![thumbnail_20210815_002316[2].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2021/22140492_5Eauy.jpeg)
Ontem, para mim, foi dia de praia e futebol. Com um belo salmonete ao almoço num restaurante à beira-mar.
Um dia simples. Um dia perfeito.
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Ontem, para mim, foi dia de praia e futebol. Com um belo salmonete ao almoço num restaurante à beira-mar.
Um dia simples. Um dia perfeito.
Discordo do tom deste teu postal. Pois deixa entender a primazia dos saberes culinários para a obtenção desse desiderato perfeccionista, deixando na sombra – elidindo mesmo – o esforço, dedicação e devoção de alguns profissionais de outras artes…
De outras “artes perfomativas” (como agora se diz), incluindo a terrífica “cozinha de autor”, a vomitiva retórica política e mamadudescas pichagens de monumentos, passei o dia arredado. O que também contribuiu para que fosse perfeito.
Graças a Adan, diria eu.
Tem muita razão. Sabedoria bíblica.
E dentro do tempo regulamentar. Aposto.
De certeza que não teve que esperar mais 14 minutos para o saborear.
O salmonete chegou à mesa no tempo regulamentar. Inteiro, como a foto demonstra. Nada de peixe “escalado”, como agora é moda.
Demorei anos a perceber o que era peixe escalado — que presumo ser um anglicismo sem a partícula despoletante dos substantivos.
Mais à portuguesa, também lhe chamam “peixe limpo”. Vem para o prato sem “impurezas”, como agora é de bom-tom.
Esta gente com hábitos tão amaricados nem sabe comer peixe. Como os “amaricanos”, que trocam um salmonete por qualquer hambúrguer.
Há muitos anos uma senhora das antigas, sem fortuna mas vivendo num solar herdado, acolheu uma estudante norte-americana num desses programas de troca de estudantes durante um ano lectivo. Algum tempo depois foi visitada pela estudante e pela mãe, da boa (conhecida) sociedade americana. Desejando obsequiá-la, esmerou-se e ofereceu um almoço de linguado.
A americana, antes ainda de todos se servirem, pegou na faca e no garfo e cortou o linguados em pequenas porções que começou a comer apenas com o garfo. Passou o resto almoço a cuspir espinhas.
Os americanos parecem aleijados a comer. Usam só uma mão, tendo a outra pousada no colo.
O mais caricato é ver alguns portugueses a imitá-los. Como se ansiassem ser “amaricanos” também.
Não são só os “amaricanos”.
Em tempos, por altura das férias, jantava num restaurante médio-baixo que enchia sempre e com .alguns estrangeiros, que assavam o jantar a ver como eu comia o peixe de faca de garfo.
Eles achavam estranha a faca de peixe e partiam/cortavam um saboroso sargo como se fosse um bife.
Deve ter sido um espectáculo caricato. E ainda por cima a terem de usar os dois braços, coitados.
É como fruta em caroço…
Sem caroço. E uva sem grainha.
Escalado já chega o bacalhau
Sim.
O que tem andado mesmo a escalar é o preço da gasolina — e ninguém faz nada. Ainda vamos todos andar de bicicleta e ir a lojas para binários mais homo-não-sei-quê e papar brunchs à força. Era tão moderno.
Não há pão? Comam brioches, dizia a outra.
O candidato Vieira vai prometer uma trotineta para cada português nas próximas eleições
Há um ano o candidato Vieira prometeu o campeonato e um Benfica “europeu”. Com mais de cem milhões de euros em cima (ou por baixo) da mesa.
Ganhou “bola”, como diz o outro.
Sim, vale a pena estar vivo. Obrigado pela refeição. Por favor, contacte a uber ou a glovo para trazer-me a casa esse manjar.
Nem pensar. Não uso disso.
Bom dia Pedro Correia
E salmonete, apesar da sua cor, rima muito bem com verde!
Bom Domingo. Saúde.
António Cabral
É verdade, caro António Cabral. Rimou – e de que maneira.
Boa saúde para si também. Haja alegria.
Reparo que não foram extraídos os fígados. Com os fígados picados, juntando uns pós de farinha, água, manteiga e salsa vai a ferver e, depois, rega o peixe quando é servido.
Mas, em Sesimbra, os anos eram outros, diziam ‘não trocava por uns carapaus fritos’.
E, agora, cá aparecem os mesmos a dizer ‘tanta gente com fome e ninguém fala dos talibãs’. Também não vão ser assim tão mauzinhos de todo, nem sequer são contra a iniciativa privada, diziam outros.
Reparou bem. É isso. Quando o peixe é excelente, como acontece neste caso, aproveita-se tudo.
Nada de vir “arranjado” para a mesa.
Só do peixe excelente se comem os fígados.
Pois era o caso deste. Excelente, em zona de excelência. E em restaurante onde não servem peixe de viveiro: vem tudo do mar, ali em frente.