Série: A Alemanha dos nossos dias


claudiakover,

Episódio II: O porquê do tamanho dos jornais alemães

 

 

 

O tamanho dos jornais alemães (sim, a largura, a altura e, até mesmo, a grossura) deixa tanto a desejar quanto a incapacidade dos habitantes da Deutschlândia em ver filmes nos quais a Júlia Roberts não fale em língua de cão. Pior do que ler estes jornais em casa – nesse caso a maioria de nós poderia forrar duas vezes o chão da habitação e decifrar cada uma das dezenas de páginas com um binóculo -, é lê-lo num avião. Nesse caso, além de privarmos o nosso vizinho do lado da já remota possibilidade de ter um vislumbre dos territórios agrícolas da Baviera, ainda corremos o risco de ficar com o cotovelo preso entre as suas mandíbulas enquanto tentamos dobrar a folha ao meio para ler o artigo do canto superior direito. Tudo isto torna-se mais ridículo quando o alemão da fila da frente parece dominar o trambolho com grande perícia, recorrendo a gestos pequenos e rápidos, semelhantes a minúsculas descargas eléctricas. Infelizmente, cada movimento deste “bicho informativo” faz-se ainda acompanhar de um cheiro desagradável.

 

Ainda assim, rapidamente conclui que este jornal inestético e difícil de manobrar teria uma componente prática e social mais ampla – basta pensarmos na história da criação do Volkswagen para sabermos que nem tudo é o que parece. Por exemplo, bem que teria gostado de me ter feito acompanhar de três volumes da “Frankfurter Allgemeine” em alguns aeroportos nos quais não se lembraram de fazer bancos corridos. E, facto é que, de um jornal se consegue fazer um pouco de tudo: papel de rascunho, assento, embrulho para prendas ou castanhas e ainda aqueles chapeuzinhos de papel inúteis. Se virasse moda, a Fátima Lopes era capaz de os usar para criar indumentárias que tapam tudo menos as maminhas. No entanto, uma razão fundamental para alguém – na época dos jornais de bolso e do iPad – continuar a fabricar coisas deste tamanho é a possibilidade da Rússia voltar a cortar o gás à Europa. Afinal, quanto não valeria uma “Süddeutsche Zeitung” a um Ucraniano?  

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