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(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo; cerca dos Restauradores, Lisboa, manifestação da “restauração” contra políticas governamentais de combate ao Covid-19, 14.11.2020)
Neste fim-de-semana surgem três interessantes textos sobre o professor Ventura, deputado e candidato presidencial.
Em “Basta de Chega” António Barreto insurge-se contra a excessiva atenção, e concomitante eco propagandístico, que imprensa e opinião pública têm dado à, afinal, unideputação do partido Chega. Como muito bem diz “nada justifica tanto barulho. Nada, a não ser os defeitos dos democratas registados e dos políticos consagrados.” E, se bem o entendo, deixa entender que esta abrasiva visibilidade do último deputado eleito para a legislatura vigente se deve a uma incompetência geral. Mas à sempre avisada opinião de Barreto falta-lhe – se é que me é permitido adendar algo a um intelectual deste gabarito – um factor decisivo para tamanha visibilidade. É que desde a hora exacta da sua eleição in extremis o professor Ventura foi utilizado pelo(s) movimento(s) comunitarista(s), tanto pelo também neófito (ex-)Livre como pelo já veterano BE, como factor auto-justificativo, mesmo legitimador. Pois desde as 20 e picos do dia das últimas eleições que a, inopinada para o vulgar cidadão, “luta contra o fascismo” surgiu na boca de eleitos e seus correligionários, no anunciado frenesim da luta contra aqueles 60 000 votos no comentador benfiquista, hasteada como estandarte. Depois foi só a imprensa do regime geringôncico e seus colunistas académicos sublinharem o assunto … Na crença que “é barato e dá milhões”! Ora, e para mal dos ideológicos pecados dessa mole, por um lado (Livre) a peculiar – para não dizer mais .. – personalidade da unideputada comunitarista desbaratou os efeitos, os tais “milhões” da simpatia geringôncica; e por outro lado (BE) a crise covidocena desbaratou esses almejados “milhões”, dados os custos tidos com o conúbio com o cada vez mais trôpego governo.
Em “Injectar líxiva na política“, José Pacheco Pereira não deixa de ter razão. De facto, para se justificar a inclusão do nada patusco Chega no acordo parlamentar multipartidário no arquipélago adjacente, muitos propalam os imaginários ideológicos hiper-ditatoriais dos partidos comunistas portugueses, por ora conjugados com António Costa. Jpp tem razão quando diz que PCP e BE têm agora “programas activos” bem longínquos dos anseios comunistas do século passado e dos concomitantes rumos genocidas. O PCP tem uma retórica e uma alma colectiva brejnevista mas tornou-se (Lenine que lhe perdoe) um partido sindicalista, algemado aos bens distribuídos pelo capital internacional através da UE e seus agentes em São Bento. Recusando-os, aos itens do bodo, ao “modelo social europeu”, veria as diluídas (e idosas, e idosas …) “massas” fugirem para outro coito. E não podemos continuar a chamar “esquerda caviar” ao BE – eu entendo-o muito mais como “esquerda Tartex”, muito mais adequado ao património sociocultural daqueles militantes – e depois considerarmos que o guevarismo retórico indicia qualquer objectivo polpotista ou enverhoxista da rapaziada. Ou seja, nenhum académico ou quadro médio-baixo militante comunitário anseia por sair do tal “modelo social europeu”, quer apenas um quinhão mais para o seu sector. Ou para a sua “minoria”. Sim, o conselheiro de Estado Louçã pode vir chamar “salteadora” a Merkel e afirmar que a Alemanha gosta desta pandemia pelos ganhos que perspectiva com esta desgraça toda, para minar o “espírito europeu” dos “camaradas”. Mas isso será recebido pelas suas hostes tal e qual a atoarda do já moribundo Aboim Inglez a chamar “teocrata reaccionário” ao “sr. Kenzin Gyatso“, quando o parlamento português se encolheu na recepção ao líder anti-colonialista Dalai Lama. Pois esses resmungos são-lhes já um folclore, uma pirraça, e vistos como tal, balbuceios de tios gerontes nos almoços de Natal antes do Covid … Enfim, estou certo de que se deixarmos uma vara na mão comunista conheceremos o vilão. Mas de facto vão eles, comunistas mais-ou-menos comunitaristas, exasperantes que sejam, mui mansos. Coisas do euro … E diz bem jpp, apartando-os deste Chega. Pois o grunhismo ideológico destes agora ainda recém-chegados aos “passos perdidos” e ao quotidiano da imprensa diária é muito mais abrasivo. E terá muito mais efeitos junto da gente desaustinada. Companhias de mau porte, por assim dizer.
