
DEBATE GOMES-VENTURA
Há quem se admire por esta campanha presidencial suscitar tanto desinteresse. Mas que emoção subsiste numa competição onde só o segundo lugar permanece em aberto? É como ver um filme com desfecho já conhecido.
Ana Gomes e André Ventura, valha a verdade, nem tentam disfarçar esta condição de actores secundários. O que ficou bem evidente no debate moderado por Pedro Mourinho que os colocou frente-a-frente, na noite de anteontem, na TVI 24. Ela exibindo esgares que lhe traíam o nervosismo, ele a debitar lugares-comuns em tropel contínuo.
A candidata apoiada pelo PAN e pelo Livre tem muito mais experiência de campanhas do que o seu antagonista, mas é incapaz de ombrear com ele no domínio dos códigos televisivos. Com longo tirocínio no canal do Benfica e na CMTV, Ventura traz para a política o traquejo das discussões futeboleiras temperadas com o “livro de estilo” do canal da Cofina: falar em ritmo acelerado, levantando a voz para impedir o discurso alheio. Nesta peculiar linha de comunicação, a pausa e o silêncio são vistos como inimigos.
Em comparação, a escola do MRPP – onde Gomes recebeu o baptismo da militância partidária – pertence à era da pedra lascada. A antiga embaixadora de Portugal na Indonésia continua a cometer erros lapidares. Grita pela ilegalização de um partido avalizado pelo Tribunal Constitucional, acabando assim por fazer-lhe publicidade. Diz que não responde às provocações de Ventura, mas passa o tempo a descascar os amendoins que o caudilho do Chega lhe atira.
Pior ainda: proclama que o seu rival é Marcelo Rebelo de Sousa, esquecendo-se por completo de criticá-lo, como aconteceu neste debate. O único reparo ao campeão das sondagens veio de Ventura, mesmo a fechar: «Ficou muito mal a Marcelo Rebelo de Sousa colocar-se no debate comigo como Presidente e não como candidato e revelar conversas privadas no Palácio de Belém.»
Não custa dar-lhe razão nisto.
«Este senhor tem truques para tentar arrastar para a lama quem aqui vem debater com ele, para ficar parecido com ele. Não será o meu caso», jurou a candidata. Sem cumprir. Daí a nada já trocava galhardetes com o antagonista ao nível da subcave. Ele lançava anátemas contra Paulo Pedroso, director de campanha da ex-eurodeputada socialista. Ela trazia para a discussão «o amigo deste senhor, Luís Filipe Vieira», que «pregou calotes ao Estado português».
Inesperadamente, quem também ficou de orelhas a arder foi José Sócrates – como se fosse adversário de ambos no combate presidencial. Declarou o pleonástico Ventura: «Esta senhora andava aos beijinhos com ele há uns anos atrás!» Ripostava Gomes, visando o deputado com ar de nojo: «Um sujeito que, como funcionário da Autoridade Tributária, ajudou o patrão de Sócrates, Paulo Lalanda de Castro, a não pagar um milhão de impostos!»

Parecia 2011, não 2021. Incapaz de subir ao nível de Marcelo, Ana Gomes optou por descer ao nível de André Ventura.
O maior triunfador deste confronto de segundas linhas foi assim o grande ausente: Rebelo de Sousa. Aconchegado por todas as pesquisas de opinião e pela clamorosa inépcia dos adversários, o presidente recandidato só tem a recear uma abstenção elevadíssima.
Mas houve um segundo vencedor, que também não estava lá: António Costa. Cada vez mais gente percebe hoje por que motivo o primeiro-ministro recusou ungir a sua camarada Ana Gomes como candidata do PS, declarando apoio a Marcelo.
«O poder não é nada sem autoridade», diz a Rainha Isabel II interpretada pela actriz Olivia Colman na quarta temporada da magnífica série The Crown. Vejam-na, se puderem. Ensina mais sobre política do que todos os debates presidenciais.
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Frases do debate:
Gomes – «Eu tenho aqui uma marca na cara que foi duma vergastada dum pide… uma cicatriz.»
Ventura – «O nosso desafio é derrubar esta esquerda que tem dominado nos últimos 46 anos.»
Gomes – «Trabalhei durante 45 anos pela democracia e pela liberdade no nosso país.»
