Sobre Wilson Filipe e a generosidade da esquerda


Paulo Sousa,

Já por várias vezes senti que se tivesse crescido numa herdade ou à volta de uma fábrica onde o proprietário fosse um arrogante plenipotenciário, abusador no trato e faltoso nos direitos, a mensagem comunista teria sido para mim muitíssimo apelativa.

O esforço para entender o imaginário em que se baseia a lógica de parte de esquerda, e que constitui o mainstream português das últimas décadas, é bem menor depois de ler Fernando Namora, ou outro autor do neo-realismo da nossa literatura.

Numa versão italiana, o filme Novecento de Bernardo Bertotolucci é também um excelente exemplo disto mesmo. Aquela enorme bandeira vermelha tecida com as pequenas bandeiras vermelhas guardadas secretamente em casa, que são cosidas todas juntas no dia da libertação do fascismo, por acaso também num 25 de Abril, é incrível. Toda a concepção do filme é grandiosa, a infância das personagens, um proprietário e um assalariado que nasceram no mesmo dia em 1900, foi filmada na Primavera, a sua idade adulta passa-se no Verão e no Outono e no Inverno chega o fascismo. O avô, Alfredo Berlingheri, é representado por um Burt Lencaster que por ter gostado do conceito da obra aceitou representar gratuitamente. O calor, as cores e a energia da Primavera da infância são substituídos pelo frio e pelo gelo da ditadura. Este tempo frio e cruel é personalizado magnificamente pelos abusos perversos do cruel Átila (Donald Sutherland) e da sua amante, Regina.

Na versão de coleccionador do filme, Bertolucci relata que chegou a pedir à Academia Soviética um actor para dar corpo ao assalariado Olmo Dalco, mas que desistiu logo depois de lhe terem começado a pedir o script da obra. Esta personagem acabou por ser representada por um Gérard Depardieu em início de carreira, e que ali contracena com outra estrela maior em ascensão, Robert de Niro.

Bertolucci relata nessa mesma versão de coleccionador, que a rodagem do filme se foi arrastando, semanas após semanas, meses após meses, e dentro do staff do filme algumas relações amorosas foram constituídas. Quando ele decidiu que estava na hora acabar o filme, sentiu que estava a interromper equilíbrios que tinham sido ali estabelecidos. A revolta e o mau-estar sentiram-se de imediato.

Novecento.jpg

Vi este filme pela primeira vez na Cinemateca em duas sessões (são 5h17m!), legendado em castelhano e, devido à sobrelotação, só consegui lugar sentado no corredor central da sala. Este texto não estava para ser sobre este filme que, pelos muitos momentos fortes e por se tratar efectivamente de uma obra-prima do cinema, merecia um post próprio.

Com tudo isto em mente, entendo que ser de esquerda, mais ou menos revolucionária, é como um grito de revolta, é um acto de generosidade e de humanismo. Mas, e aqui reside a sua fraqueza, na sua acção pretende esmagar a natureza humana.

Na história da nossa recente democracia, existem vários momentos onde estas duas visões estão em confronto, mas em nenhuma encontro a força e a genuinidade como no debate sobre a propriedade da enxada, no filme de Thomas Harlam, rodado na herdade da Torre Bela em Abril de 1975, e em que Wilson Filipe é um dos seus protagonistas.

“Qual é o valor da tua ferramenta?” podia ter sido uma pergunta feita no Novecento de Bertolucci, mas foi feita em Manique do Intendente no prelúdio do Verão Quente de 1975. “Amanhã tiram-me as botas e ficam da cooperativa! Daqui a nada o que eu visto e o que eu calço é da cooperativa!” diz o incrédulo nos amanhãs que cantam.

A injustiça pela incorrecta distribuição de riqueza será uma camada adicional não contemplada pelos estudos de Adam Smith. Entre muitas coisas (a mão invisível será o seu conceito mais conhecido e, atenção não estamos a falar do governo de José Sócrates, o príncipe da esquerda!) preocupou-se em entender como é que a riqueza se acumulava em algumas regiões e noutras não. Ele reparou que nem o talhante, nem o cervejeiro nem o padeiro agiam por benevolência, mas apenas considerando os seus próprios interesses. E concluiu que era possível combinar a natureza humana no empenho dos seus interesses próprios, com o bem comum na criação de riqueza para a economia. Defender isto não implica que o talhante, o cervejeiro e o padeiro, sejam impiedosamente egoístas, mas apenas que eles, zelando pelos seus interesses pessoais, acrescentam riqueza à sociedade e à economia, e se o bolo for maior, haverá mais para distribuir. Adam Smith não fala nesta redistribuição mas eu acho que desde que não se sacrifique a capacidade de criação de riqueza, a redistribuição faz todo sentido.

