Sinais


Pedro Correia,

Cortar? Sim, cortar. Se o regime está à beira da bancarrota, corte-se então. Que tal começar por reduzir o número de municípios e freguesias, reorganizando o anquilosado mapa administrativo do País? E que esperam para abolir os Governos Civis, essas relíquias novecentistas que servem hoje apenas para sorver dinheiros públicos e empregar amigos politicos? E que tal uma drástica diminuição do infindável rol de empresas públicas e empresas municipais, que em muitos casos apenas duplicam as tarefas já a cargo de outros organismos e mais não são também do que agências de empregos políticos? E porque não começar pela diminuição para metade do número de membros do Governo – ministros e secretários de Estado – se o exemplo, neste como noutros casos, deve vir de cima?

Não faço ideia quantos milhões de euros seria possível poupar com estas decisões políticas. Mas sei que constituiriam sinais adequados aos actuais dias de penúria.

18 comentários em “Sinais”

  1. Essa é a questão fundamental, Pedro. Até nem me importaria de sofrer cortes no meu salário se fosse para tirar o país desta miséria e se o esforço fosse conjunto. O que se vê é que continua tudo na mesma, excepto os salários que diminuem. Outra coisa que ainda não entendi é por que é que as ajudas de custo e despesas de representação não sofrem cortes. Ou melhor, entendi, mas mais uma vez há cidadãos de primeira e de segunda.

    1. A questão dos Governos Civis, que só podem ser abolidos na sequência de uma revisão constitucional(!), diz muito sobre as pesadíssimas e complicadíssimas regras processuais da política portuguesa. Em que outra Constituição europeia se prevê a existência de governos civis ou o seu equivalente?

  2. Sinceramente concordo com muito do que aqui foi dito, mas temos de ver também efeitos a curto prazo, face à urgência de enfrentar a crise.
    Os governadores civil penso que de facto são desnecessários, o número de ministérios, deputados, institutos, empresas públicas, autarquias poderiam ser reduzidos, mas se nalguns casos tal corresponderia à redução de cargos de chefia, tal não implicaria de imediato a redução de trabalhadores (pelo menos a curto prazo), pelo que em termos de despesas pouco efeito teria de imediato (a médio e a longo prazo talvez sim).

    1. Não me refiro ao aspecto quantitativo, aos cifrões, Carlos. Refiro-me essencialmente ao carácter simbólico destas medidas numa altura em que tão pesados sacrifícios se exigem aos portugueses. Simplificar e racionalizar a nossa pesadíssima máquina politico-administrativa é neste momento um imperativo nacional.

  3. É este o nosso drama: sabemos aquilo que precisa de ser feito, não vemos políticos que se proponham fazê-lo. Porque seria o fim da carreira deles. O país está de tal maneira mergulhado na imundície que prometer acabar com ela é a melhor maneira de não vir a ter hipóteses de o fazer. Dou comigo a repetir o João da Ega:
    “À bancarrota seguia-se uma revolução, evidentemente. Um país que vive da inscrição, em não lha pagando, agarra no cacete; e procedendo por princípio, ou procedendo apenas por vingança — o primeiro cuidado que tem é varrer a monarquia que lhe representa o calote, e com ela o crasso pessoal do constitucionalismo. E passada a crise, Portugal, livre da velha dívida, da velha gente, dessa colecção grotesca de bestas…”

    1. Cortando por metade nos ministérios e nas secretarias de estado, essa ‘troupe’ diminuiria em proporção aritmética. Parece-me urgente um pacto de regime nesta matéria.

  4. Por falar em “cortar” e “sinais”, deixo apenas uma quadra/comentário:

    Sem cortar no esbanjamento
    fazendo prosa indolente,
    é falso o convencimento
    de quem se julga tão valente.

  5. Hum…de acordo com tudo o que é dito. Mas, que tal olharmos à distância, e colocar esta pergunta: Será que não está na forja ( no orçamento) a redução de instituições onde os boys ” tanto do PS como do PSD fazem parte da lista de pagamento, razão pela qual, o melhor é não haver orçamento ?

  6. O mais impressionante, caro Pedro, é que no momento em que se alvitrou em terminar com a acumulação de reformas com salários, (resultantes de contratos para os mais diversos cargos bem remunerados) aqui d’el-rei que não pode ser, vai contra a Constituição… eheheh, mas que grande malandragem.

  7. Se tomarmos como referência a Universidade do Porto, existem a uma distância não superior a 60 km mais 3 Universidades (Aveiro, Minho e UTAD). Se perdermos algum tempo a analisar as suas ofertas formativas, veremos que estas se sobrepõem numa parte muito significativa. Pergunto-me se a duplicação de corpos docentes, instalações e estruturas administrativas se justificará face à proximidade geográfica. Isto quando é certo que, hoje em dia, o país está dotado de excelentes vias de comunicação. Acresce que boa parte das licenciaturas duplicadas (quadruplicadas, na verdade) são daquelas que constituem verdadeiros passaportes para o desemprego por não corresponderem a qualquer necessidade do mercado laboral.

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