O terceiro texto sobre o Chega é verdadeiramente fundamental. Trata-se desta fotografia do meu querido amigo Miguel Valle de Figueiredo (ex-bloguista, primeiro no O Restaurador Olex e depois também comigo no velho ma-schamba, homem insuspeito de abismos esquerdistas ou derivas centristas). Tudo o que haverá para dizer sobre o professor Ventura e o movimento político que capitaneia está concentrado nesta imagem. Que tem tudo, mesmo tudo, para se tornar icónica.

Férias,férias,muitas férias,verá como volta outro…
Parece que vai tudo dito nas ligações que anexa. Porém quer Pacheco quer Barreto são bastante tímidos na sua abordagem ao fenómeno
O Chega é um partido necessário e virtuoso para a sanidade da democracia (explicarei mais à frente).E é incorrecto, direi mesmo falso, que algum dos restantes partidos com representação parlamentar cultive as virtudes da democracia. Qualquer deles nada mais representa que os interesses de si mesmos e de seus grupos de apoio no que concerne à subsidiodependência perpetrada por Bruxelas. Acontece que essa subsidiodependência quer da classe política e parlamentar quer da classe empresarial e financeira é feita através de empréstimos que gravemente subjugam aqueles que trabalham e que pagam impostos mas também aqueloutros que perderam seu sustento para que aos demais não lhes faltasse.
Assistiu-se ainda a uma era político-clerical, de expressão dogmática farisaica, que julgou, em nome de uma suposta educação típica do período nazi-estalinismo-maoismo, uma espécie de revolução cultural, poder subjugar toda uma nação a esses ritos de iniciação baptismal, a saber:
o fumar; o comer salgados, o beber, o feminismo (que presunçosamente julga representar as mulheres), o lgbtismo (que não lhes bastava assumirem-se e fazer respeitar sua condição, mas pretendiam fazer uma lavagem cultural em forma de arco-íris), o casamento gay imposto a uma sociedade que por natureza integral não se revê nesse tipo de semântica, as quotas que subvertem e deterioram o princípio de igualdade e de liberdade de escolha, confundindo o machismo com os crimes residuais praticados contra mulheres, mas omitindo o crime levado a efeito por mulheres, o ataque às crenças cristãs, à família e seu papel na educação dos filhos e um sem número de exemplos que não enunciarei por economia de espaço. Enfim, a subversão de uma pedra basilar da sociedade levada a efeito de forma marginal nas estruturas do poder.
É também sabido que em Portugal, tal como ateus e outros, os cristãos são cobardes e uns aculturados e acomodados a normas vigentes; a começar nas ditas estruturas representativas (as cabeças das diversas igrejas). São por natureza infantis e mais dados a rituais externos que à substância do que dizem professar, que desconhecem esta substância e que para mostrar que sim citam ou proclamam alguns chavões. Falam de Deus, mas não O conhecem nem deixam conhecer.
É neste cenário corrupto de uma sociedade que se ergue uma voz que diz: Chega!
E todos esses se lembraram que tinham voz. Estranho? Não, não é. No período do PREC aconteceu a mesma coisa. Até que se disse: Basta!
E cá temos o conhecido vento, arcaico, desbotado, raivoso, com teias de aranha, peçonha no ventre, enganoso, geriátrico e sem vergonha. Pois agora já toda a gente sabe ler e escrever, já não há o do Minho a Timor, e uma grande percentagem com idade de mais de 65 anos já conhece essa treta de ginjeira.