A esquerda mais aguerrida, não aceita esta lógica. Prefere de longe que seja o estado, e os seus zelosos funcionários, a definir as acções do talhante, do cervejeiro e do padeiro. O estado, ou a cooperativa, deve ser o dono das enxadas e, mesmo sabendo que a história da ocupação desta herdade é apenas mais uma das inúmeras tentativas em expropriar a natureza humana, insistem em repetir a fórmula que repetidamente tem trazido fome e miséria aos que já eram mais pobres.

Tudo este texto foi desencadeado pelo desaparecimento de Wilson Filipe, uma das figuras que lideraram a ocupação da herdade da Terra Bela em 1975 e que defendeu a apropriação dos bens privados pela cooperativa. Não duvido da sua coragem, da sua sede de justiça e da sua humanidade. Foi apenas, como muitos dos idealistas de esquerda, derrotado pela realidade e pela natureza humana.

50 comentários em “Sobre Wilson Filipe e a generosidade da esquerda”

  1. é representado por um Burt Lencaster que por ter gostado do conceito da obra aceitou representar gratuitamente

    nem o talhante, nem o cervejeiro nem o padeiro agiam por benevolência, mas apenas considerando os seus próprios interesses

    Num mesmo post apresenta-se uma contradição: diz-se que as pessoas só agem por interesses egoístas, mas apresenta-se o caso de uma pessoa que agiu sem ser por tais interesses.

      1. E por oposição a essa ideia, os pobres não são livres. Em comparação com os demais países europeus, a liberdade relativa dos portugueses é cada vez menor.

  2. A quem não viu, recomendo o regresso, 35 anos depois, às mesmas pessoas e ao mesmo local, no filme “Linha Vermelha” de Luís Filipe Costa. Apesar do objecto do documentário ser mais o filme original do que as respectivas personagens, a “evolução” do ora falecido Wilson (perfeitamente previsível) deve ter deprimido os últimos crentes nas tontices de 1975 (o que, naturalmente, não ajudou à popularidade do filme no nosso “meio cultural”).

    1. caro maiúsculo, o interessante é que não se tratou de uma “evolução” (um a posteriori), aquilo já vinha de trás …

  3. Paulo, todos os sistemas económicos são baseados num conceito de natureza humana. Adam Smith e muitos outros economistas, filósofos, de XVIII basearam-se em conceitos teóricos completamente desligados das ciências naturais, como a biologia, genética, psicologia moderna, surgidas em XX e com estrondosos avanços em XXI (Damásio e as Neurociências). Desta forma é possível que o tal modelo económico, idealizado pelos “capitalistas” de então, que tomamos, ainda, como o mais natural ao Homem (o Homem como um ser racional, que baseia as escolhas segundo o seu próprio interesse) seja… uma patranha igual ao comunismo. Mas a patranha dos vencedores da história, claro.

    https://youtu.be/DZoP5anr2Jk

      1. O comunismo caiu, mas dizer que o capitalismo é um vencedor é capaz de ser prematuro.
        Tal como nunca se fez nenhuma sociedade igual à teorizada pelos comunistas, as tentativas de fazer uma sociedade 100% capitalista, falharam sempre.

  4. Bem, nos comentários do meu postal sobre “A Torre Bela” um comentador transcreveu parte de uma entrevista que o agora falecido deu em 2008, narrando o seu percurso biográfico daquela época. O homem era um mariola, de generoso revolucionário teria bem pouco.

    1. O impulso que levará alguém a querer liderar um movimento desta natureza resultará de uma combinação de factores, tais como estar na posição certa no momento certo, desejar algum protagonismo e ascendência sobre os demais e muitas outras coisas entre as quais acredito haver alguma generosidade.