Ventura – «O meu partido está em terceiro nas sondagens, por muito que lhe custe.»
Gomes – «O partido deste senhor quer destruir a democracia! A democracia não pode ser tolerante com os intolerantes.»
Ventura – «Tem pouca gente a apoiá-la. Também, com as coisas que diz, não é de espantar.»
Gomes – «Este senhor nem no próprio partido dele manda, tanto que teve de impor a lei da rolha aos seus próprios militantes, tal é o medo que tem do que eles possam dizer sobre a sua direcção.»
Ventura – «Você nem o apoio do seu partido teve, valha-me Deus! E vem aqui dizer que eu não tenho apoio. Os portugueses devem estar a rir em casa…»

É interessante constatar que, de todos os que viram o debate Gomes-Ventura, uns há que atribuem a vitória por 10 – 0, enquanto outros por 0 -10.
Neste debate, Gomes (que tem sido segunda em quase todas as sondagens) actuou como “incumbente”. Mas pareceu quase sempre uma candidata menor. Como se não acreditasse bem no que as sondagens indicam.
Marcelo venceu, obviamente. Quase nenhum dos dois se atreveu a beliscá-lo.
Ana Gomes: Se tiver um resultado que não deslustre, Costa virá a palco considerar ter sido a candidata natural do PS, se não, não.
Marcelo: Com o seu radar giratório, ainda poderá virá a ser designado com o cognome de sacristão de Belém, por santos e pecadores
Costa não pode ver Gomes nem pintada.
Depois de ver todos os debates, chego à triste, mas já esperada conclusão, de que por mais fraco que um candidato de direita seja, consegue bater aos pontos qualquer um de esquerda.
Não é o que tem acontecido nas várias eleições para PR
Vamos por Cavaco na direita e todos os outras na esquerda, Ramalho Eanes dá para os dois lados.
Desta vez deve ser eleito o candidato da direita MRS, já que a ser o Ventura é da extrema direita tal como Otelo seria da extrema esquerda.
Mas, há uma diferença entre Ventura e todos os outros candidatos Ventura é um vendedor de calcitrim da cobra. Lembremo-nos dos célebres vendedores da banha da cobra que apresentavam uns maços de cartas de ex-compradores a elogiar o produto e quando alguém passava e dizia ‘vai-te embora ó aldabrão’ ele respondia ‘está assim por que me apanhou a dormir com a mulher dele’. O Ventura é a mesma coisa e quando se vê aflito arranja sempre um papel para mostrar dizendo ‘está aqui, não minta’. O MST chamou-lhe o candidato com discurso para espectador de café, vulgo populista. É um facto que os outros candidatos não conseguem arranjar forma de se deixarem interromper, por isso pouco soubemos do programa do Chega, de personalidades apoiantes e dos patrocinadores financeiros. Provavelmente deveremos saber nos tempos de antena ou calhando vamos levar com mais calcitrim para as articulações/entorses agora usado por alguma gente conhecida.
Não digo que não tenha a sua razão. Apenas completo e acrescento que, exceptuando Marcelo, que será um híbrido da direita/esquerda, todos os outros vivem numa fantasia e numa cegueira que os impede de perceber o que são valores democráticos. Não que Ventura também não os veja, atente-se.
A questão é que uns objetivam e identificam determinados atos que se recusam a levar a cabo, caso sejam eleitos. Atos que a constituição os obriga a cumprir. E a fantasia surge precisamente quando não conseguem explicar o que fariam.
As presidências normalmente elegem o candidato contrário ao partido que está no poder, com excepção do segundo mandato, que poderá surgir, e surge invariavelmente, quando o governo passa de um lado para o outro.
Por isso essa leitura não é completa.
O meu comentário aparece apenas porque a fantasia é tão grande, que qualquer candidato de direita a deita por terra. Até Tiago Mayan o conseguiu com Marisa Matias com uma facilidade tremenda.
Temo que a candidata do BLOCO é até a mais fantasiosa, muito mais que João Ferreira.
Mas não se podia esperar outra coisa.
Comparo o BLOCO a um adolescente que, na idade do armário não foi devidamente chamado à atenção pelos pais, que não foi admoestado na hora certa e na medida certa. Um adolescente a quem deixaram fazer o que lhe apetecesse e que se tornou um adulto irresponsável, sem noção da realidade e fechado numa bolha.
