Sócrates faltou ao respeito a 700.000 portugueses


Rui Rocha,

Os dados hoje divulgados pelo INE revelam um país a caminho do colapso social. O número é redondo e assustador. São 700.000 desempregados. Tudo isto se torna mais sinistro se considerarmos os milhares que já foram obrigados a emigrar ou se tivermos em conta que, nesses 700.000, existe um número significativo de pessoas que não chegaram a adquirir direito a apoio no desemprego ou que já o perderam. O drama assume proporções insuportáveis para alguns milhares de agregados familiares em que o demprego atingiu os dois elementos do casal. Há umas dezenas de anos, num Portugal que críamos e queremos longínquo, Baptista-Bastos escreveu uma crónica sobre uma família de Setúbal que entaipou as janelas para que os filhos não pudessem ver os bolos exibidos na montra da pastelaria que ficava do outro lado da rua. Pois bem, perante estes números, a fome volta a ser um dado da nossa realidade. O país tinha-se habituado aos comentários sobre as estatísticas de desemprego de Valter Lemos, na qualidade de Secretário de Estado de Qualquercoisa. Hoje, José Sócrates sentiu-se na obrigação de assumir pessoalmente o papel de papagaio. Para justificar o desastre, invocou a estafada situação internacional e, fundalmente, a alteração metodológica na recolha de dados. Como solução, apresentou as Novas Oportunidades. Ora, deixando de lado as percentagens e a sua evolução, o número oficial absoluto de 700.000 desempregados, esmagador como é, aí está. E a falta de resposta credível também. Ao esconder-se atrás do método, Sócrates associa à incompetência na governação uma tremenda falta de vergonha e de respeito por todos aqueles que sofrem na situação de desemprego. O malabarismo  estatístico torna-se um número insuportável quando é apresentado a uma plateia que já só pode trincar os ossos de meio frango.  Todos sabemos que o caminho de Sócrates jamais se cruzou com o percurso da realidade.  Perante atitudes como esta, percebemos também que esse mesmo caminho está, cada vez mais, muito para além da linha de fronteira que marca o início do território da indignidade.

13 comentários em “Sócrates faltou ao respeito a 700.000 portugueses”

  1. A esquerda está doida, só pode, ainda mais do que o habitual.
    Então não é que criaram um grupo no facebook chamado “A CULTURA NÃO PRECISA de FRANCISCO JOSÉ VIEGAS” onde está o próprio secretário de estado da cultura, dois deputados do ps (joão soares e fagundes duarte) e a fina flor do bloco: miguel portas, daniel oliveira e até o major tomé! também lá está a vice-directora do i e alguns escritores como eduardo agualusa. mesmo para quem se habituaou aos disparates desta gente toda esta afirmação é incrível. Ora vejam com os vossos próprios olhos https://www.facebook.com/home.php?sk=group_211343218897311&view=members&s=0

    1. À primeira vista, o seu comentário não tem relação com o post, João. Todavia, pensando bem, um tema e outro estão relacionados. O ambiente de total alheamento da raealidade une ambas as situações.

    2. Para quem interessar: eu fui de facto integrado neste grupo, sem que me pedissem autorização. Escrevi logo uma nota a dizer que não tinha nada a ver com isto, que não faz parte da minha maneira de actuar subscrever asneiras deste quilate, e que me deveriam retirar dele. É, por isso, falsa a afirmação de que eu integro o grupo — e muito grato ficaria se reconhecessem que nestas coisas há gente que se serve dos outros para afiançarem os disparates que produzem.

      Obrigado, cumprimentos,
      Luiz Fagundes Duarte

  2. … depois há coisas inacreditáveis como o de não se saber se as medidas para acabar com o desemprego de longa duração que atinge mais uma faixa etária na casa dos 45/55 anos, tiveram algum efeito, apesar dos anúncios de reduzir taxa aqui e atribuir subsídio acolá a empresas que empregassem esse tipo de desempregados. Coisa que o CDS sempre pugnou, mas ninguém sabe que efeitos tiveram essas medidas.

    1. Pois, Ze Luis. Quanto mais virtual, melhor. Nada de medir efeitos. E, quando são divulgados dados objectivos e absolutos, invoca-se a estatística.

      (logo estaremos em campos opostos)

  3. Se um condutor de uma carroça pode ter que se sujeitar a um controle de álcool e de droga, um condutor de um País não deveria a tal ser obrigado? E constantes fúrias e ataques de histerismo não deveriam ser prevenidas acautelando a estabilidade emocional para gente com altas responsabilidades ?

    1. Ora aí está uma proposta cheia de potencial, Amarques. Em todo o caso, o melhor será submetê-lo ao teste eleitoral para o despachar. E depois logo vemos.

      1. Está lançada a bisca. Eu sou das obras e sei que até um modesto servente para exercer a actividade tem exames médicos regulares obrigatórios. A queda ou o colapso de um País não é menos importante que o tombo de um andaime ou um soterramento fatal.

        1. Caro a. marques desconheço que haja centros de medicina no trabalho com gabinetes psiquiátricos.

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