      1. acredito que sim, em muitos casos. Agora, num plano mais profundo, isso de “generosidade” tem muito que se lhe diga – quantos movimentos políticos não foram animados de algum tipo de “generosidade” (mesmo que esta em detrimento de outros) a que nós agora franzimos o cenho. E, no entanto, continuamos a fazer esta destrinça, estruturante, entre a “generosidade” dos agentes dos totalitarismos de esquerda comunista e o “egoísmo” dos agentes dos totalitarismos de direita (e, quantas vezes, dos da mera democracia liberal). Somos frutos da romantização literário-artística dessa “esquerda”. E, mais do que tudo, somos ainda netos de Yalta. Está um bocado na altura de abandonarmos isso. Mas também não é grave.

        1. É bem visto.
          Olhando de novo para figuras como Wilson Filipe, ou o Olmo de Bertolucci, a busca de uma justiça que repare as dores antigas será tão mais forte, quanto maiores a injustiças sofridas.

        2. ” continuamos a fazer esta destrinça, estruturante, entre a “generosidade” dos agentes dos totalitarismos de esquerda comunista e o “egoísmo” dos agentes dos totalitarismos de direita”.
          “continuamos”, quem? Há o inverso: há quem pense que a esquerda comunista seria violenta e torcionária por natureza e a direita seria virtuosa. Cada um tem a sua opinião sobre isto. Ainda hoje imensas pessoas continuam a achar que qualquer comunista é um Estaline em potência.

          1. Isso resultará do facto dos regimes comunistas serem coerentes na insistência da sua própria falência. Quem conta a história são os regime mais duradouros e mais sustentáveis. Importa salientar que, por exemplo, a URSS não foi derrotada militarmente como aconteceu à Alemanha Nazi, mas simplesmente se escangalhou.

          2. Quem quiser conta a história. Uns assim, outros assado. É curioso que a direita se sinta refém da história que os outros contam. O “continuamos” é revelador. Era tempo de a direita se deixar desses complexos.

          3. Pedro, para não se estar com especulações retóricas: a constituição portuguesa proibe a ideologia fascista e aceita a existência de vários partidos comunistas. E sim, qualquer comunista (ou “social-democrata” no linguajar actual) é um candidato a estaline ou polpot de trazer por casa. Ou a seu esbirro. E é o facto de não ser imediata a percepção do quão execranda é a filiação a essa imunda ideologia que consagra o facto de ainda sermos netos de Ialta, de crermos que não há um mal individual abissal, uma peçonha imunda, nos pedros deste mundo.

  5. Um texto repugnante a favor da violência agressiva e do genocídio social, a que nem consegue chamar Ditadura.
    Chamar “generosidade” ao Supremacismo Social…
    Pol Pot era um tipo generoso.Lenine era um tipo generoso, Estaline era um tipo generoso, Fidel Castro era um tipo generoso.
    É preciso ser cruel para ser generoso com as coisas dos outros e se resistirem com os corpos dos outros. É isso que teria acontecido se alguém tivesse querido preservar a sua Liberdade na Torre Bela em 1975.
    Teria sido preso, torturado, quiçá seria é logo assassinado.
    A razão porque Portugal não entrou em Guerra Civil em 1974-5 foi tudo alheia à cultura da Esquerda. Foi por causa da cultura de religião, por causa do saber de séculos. Há mais generosidade aí que em toda a esquerda.

    1. Dizer que este texto lhe causa repugnância, tudo bem, agora achar que aqui defendo a violência agressiva e o genocidio social, é de uma grande imaginação e falta de rigor. Essa falta de moderação e de capacidade de tentar entender a motivação dos outros é idêntica à que é frequente nas derivas lunáticas e autoritárias. Talvez se ler novamente o meu texto, sempre a fazer um esforço por ir respirando pausadamente, possa mudar de opinião.

    1. Não me identificando com os seus ideais, mantenho o que disse à cerca de Wilson Filipe, e acrescento que foi uma pessoa que viveu intensamente o tempo que lhe foi dado a viver. Felizmente o projecto ditatorial que defendia não singrou.

  6. Gostei muito desta reflexão. Tem razão quando diz que a desigualdade gritante é um motivo para acreditar nos ideais de esquerda, apesar de serem contrários à natureza humana.
    Na minha opinião o grande problema da esquerda é que na ânsia da redistribuição cria uma clientela que se torna incapaz de se valer a si própria.
    O problema dos subsídios não é tanto o facto de serem rendimentos retirados aos que trabalham, mas o de fomentarem a inércia e a inépcia dos que recebem.
    Viver de subsídios não é saudável para a alma. Não o é para os indivíduos, nem para os países.

