Os Jogos Olímpicos terminaram e com eles a euforia popular pelo desporto. É sempre assim. Também jornalistas e comentadores lembram-se durante os dias olímpicos que há desporto além do futebol, apoiando e glorificando (e bem) os nossos atletas, mas quando a “Chama Olímpica” se apaga, rapidamente o entusiasmo se desvanece e dirigem as suas atenções para o único entretenimento desportivo que reina neste país: a bola. Por saber isso, e depois de ter ganho a sua medalha de prata, Patrícia Mamona apelou ao investimento no desporto escolar, sabendo-se que em Portugal pais e elites não têm cultura desportiva e não estão sensiblizados para o tema. Nesta matéria, somos um pobre país. E perante isto, não deixa de soar a alguma hipocrisa toda esta celebração nacional que se faz de quatro em quatro anos, quando durante esses mesmos quatro anos o país pouco atenção dá ao desporto e aos seus atletas.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Euforia mas não muito.
Hoje a programação nocturna já foi preenchida com “análises ” táctico-cientificas à jornada. Dos 3 grandes.
Para quê investir no desporto escolar se as crianças não querem praticar desportos? Os rapazes só veem bola à frente, as raparigas acham que desporto é coisa de rapazes.
A maior parte dos grandes clubes só hoje começa a apostar nas modalidades no feminino, mesmo futebol.
A RTP, paga com os nossos impostos e taxas, nem se digna a ter um programa semanal desportivo. Nem resultados de campeonatos como andebol ou basquete, quanto mais resumos ou notícias. Acompanhar modalidades e clubes que não os 3 do costume, então é utópico.
Fiquemo-nos pelo futebol e pelo sofá.
Para quê investir no desporto escolar se as crianças não querem praticar desportos? Os rapazes só veem bola à frente, as raparigas acham que desporto é coisa de rapazes.
Isso é a maioria, mas há exceções.
Conheci em tempos uma grande atleta portuguesa de badminton (Filipa Lamy), que quase esteve para ir aos Jogos Olímpicos há uns anos. Ela disse-me que foi atraída pelo badminton precisamente no desporto escolar. Foi um dos desportos que a professora ensinou, ela sentiu-se atraída e começou a dedicar-se a ele.
O desporto escolar é um local onde os jovens podem ter contacto com alguns desportos de que caso contrário jamais teriam conhecimento.
Hipocrisia não é a celebração nacional de quatro em quatro anos. Hipocrisia é celebrar os jogos olímpicos em 2021 e dizer que são os de 2020, porque os próximos são em 2024.
Hipocrisia é o mundo inteiro ser cúmplice de uma mentira e pactuar com a falsificação do registo histórico.
Subscrevo, Alexandre.
Nunca esquecendo que por um lado temos a prática de desporto pelo desporto e, por outro, o desporto competição, a vários níveis.
Claro que nada disso são os diferentes futebois quer na bancada ou no sofá, na TV ou, sobretudo, os relacionados exercícios financeiros.