O BLOCO é esse adolescente e o restante parlamento são os pais negligentes, que criaram um monstrinho egoísta, sem noção da realidade e que não foi chamado à atenção na altura devida.
Foi isto que o parlamento criou ao assobiar para o lado durante anos, perante a imaturidade e a limitação de conhecimentos e realidade daquele partido.
Marisa Matias representou tudo isto.
E quando apanhada na sua própria incapacidade, partiu para a ofensa, outro comportamento típico do partido que a apoia.
Mandato de Presidente não é mandato de Primeiro Ministro. Não há que explicar o que nunca poderão fazer.
Porque será que os jornalistas só não fazem a única pergunte que tem sentido nestes devaneios eleitorias para a presidência da República?.
– Ora bem, explique aos nossos telespectadores porque é que deseja tanto ir morar para Palácio de Belém durante os próximos 5 anos?.
Gostei.
Não têm de morar no Palácio de Belém.
Aliás o último Presidente que lá morou foi Eanes, entre 1976 e 1986.
A mal contida arteficialidade da senhora e a explosiva espontaneidade do cavalheiro. Do mal o menos, deixem lá o mesmo durante mais 5 inócuos anos.
Inócuos?
Boa tarde ,
a lançar lama para os adversários , Ana Gomes é muito melhor que Ventura , basta ver a insinuação que levantou sobre Marcelo e Ricardo Salgado no debate entre ela e Marcelo .
Luis Almeida
Sobre isso escreverei amanhã. Só pode ser um tema de cada vez.
É engraçado ver uns debates completamente inúteis, de uns eternos candidatos a uma eleição presidencial préviamente ganha.
Em pleno século XXI e depois de 46 anos de democracia, é só isto que temos para representar os valores de uma sociedade evoluída?
Preferia o quê? Emoções fortes, como aquela invasão de milhares de grunhos que há dias assaltaram o Capitólio em Washington?
Anda farto de tanta pasmaceira cá na terra? Cuidado com aquilo que deseja: pode tornar-se realidade.
Preferia que não houvesse tanta hipocrisia, acho que não é pedir muito, e que houvesse um bocadinho mais de qualidade na escolha dos candidatos.
Supostamente o Tino de Rans também é candidato, será que é mesmo uma candidatura séria e credível?
Não é uma questão de pasmaceira é uma questão de impostura.
Talvez o benefício para o país fosse maior se tratassem as pessoas com mais respeito sem as menorizar e manipular.
Tino de Rans é o único candidato que se destaca de forma democrata e honesta, é um Homem do povo tem um programa para todos os Portugueses.
Eu voto Tino!!!
E tu? Nos mesmos do costume que não têm uma única ideia !!!
Vocês nem merecem a calcada da rua que pisam!!!
Diogo Leite
E tu?
Eu não. Já tenho a minha quota de poetas lá da aldeia.
Eu nunca voto em candidatos que me tratem por tu.
Não lhe faça uma maldade dessas. Tino alguma vez gostaria de trocar Rans por Belém?
Foi um jogo de futebol de inverno, um lamaçal, sendo que uma equipa está adaptada ao terreno e outra prefere relvados bem tratados. Mas foi meia hora de pontapé para o ar.
No fim venceu a Gomes, ou o Ventura, conforme a posição política de quem viu.
Nem vale a pena andar a catar argumentos naquela pseudo conversa de meia hora.
Achei interessante as metáforas futebolísticas. Continuando nesse registo direi que Gomes e Ventura lutam apenas para “irem à Europa”, enquanto Matias e Ferreira tentam evitar a despromoção, com Silva e Mayan a ameaçarem ultrapassá-los.
Sousa tem o campeonato conquistado, faltando apenas saber qual a distância pontual relativamente a quem terminar em segundo.
Coisa pouco ou nada emocionante, pois.
Um sportinguista dizer que a luta pelo 2 ou 3 lugares não tem interesse é hilariante.
Mais hilariante é um anónimo, tapado dos cabelos aos tornozelos, opinar seja o que for.
Gomes e Ventura pensam estar a lutar por um lugar na Liga dos Campeões, mas quando derem por ela concluem que não passam na Intertoto.
Por acaso não se está a esquecer que os fora de jogo podem dar um cartão vermelho ao Sousa, ou não acredita?
Cartão vermelho, obviamente, será exibido ao candidato Ferreira. Pelos eleitores comunistas.
RECEITA ÚNICA
Confinamento geral, incluindo escolas cujas férias grandes seriam antecipadas a começar às 00H00M de amanhã,
Considerar apenas exceções para atividades inadiáveis e pessoas envolvidas nos respetivos serviços.
Cuidar de compensações para empresas e famílias com carências insuportáveis de vária ordem facilmente identificáveis.
Igualmente assumir suspensão temporária da constituição, estritamente em casos que possam prejudicar com inegável evidência o combate inadiável à praga que nos assola e que vemos de braços cruzados a crescer diária e dramaticamente.
Incrível como perante um calamidade desta natureza se pode alegar que a ,lei mais importante do país constitui um grande embaraço para um cabal combate à mortandade que teima em não nos deixar.
Nesta circunstância entraria sem objeções credíveis o adiamento das eleições presidenciais.
De Marcelo a Tino, o candidato que venha a terreiro defender medidas desta ordem teria seguramente o meu voto, que só por si nada vale.
Verdade. Incompreensível como todos são unânimes em assumir que a actual CRP necessita de alterações urgentes, mostrando a sua incapacidade para fazer o trabalho dentro das normas legais.
O que mais me inquieta é perceber como tendo 6 meses para preparar uma estratégia de combate à 2a vaga, os mesmos problemas que surgiram na 1a repetem-se. Tal como se prevê repetirem na 3a. Inconcebível.
É unânime que os idosos são os mais vulneráveis, mas, 10 meses depois, continuam a falecer às dezenas nos lares.
Entretanto os lobbys continuam a exercer pressão. Os profissionais de saúde são brindados com suplementos remuneratórios covid, mas depois de também ser unânime que os surtos em lares provêem dos profissionais de saúde que lá trabalham, e que simultaneamente desempenham funções noutros locais, ninguém se lembrou de, em vez de pagar o tal subsídio, obrigar estes profissionais a exclusividade aos lares, completando a sua remuneração com esse dinheiro.
Ninguém se lembrou de confinar os maiores de 65 anos, obrigando, por escrito, o familiar direto a garantir os cuidados de quem vive sozinho. Sob pena de incorrer em crime de ofensa à integridade física por negligência. E aqueles que não têm familiares próximos, serem apoiados pelas juntas, câmaras, bombeiros e polícias. Mas não. É mais pertinente mandar os polícias para rua, num show off de opressão e intimidação.
E não era difícil. Tanto as juntas como as polícias têm informação sobre os idosos de cada freguesia.
Enfim, duas ou três medidas que fariam alguma diferença, responsabilizando o cidadão e evitando a opressão policial a que assitimos.
Apreciável como conseguiu de uma penada por o dedo em todas as feridas.
Só acrescentaria em tom de ironia acutilante mas bem intencionada, o que já escrevi noutro sitio:
Toda a abundância de tretas, trocas e baldrocas insustentáveis que por aí campeiam, só podem ser sustentadas pela ideia sórdida de que num suposto acidente ferroviário, os operacionais de socorro não poderiam entrar nas carruagens para acudir, perante o argumento falacioso de não possuírem bilhete de viagem que os habilita-se.
Mas há alguém queira saber o que um outro, que sugere que detesta as habituais discussões futebolísticas das segundas, acha sobre os jogos eleitorais?
É evidente que aquele penálti não deveria ter sido assinalado porque veio na sequência de uma mais do que evidente falta, sim, de um livre não assinalado… ou melhor: há alguém que acredita nos comentários da segunda-feira de, por exemplo, um lagarto, a propósito do último jogo das águias contra os caramelos de Escabidela-de-baixo?
A resposta é sim, até há: os restantes lagartos sentados na mesa do café!
Isso todos sabemos. E todos sabemos que o Pedro Correia muito bem sabe destinguir dedo a apontar e Lua … metáfora foleira, não é?.
“Destinguir”?
Caramba, nem com as novas oportunidades isso lá vai…