    1. A redistribuição por si só é um elemento com algo de falacioso.
      Porque se gera riqueza, e essa riqueza não é distribuída, parte dela é usada para manter a máquina (do Estado) a trabalhar. Quanto maior e mais ineficiente a máquina for (e aqui entra também a burocracia), mais energia precisa para se manter em funcionamento, e menos riqueza sobra para distribuir.

    2. Os ideias de Esquerda não têm nada que ver com generosidade mas com poder.
      Basta ver o filme da Torre Bela e muitos outros casos no PREC para perceber que conflito existente dentro daquelas pessoas.
      Entre os ideais de esquerda que lhes dizem para fazer violência e assassinar se necessário se os outros não fizerem o que eles dizem e as camadas de cultura Portuguesa passada incluindo a religião católica, os contactos sociais passados que moderam o Supremacismo Social que é ser de Esquerda.
      A falta desse peso civilizacional é que tornou quase inevitável nas colónias Portuguesas tenham acabado a matar-se uns aos outros. Incluindo entre a própria Esquerda . Pois o que existia era quase só Esquerda. E quando o que existe é só Esquerda, nada mais que Esquerda temos guerra e genocídio.

  7. As ideologias são todas belas no papel, mas são concretizadas por pessoas. E as pessoas têm defeitos.
    Haverá cervejeiros egoístas e gananciosos, como haverá outros que equilibram o seu bem pessoal com o bem comum.
    Há comunas que funcionam, outras que nem por isso, mas o que não existir é a obrigação de viver numa comuna.

    1. Não há nada de belo nos ideias de esquerda. Há desonestidade: “fraternidade, liberdade, igualdade” ou pior.
      “Há comunas que funcionam, outras que nem por isso, mas o que não existir é a obrigação de viver numa comuna.”
      Precisamente. As comunas obrigatórias não existem pela generosidade, existem pelo Poder por isso é que são obrigatórias.

      1. “lucklucky”, confesso que até me surpreendeu quando mencionou a «desonestidade: (no lema) “fraternidade, liberdade, igualdade” ou pior.» – deduzo que a disciplina de História até nem seja uma das suas mais preferidas (para além das outras que exibem “certezas” politicamente correctas: porque insistem em negar as opiniões que exigem debater se um ovo e mais um outro até podem ser 4 ovos?!?)
        Por esta altura da sua existência, alguém até já lhe deveria ter explicado (com desenho e em PowerPoint, caso fosse necessário) que a lengalenga da “fraternidade, liberdade, igualdade” até foi uma espécie de Grândola da revolução burguesa, também chamada de Francesa. para enganar a maioria do povo, no assalto que a burguesia fez ao poder… ou seja, não é para ser levada a sério: aparentemente, só a liberdade consegue escapar à prova dos factos. Fraternidade e igualdade entre “nós” e o topo dos nossos 1%?
        «ideias de esquerda» a lengalenga da “fraternidade, liberdade, igualdade”? Pois, já o outro dizia que o nazismo vem do socialismo (nacional-SOCIALISMO!), ou seja, do marxismo… ou seja, do comunismo, logo pela lógica da taberna, o Nazismo é de esquerda!

        1. Então com tanta História você ainda não percebeu que é a Burguesia e Aristocracia desafecta que faz as revoluções Socialistas e “Proletárias”?
          O que é que julga que foi o Golpe de Outubro? Ou a Revolução Francesa.
          No passado os revolucionários diziam que falavam da classe social “povo” hoje dizem que falam em nome das classe raciais e sexuais. Não há diferença significativa. E uma das razões para tal por exemplo na Rússia do inicio do século foi a expansão da nobreza e das profissões liberais.
          Hoje é a expansão dos cursos universitários, a forma de produção de nobreza contemporânea que produz os revolucionários. As ideias que funcionam são limitadas mas o humano -se tem tempo livre- precisa de afirmar e justificar, dar significado à sua existência, logo adopta uma das “novidades” que estiver à mão da sua geração obrigando os outros a seguir assim promovendo-se assim acima dos demais.
          Tem piada que as ideologias igualitárias sejam as mais competitivas e que quem propõe a igualdade o faz para promover a sua superioridade sobre os demais.
          Por isso é que não aceitam Não como resposta. Não aceitam que outros sigam outros caminhos, afecta o seu status se o outro caminho tem mais sucesso.
          —
          Você já deve saber que Liberdade é contrária à Igualdade…o seu Ensino Publico faz os possíveis para destruir a criatividade e capacidade das crianças mais capazes promovendo a mediocridade de modo a assegurar a igualdade.

