Sophia


Sérgio de Almeida Correia,

“Da política nem falo. Ou melhor falo. É uma política dominada pela exterioridade, pela vaidade e pela leviandade machista. (…) Graças a Deus sou mulher e por isso não sinto necessidade de triunfo de carreira. Aliás penso que um artista não deve ser governo, mas sim influenciar os governantes.” Março, 1978, in Sophia de Mello Breyner & Jorge de Sena, Correspondência 1959-1978

 

Os mesmos que a colocaram no Panteão são os mesmíssimos que recebem e acolhem Obiang em Lisboa e que o acolherão em Díli, de braços abertos, no dia 23 de Julho. Não sei que escreveria ela a contar ao seu amigo Jorge de Sena se soubesse disto e depois ouvisse Cavaco Silva dizer o que disse, logo ele que confundindo a função com os gostos pessoais recusou estar no funeral do único Nobel da literatura português, coisa por que ela tanto lutou. Relendo o que Sophia escreveu é caso para dizer que a hipocrisia e a desfaçatez não conhecem limites em Portugal. E fazem escola.

2 comentários em “Sophia”

  1. sou mulher e por isso não sinto necessidade de triunfo de carreira

    Que significará esta frase? Que ela se sente cómoda a viver à custa de um homem que, ele, triunfou na carreira? Que ela defende que as mulheres podem muito bem contentar-se com funções subalternas nas suas carreiras? Mas, se têm essas funções subalternas, são capazes de se sustentar a si mesmas (e à sua prole), ou dependerão de um homem para isso?

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