E, com um elevado número de licenciados em medicina e enfermagem, só compram calcitrim quem anteriormente ia endireita da esperança.
Muito obrigado pelos elogios. Agora é minha vez:
Apareceram tantos licenciados e a merda que temos mostra o que tanta licença produziu.
Comentador Vento, pelo que depreendo do que escreve o artigo Chega é contra comer salgados, fumar e beber (presumo que se refira a bebidas espirituosas) e mais algumas de somenos. Contra o rissol, o pastel, o “cheirinho” e o tintol? Não auguro grande adesão popular a essa revolução cultural. É aviso já que estarei nas barricadas, c’a minha boina, canhangulo, prisca no canto da boca e cantil de uísque no bolso traseiro. Que vocês, maoistas sanitários, no pasarón!
Partido Chega, não artigo …
Meu caro jpt, depreenda o que quiser. A interpretação é livre.
Dizer-se que o CHEGA é fascista, xenófobo, racista, ou outro qualquer adjectivo do género revela uma de várias hipóteses.
Preguiça. Porque não se deram ao trabalho de ler o que o partido quer, o que defende, qual a sua visão e qual a estratégia. Fala-se do que se ouve dizer, ecoam-se vozes de terceiros, mas ler o que está à distância de um click, parece que dá muito trabalho.
Desonestidade intelectual. Porque só alguém que, vestindo o fato da ponderação, ler aquilo que sugiro que se leia, pode adjectivar desta forma, sem ser desonesto.
Cegueira ideológica. O mais comum. Estes podem ler 200 vezes, que apenas vão reter palavras, ou conjuntos de palavras que sirvam a sua narrativa.
Ignorância. Porque só alguém com falta de conhecimentos históricos, pode comparar e colar o CHEGA a um partido que tenha tido na sua existência, esses princípios.
Mais que tudo, revela uma falta de respeito por todos aqueles que de facto viveram e experienciaram essas doutrinas animalescas.
Podemos não concordar, podemos não perceber, podemos não gostar, mas tentar calar, silenciar, ou ostracizar, é fazer exatamente aquilo que se acusa o CHEGA de querer fazer e que no entanto não faz.
O Chega tira partido, sem querer(?), do sistema eleitoral.
Na Assembleia da República o Deputado do Chega fala com um ar genuíno: é o meu partido, eu assumo o que digo. O Deputado do Chega é ele a falar, a intervir. Demagogo ou não há paixão na voz. Daí ódios ou a adesão.
Os restantes deputados quando abrem a boca na AR têm sempre um tom de quem está apenas a defender ou a propagandear, com fitos óbvios, “his master’s voice”. Não é preciso ouvi-los, já sabemos o que vão … dizer. Raramente -se é que alguma vez- os deputados soam a algo de genuíno. Apenas defendem a ladaínha do seu clube. Não debate entre Deputados. Há partituras. Escepção o Deputado “Limiano”, transgrediu, foi genuíno e foi prá rua.
Mais do que o partido da trotinete ele é Ventura, mal ou bem, demagogo ou não, é ele a falar. Repete-se, contradiz-se mas é ele. Não se admirem….
Solução?. Sabemos qual mas os donos da bola não a largam.
Caro JPT, ump-12001729?thread=97018561#t97018561
Há dias uma participante deixou um comentário em jeito de desabafo que transpira sinceridade e é de uma actualidade acutilante. Por mim escolhê-le-ia para comentário da semana
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/tr
Vem isto a propósito do artigo de António Barreto – que comentei “in loco” e que termina assim:
“Este é o problema. O Chega é um pretexto. Para a direita, uma tentativa de voltar a sonhar com o governo. Para a esquerda, é como quem se lava nas águas do Ganges, ou antes, do antifascismo.”
É para mim evidente que quando António Barreto põe a esquerda a lavar-se nas águas do Ganges, não estará a referir-se à origem indiana do PM.
Mas pergunto: Quais seriam as reacções, designadamente a sua, se esta mesma frase fosse escrita por André Ventura?