  8. Álvaro Guerra, “Café 25 de Abril”, pag138/140, recriação do episódio da “comprativa”, e da propriedade da pá de valador…
    Um livro que vale a pena (re)ler …
    JSP

  9. Caro PS, eu até nem sou muito de me incomodar com o que o pessoal da Direita possa/costuma dizer sobre a Esquerda mas quando o li a dar o «José Sócrates, (como) o príncipe da esquerda!», confesso que até me senti ofendido: que me tivesse antes associado ao regime do Pol Pot ou à dinastia “comuna” da Coreia do Norte… tão perversos mas tão adorados!
    Quanto ao resto do seu “post” é o habitual: escreve às tantas que «A esquerda mais aguerrida, não aceita esta lógica»! E claro, V. até tem toda a razão do mundo no que diz. A sua “lógica” (a da “sua” «redistribuição (que lhe) faz todo sentido»), de facto, nem faz nenhum nas ambições da Esquerda e, essencialmente, na da Humanidade, e isso porque, como sabe, o vocábulo “redistribuição” tem tantos significados quantos o que quisermos manobrar e o seu até nem mesmo é, de todo, o da maioria dos habitantes do nosso planeta.
    Já deve ter reparado que a Esquerda ainda não desapareceu (definha aqui mas desperta acolá), mesmo apesar de todos os seus erros e de todas as maquinações e prepotências a que é sujeita quando alcança o poder, precisamente porque o Capitalismo não conseguiu confirmar o anunciado em linhas de ouro Fim na História.

    1. Fez-me lembrar um episódio futebolístico muito lembrado aqui à volta de Leiria. Há muitos anos atrás existiam três equipas na cidade de Leiria. Uma filial do SCP, uma outra de que não me recordo e os Marrazes. Esta última não aceitou a fusão das três, e as duas que avançaram deram origem à União de Leiria. Acontece que esta então novel equipa nunca conseguiu ter adeptos e mesmo quando andava na primeira divisão tinha menos sócios que o Marrazes. Esta rivalidade alimentou sempre anedotas e gozações diversas sobre uma e outra.
      Consta que certo dia, e foi este episódio que o seu comentário me fez recordar, quando estava o Marrazes a levar uma abada, um adepto mais empenhado gritou nos últimos instantes do jogo para dentro do campo com quanta força tinha. “Força Marrazes, ainda há hipótese!!”.

      Feliz Ano Novo

  10. Os ideais, quais quer que eles sejam, são sempre falseados pela realidade e pela natureza humana. Mas sem eles não há progresso.

  11. Vai-me desculpar, mas tem uma visão um pouco ingénua da realidade e da História. Os trabalhadores das grandes herdades, não só no Alentejo, obviamente não ficaram em estado mais miserável com as ocupações, pelo que não entendo o “a fórmula que repetidamente tem trazido fome e miséria aos que já eram mais pobres.”. É preciso ter conhecido o antes e o depois, a realidade concreta no terreno. O meu pai era um dos trabalhadores itinerantes que iam das beiras para o Alentejo, e conhecia bem essa realidade. Nenhuma “mão invisível” resolveria isso, obviamente. O Adam Smith era um homem do seu tempo e circunstância e o que ele pensava deve ter em conta essa condicionante. A única utilidade da teoria da mão invisível é ser uma curiosidade histórica. E sim, o Estado, os “funcionários”, tiveram um papel importante na redistribuição da riqueza. Isto é intuitivo. Quem o entendeu bem foi Beveridge, por exemplo.

    1. A mão invisível dos tempos de que fala era rigorosa controlada pelo Dr. Presidente do Conselho.
      A questão da redistribuição (não li nada de Beveridge) fica sempre dependente da existência de algo para redistribuir. Sem que se permita a criação de riqueza anda tudo à volta de migalhas, que é o que ainda temos.

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