Antevisão dos quartos de final, parte 1.
Alemanha – França
Este é o duelo que vai ser mais interessante. É o único entre duas equipas que se preocupam mais com jogar futebol do que em interromper o adversário. Será também o duelo mais imprevisível do ponto de vista táctico. Deschamps tem alternado a composição do meio campo de acordo com o adversário. Contra a Nigéria jogou num híbrido de 4-3-3 e 4-3-1-2 que não resultou até Griezmann entrar. No jogo contra a Alemanha não imagino Griezmann a jogar de início, mas é muito provável que Deschamps aposte em Moussa Sissoko para apoiar o lado direito e permitir as subidas de Débuchy. Do lado esquerdo deverá apostar nas subidas de Matuidi e, talvez, de Evra, que provavelmente não terá alas fixos que o ocupem. Além disso, um meio campo Sissoko, Pogba e Matuidi, apoiados pelos passes e posicionamento mais defensivo de Cabaye, terá enorme flexibilidade táctica.
Do lado alemão a grande questão passará pelo nome do jogador para ocupar o lado direito da defesa. Hummels deverá regressar depois da gripe que o impediu de jogar contra a Argélia (outros jogadores estarão neste momento com sintomas) e fica por saber se Löw opta por recolocar Boateng do lado direito ou se prefere fazer entrar Khedira e recolocar Lahm (Boateng deverá sempre jogar, seja onde for). A opção mais provável, assumindo que Hummels está bem, será um regresso ao estilo habitual, com Boateng na direita e Lahm no meio campo. Se assim for, e se Schweinsteiger jogar de início, o meio campo alemão bem se poderá ressentir da falta de força física, sendo que o tipo de arbitragem terá grande influência (será à inglesa ou parará o jogo por tudo e por nada?).
Pessoalmente vejo este jogo como acabando com uma vitória francesa que só exibições individuais fantásticas dos alemães poderão evitar. Se assim for, Löw perderá certamente o lugar.
Brasil – Colômbia
Um jogo para os românticos. O eterno Brasil contra a cinderela deste mundial. O problema é que este Brasil não é nenhum representante do “jogo bonito”. O onze inicial brasileiro será desconhecido (entra Paulinho?, Fernandinho?, Ramires?) mas a táctica será óbvia: interromper o jogo com faltas sempre que a bola chegue aos pés de (especialmente) James Rodriguez e Cuadrado. Depois é uma questão de a dar a Neymar e esperar que ele resolva. Uma outra questão táctica será a de saber se Scolari jogará com Neymar na esquerda ou pelo centro. Na esquerda ele daria liberdade a Óscar (que está visivelmente cansado) e poderia controlar melhor as subidas dos laterais (essenciais para dar largura ao jogo de uma Colômbia em 3-5-2). No centro ele segue a táctica habitual de Scolari para o mundial e Óscar, que é melhor a defender, terá como missão ser mais defensivo. Uma alternativa seria a entrada de Willian, que trabalha imenso e está em forma, mas Scolari não gosta muito de se desviar dos planos que tem (eu prefiro dizer que é teimoso).
Gostaria de prever uma vitória da Colômbia e espero que assim seja, mas as tácticas de Scolari (que têm tido algum apoio de árbitros um pouco caseiros) e o apoio do público, bem como a presença de Neymar, poderão mudar as coisas.

Alemanha – França é «o único entre duas equipas que se preocupam mais com jogar futebol do que em interromper o adversário» – concordo. Verdade seja dita: a Alemanha é sempre muito correta, nesse aspeto.
Se a Cristina fôr assistir a um jogo de futebol feminino, também verá essa correção. As jogadoras fazem faltas, mas nunca de propósito e nunca faltas graves. Uma jogadora nunca vê neutralizado o seu talento através do recurso propositado e sistemático à falta.
a táctica será interromper o jogo com faltas sempre que a bola chegue aos pés de James Rodriguez e Cuadrado. Depois é uma questão de a dar a Neymar
Se a Colômbia decidir aplicar tática análoga, fará falta sempre que a bola chegue a Neymar. Teremos assim uma competição a ver quem é mais faltoso, quem faz mais faltas recebendo menos cartões do árbitro, quem consegue destruir fisicamente mais rapidamente os jogadores adversários sem ser expulso.
Em suma, teremos o oposto de um jogo.
É por isto que eu gosto de assistir a futebol feminino: porque as mulheres raramente, ou nunca, fazem falta por má intenção, nunca tentam neutralizar o talento das adversárias recorrendo à falta.
Gostar de assisitir ao futebol feminino é uma boa notícia!