Blade Runner foi filmado, sem um único fotograma gerado por computador, há 40 anos. Quarenta! Muitos dirão que aquele mundo continua hoje a parecer real e palpável apesar de não haver CGI. Eu digo de outra forma: continua hoje a parecer real e palpável precisamente por não haver CGI.
The Beauty of Blade Runner
João Sousa,

Bru-Ta-LL-. O último, que fui ver ao cinema, também está espectacular. Banda sonora, inclusive.
O Blade Runner 2049 é um magnífico espectáculo sensorial e, ao contrário da maioria dos remakes/reboots/sequels que Hollywood debita para compensar a criatividade nas ruas da amargura, foi tratado com imensa dignidade (pareceu evidente que o Villeneuve admira e compreende o original). Mas, como diz a seguir o V., a ideia que me ficou foi de um upgrade às tecnologias (de filmagem e na narrativa do filme). Hoje, não se pensa no Padrinho 1 sem pensar no Padrinho 2, ou no Terminator 1 sem pensar no Terminator 2. Penso que não acontecerá o mesmo com os Blade Runner.
Dito isto, reservo-me o direito a não ter uma opinião definitiva enquanto não puder vê-lo uma segunda vez.
Também gostei à brava da sequela 2049, embora tenha ficado com a sensação de que a relação de K com Joi é um eco um bocado forçado da relação de Deckard com Rachel, porque aparece sobretudo como uma actualização tecnológica que vem de fora do argumento e não uma coisa da própria história.
Foi essa a ideia com que fiquei: é um refazer dos mesmos conceitos aplicados a tecnologias actualizadas e imersos numa tentativa de “grande narrativa” que não adiciona grande coisa ao original. O Blade Runner não sobreviveu pela narrativa: fê-lo pelas ideias e pelo mundo ali criado que, ao contrário da esterilidade das habituais utopias cinematográficas, parecia orgânico.
Exacto, concordo em absoluto. As repetidas tentativas de tentar “fechar” ou elucidar uma história com uma sequela têm feito mais mal do que bem a muitos filmes interessantes — e que são interessantes por isso mesmo, por não precisarem disso, por serem fragmentos ou estetitizações (não sei se este palavrão existe) de uma coisa maior que não aparece. Essa preocupação com a “grande narrativa” é o conceito-operativo aqui.
Não obstante, achei bastante piada a alguns pormenores do 2049 e por acaso o papel de blade runner encaixa perfeitamente com o estilo normalmente blasé que Ryan Gosling põe nas suas interpretações.
O blad runner é dos melhores filmes já feitos. O blad runner 2049 também é um bom filme.
Concordo: o segundo filme é um bom filme que vi no cinema, não me arrependo de o ter visto e pagaria, de boa vontade, bilhete para o ver de novo – mas, ao contrário do primeiro, duvido que daqui a vinte anos faça parte de um cânone.
Um dos melhores filmes de ficção científica de sempre. O cenário é maravilhoso. Para um bom filme o essencial é um bom argumento e bons actores. O resto é mais ou menos acessório. Podemos ficar deslumbrados pela banda sonora, pelo guarda-roupa e pelos efeitos especiais, mas o que fica é a história e quem a interpreta.
O 2049 é bom, mas podia ter ficado por realizar
O Blade Runner 2049 é um filme muito bem feito – mas desnecessário. Existe e eu aprecio-o pela sua existência, mas o mundo continuaria o mesmo sem ele.
Dentro das sequelas/remakes está bem conseguido. Ao contrário do Total Recall por exemplo, aquele aborto com o Farrell (que curiosamente estivera óptimo no Fright Night).
Mas é redundante.
Esse Total Recall é uma atrocidade com uma única qualidade redentora: a Kate Beckinsale.
Ahah — podiam apagar tudo à volta e deixar só a Kate Beckinsale, às voltas, num fundo cinzento claro