agora nas mãos dos bispos. Não podem usar mais o argumento de estarem a cumprir as normas sanitárias emanadas da autoridade civil, quando a própria ministra da Saúde refere não haver especiais imposições. Se mantiverem a anulação da peregrinação, serão acusados de serem “mais papistas que o papa” e de estarem a tirar a devoção às pessoas; se revirem a decisão, estão a cair na esparrela montada pelo governo.

  6. Não vai haver peregrinos em Fátima. Os bispos deram uma chapada de luva branca ao poder.
    O poder seja qual a carga ideológica é sempre arrogante!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *