Também não lhes dou confiança


Pedro Correia,

thumbnail_20201204_120552[1].jpg

 

«Sou um forte adepto do uso das máscaras e da sua obrigatoriedade. Dito isto: detesto andar de máscara, recuso tirar uma fotografia com ela posta, só uso máscaras descartáveis, para não lhes “dar confiança” e não criar a ideia de que elas vieram para ficar nas nossas vidas para todo o sempre.»

Palavras de Francisco Seixas da Costa, que me dispensam de escrever sobre o mesmo tema. Porque as subscrevo por inteiro.

46 comentários em “Também não lhes dou confiança”

      1. A minha opinião é que em caso algum as máscaras servem para grande coisa. As máscaras reutilizáveis que utilizo nem sequer filtro têm (são um simples pano) e isso em nada me preocupa. Só as uso para não estar em violação flagrante da lei, não para me proteger ou para proteger seja quem fôr.

          1. Se usa máscara reutilizável sem a lavar diariamente pode tapar a boca e as narinas com um lenço ou um cachecol: vai a dar no mesmo.

          2. Eu não uso máscara na rua, excepto se não for possível manter o distanciamento ( o que raramente me acontece pois evito locais muito frequentados). Se fosse possível entrar em estabelecimentos de cachecol eu usaria cachecol, porque duvido muitíssimo da eficácia das máscaras no uso quotidiano. Só servem para apanhar algum perdigoto e para dar uma (falsa) sensação de segurança. Só faz sentido usar em contacto com doentes e com as adequadas medidas de higiene que são impossíveis de manter no uso quotidiano.

          3. Melhor, mesmo, usar máscara. O cachecol é mais apropriado para proteger-nos do frio – não dos germes em geral nem deste coronavírus em particular.
            Mas uso racional da máscara, claro. Esta obsessão de circular com ela em ruas onde não passa mais ninguém ou em passeios larguíssimos onde cada qual nunca precisa de se aproximar de ninguém (já nem falo do uso constante de máscaras em transporte individual) já não é prevenção: é masoquismo.

  1. Pois eu sou fortemente contrário à obrigatoriedade do uso de máscaras, e violo tal obrigatoriedade sempre que posso. O uso de máscaras dá uma falsa sensação de segurança – não há nada como o distanciamento físico e a etiqueta respiratória. O uso de máscaras comprovadamente de pouco serve, como se vê no caso da República Checa, onde se usa máscaras desde a primavera e nem por isso se obliterou uma forte segunda vaga da epidemia.

  2. Tirando o disclaimer subscrevo o resto.
    Acrescento apenas que me irrita solenemente que alguém se ache no direito de restringir o ar que eu respiro. Se a moda pega qualquer dia é obrigatório beber água por uma palhinha.

    1. Palhinha não porque os plásticos estão em vias de ser banidos do espaço público em nome da correcção ambiental. Ou estavam, antes do coronavirus. Agora vejo-os em todo o lado – dos recipientes de álcool gel aos invólucros das máscaras, passando pelos inúmeros recipientes da comida distribuída ao domicílio. Sem que ninguém reclame, o que não deixa de ser curioso.
      Como era este ano quando começou e como está agora, prestes a terminar… Nada a ver uma coisa com outra.

      1. Tem toda a razão. As autoridades já se queixaram de que a epidemia conduziu a um forte aumento da quantidade de lixo produzida pela generalidade da população.

      2. Também iam retirar os cotonetes do mercado e imagine os milhares (formato XXL) que são agora usados nos testes covid.
        Ironias do destino…
        E as máscaras, ai as máscaras: inacreditável a vaidade de todos/as que as usam como acessório de moda e/ou de diferenciação, para não se confundirem com a plebe…
        Para além de ridículo, é um gastar de dinheiro que poderia ser usado em coisas bem mais úteis e necessárias do que bordar máscaras.
        😷
        Maria

        1. Bem observado, Maria.
          Quanto às cotonetes, de facto nunca foram tão usadas e abusadas como agora. Coitados dos pinguins da Antárctida e dos ursos siberianos: nenhum “activista” voltou a lembrar-se deles.

        2. Vamos partir do princípio que as cotonetes usadas nos testes covid não são atiradas ao mar. Serão tratadas como desperdício hospitalar.

    2. “alguém se ache no direito de restringir o ar que eu respiro.”
      Calma aí. É que o ar que você respira volta a sair e depois respiro-o eu.
      Ora se levar à letra o que diz: “me irrita solenemente que alguém” etc. …. os outros também podem ficar irritados por você restringir (conspurcar) o ar que esses outros respiram.
      O problema reside em que o Homem não é Rinoceronte, isto é não é solitário.

      1. Se para você o sinónimo de restringir é conspurcar então a sua cabeça deve estar um bocado confusa.
        E já agora se os outros ficarem irritados qual é o problema? Ou melhor o facto de eu ficar irritado qual é o seu problema?

        1. “o facto de eu ficar irritado qual é o seu problema?”
          Meu não é nenhum. Isto de comentários em blogues é só conversa (para nos distrairmos no confinamento)

  3. Sou apoiante do uso de máscara, apoiante quer dizer: deve ser obrigatório o usa de máscara para evitar ao máximo o contágio.
    No entanto, já começo a ficar confuso quando aparecem em programas das TVs com várias pessoas sem máscara e, principalmente, como será daqui as tempos, quando isto passar, encarar o não uso e a vida normal de beijos e abraços.

    1. Segundo vou observando, vai-se tornando habitual os namorados beijarem-se de máscara. Não vá a madre superiora dar-lhes tau-tau.
      Às vezes sinto-me como intruso num colégio de freiras.

  4. Seixas da Costa tem no Duas ou Três Coisas um blogue geralmente agradável de ler, principalmente quando recorre às infindáveis memórias do seu tempo enquanto embaixador.
    É menos agradável quando começa a louvar este governo, este PS, e este PM, mesmo em situações onde claramente todos eles falham clamorosamente. Compreendo que Lisboa é pequena e são todos amigos, mas…

      1. Não há mal nenhum nisso.
        Há uns dias o Duas ou Três Coisas foi eleito por aqui o blogue da semana – e o Dr. Seixas da Costa veio agradecer a menção. E eu comentei nesse post mais ou menos o mesmo que comentei aqui neste post, incluindo que no Duas ou Três Coisas é-se “cortado” por discordar – por exemplo discordar, educadamente, digo já, do “excelente trabalho” de Marta Temido e Graça Freitas. Eu sei, o Dr. Seixas da Costa cortou-me, não por eu ter mandado alguém à mãe, mas por não perceber muito bem a magnífica estratégia das senhoras.
        É o blogue dele, é moderado por ele, está no direito dele. Pode censurar quem diz mal, e também quem não diz bem – tenho bom remédio, vou lá, leio, e abstenho-me de comentar.
        Acontece que quem recomendou o Duas ou Três Coisas aqui também me cortou, o que é duma fina ironia. Eu sou então censurado no Delito por comentar que fui censurado no Duas ou Três Coisas. E não há mal nenhum nisso.
        A propósito, está lá um comentário – que o Dr. Seixas da Costa achou que devia ser publicado – a dizer especificamente mal deste blogue, especificamente de si e da sua “prosa execrável” sobre Graça Freitas. É um comentário menos educado do que o que ele me cortou, mas este o Dr. Seixas da Costa achou por bem deixar passar. Não há mal nenhum nisso (não para mim), apenas a agenda censória daquele blogue baralha-me um pouco. Ou não, porque vai-se a ver, e quem me cortou aqui tem um blogue chamado Mala Diplomática e Seixas da Costa foi diplomata – daí eu comentar que Lisboa é pequena. Não se diz mal dos amigos.
        Esta longa prosa, Pedro Correia, para lhe dizer que tento não fazer julgamentos, não são da minha conta, mas constato. E espero que não haja mal nenhum nisso.

          1. Não creio que me tenha censurado alguma vez. O que muito agradeço, pois tento não dar motivos para tal.

  5. Também subscrevo e além de não gostar de usar causa-me imensa impressão ver os outros com isso. Às avisto vejo pessoas ao longe e já dá para ver que estão com aquilo. Parece que têm um saco na cara. E também me pergunto porque é que há pessoas que tiram fotografias com isso posto. Há dias, apareceu-me na net um criatura a tirar uma fotografia com a neve ao fundo de máscara – sem que ao lado, tirando a pessoas que fotografava (a uns bons metros) estivesse absolutamente ninguém.

    Para além do essencial, das coisas que menos vou lamentar quando acabar a pandemia é o fim do uso disto. Agora há aí uns visionários que descobriram que a gripe pode ser evitada se se usar máscaras no inverno. Espero bem que seja mera declaração de intenções, até orque duvido que o grosso das pessoas subscreva. Além de que também já ouvi virologistas a afirmar que não é boa ideia pode se arriscam a enfraquecr a imunidade do corpo face a várias doenças.

    1. Eles gostariam que a gente nunca saísse de casa – que vivêssemos todos em prisão domiciliária por tempo indefinido – e que usássemos máscara em todas as ocasiões, mesmo nas mais desnecessárias.

      Vejo por vezes uma pessoa na rua, caminhando sozinha em passeios largos, sem ninguém 20 ou 30 metros em redor. E lá vai de cara tapada, nem ela deve saber bem porquê.
      Vejo também cada vez mais indivíduos a guiar de máscara, sem mais ninguém no interior do automóvel. Algo totalmente absurdo.

      Esta gente, se aparecesse agora um lunático qualquer decretar o uso obrigatório de burca, começava logo a circular na rua tapada dos cabelos ao tornozelos.
      Já estivemos mais longe disso.

      1. Essa dos tipos que andam de máscara no carro sem mais ninguém é algo que me ultrapassa. Nem sequer deve ajudar muito À condução. Tenho pena dos morotistas de autocarros, camionetas, táxis, ubers, etc, que não pode deixar de o fazer.
        Pensar que há meros nove meses não só se prevenia para o excesso de plástico (ainda estes dias ouvi novo apelo, mas não sei se os seus autores se terão dada conta da época em que vivem) mas também para a necessidade de as pessoas andarem de cara bem visível, por razões de segurança, sendo o principal argumento para a proibição de burkas, niqabs e tudo o que escondesse o rosto.

      2. “Vejo também cada vez mais indivíduos a guiar de máscara, sem mais ninguém no interior do automóvel. Algo totalmente absurdo.”
        Pode não ser, não sabemos se esteve outra pessoa no carro – o princípio é o mesmo (acertado) de usar máscara nos elevadores (ainda que esteja sozinho). E há quem use no carro por questões práticas, para não estar a colocar cada vez que necessita frequentar um espaço público. Isto é assunto? Cada um faz como entende, este blog às vezes parece o muppett show, sendo vc aqueles 2 seniors sp no corte…
        Máscaras de pano é só ridículo, não servem para nada. As cirúrgicas melhor, mas essencialmente protegem os outros – deveria ser obrigatório o uso de m. FP2, a preço acessível, claro, porque para um agregado familiar é uma tenda não despicienda…

        1. Ridículo é ir um meco na rua e cruzar-se por segundos com alguém que vai sem máscara, caminhando a passo apressado, e ficar a rosnar insultos a essa pessoa.
          Logo a seguir o mesmo meco cruza-se com fulanos a fumar, a comer uma sandocha ou a beber uma água, todos sem máscara, e aí já nada tem a objectar.
          Mais adiante passa por esplanadas, onde está toda a gente sem máscara, uns a beber café e outros a fumar (espalhando eventualmente o vírus a vários metros de distância quando sopram o fumo) e volta a meter a viola no saco. Talvez ainda a pensar no indivíduo sem máscara, em passo acelerado, com quem se cruzara inicialmente.

          Alguns desses mecos, aposto, são comentadores anónimos em blogues.

    2. “Agora há aí uns visionários que descobriram que a gripe pode ser evitada se se usar máscaras no inverno. Espero bem que seja mera declaração de intenções, até orque duvido que o grosso das pessoas subscreva.”

      Não menospreze essa intenção, é mesmo real em boa parte do “funcionalismo cientista” . A pulsão para controlar o outro e atingir a perfeição “científica”.
      …você não usa cinto de segurança? então porque não pode usar máscara na gripe, vai matar os vulneráveis…
      Eu aliás tenho um temor ainda maior, que isto vá dar ideias de guerra biológica anti-humanidade a fanáticos do ambiente. E há muitos endoutrinados a estudar em Universidades matérias perigosas.

      1. Questiono-me sempre se os militantes anti-máscara em nome da “liberdade pessoal” também andam de carro sem cinto de segurança, também andam de moto sem capacete, também evitam vacinar os filhos, também fumam em locais fechados.

        1. Então mas as máscaras não são supostamente para proteger os outros?
          Então e se os outros não me quiserem proteger, não será melhor eu cuidar de me proteger? Ou tenho de esperar que o governo me passe um atestado de menoridade e decida por mim a melhor maneira de protecção?
          Acho que está a haver uma grande confusão entre o que são as funções do estado e a liberdade pessoal. E também entre o que são recomendações da DGS e obrigações passíveis de sanção.
          Estamos a confundir obrigações morais com obrigações criminais.
          O facto de ser prejudicial à minha saúde eu fumar, não implica que a DGS me proíba de fumar.
          Eu não tenho de obrigar os outros a usar quaisquer artefactos para me proteger, o que eu tenho é de ter informação séria sobre qualquer possível maleita e meios de protecção adequados, mas que não impliquem terceiros.
          Neste momento, se eu morar numa aldeia com meia dúzia de pessoas, que sentido é que faz um recolher obrigatório? Ou fechar a padaria que é o sustento da aldeia às 13 horas?
          Cada vez me convenço mais que isto não tem nada a ver com saúde. Isto é um problema económico não só europeu, mas também de nível mundial, puro e duro.

    1. Eu prefiro sempre pessoas de cara destapada do que encapuçadas – sejam de que partido forem, tenham a ideologia que tiverem. Com a ressalva da máscara, em circunstâncias imperativas, por obrigação legal e dever cívico decorrentes da pandemia.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *