Andar para trás


eventhorizon,

Continua a luta. Há várias coisas que me fazem alguma confusão nesta batalha recorrente – e aparentemente interminável – entre os “direitos de autor” e a “pirataria informática”. Três exemplos:

1) As associações que defendem os clubes de vídeo (tão obsoletos como os CD), como a ACAPOR, acreditam mesmo que vão recuperar o seu negócio de alugar um DVD numa loja por um prazo de 24 horas quando as ofertas de televisão por cabo já incluem video on demand, no qual um cliente pode alugar um vídeo durante as mesmas 24 horas a preços mais baixos, incluídos na factura mensal, sem necessitar de levantar o rabo do sofá para ir à loja e sem o risco de o filme que queria ver estar requisitado por outros clientes?

2) As associações discográficas acreditam mesmo que, sem pirataria, um tipo que antes descarregava ilegalmente da Internet dez álbuns por mês vai gastar cerca de 150 euros (preços de Portugal, estou a ser simpático) por mês nesses mesmos dez álbuns num formato completamente obsoleto como o CD?

3) Qual é mesmo a diferença entre comprar um CD hoje ou comprar um CD há quinze anos? A resposta é: nenhuma, apesar de todos os avanços tecnológicos dos últimos quinze anos. Com um CD, paga-se um preço altíssimo por uma caixa de plástico (quando não é de papel), uma capa ilustrada e um disco que acaba invariavelmente por ser gravado para um computador para poder ser ouvido num leitor de mp3 dedicado ou num telemóvel com essa funcionalidade (há quantos anos não vêem uma pessoa que seja com um discman?). Um CD não tem qualquer valor acrescentado, apesar de ser perfeitamente possível incluir no disco mais coisas para além das músicas. A Apple já percebeu isso há muitos anos – daí a loja virtual do iTunes ser um sucesso. Acho que a Amazon também não se queixa da sua.

O que está em causa nesta luta toda é mesmo isto? Ressuscitar a venda de CD e os clubes de vídeo? Esta gente é doida.

2 comentários em “Andar para trás”

  1. Tudo isto é marketing e mentira pura e simples. Basta apontar as compras legais para ver que as empresas discográficas (e cada vez mais também as de cinema) aldrabam e mentem com quantos dentes têm.

    Note-se o seguinte: se eu comprar um álbum inteiro em CD pago uns 20 euros (média). O álbum terá em média umas 10 músicas. Se eu for ao iTunes e comprar as músicas todas pago no máximo 10 euros. 50% de corte nas receitas sem contabilizar a comissão da Apple. Basta uma pessoa não comprar o álbum todo mas apenas os 4 a 6 singles (para casos raros) que saem para se diminuir a receite em pelo menos 75%. Se imaginarmos que apenas 25% dos antigos compradores de CDs optam por trocar para iTunes (valor que acho muito baixo), teremos cercfa de 20% de quebras de receitas só à custa do download 100% legal. Isto em valores muito por baixo.

    Adicione-se a isto programas como YouTube, Spotify, Last.fm, etc, e ver-se-à que a partilha “ilegal” de ficheiros pouco influirá o mercado. Ainda não há muito a Economist referia este aspecto e a forma como a televisão se adaptou aos novos tempos num ápice.

    Todo o choradinho das empresas de música e cinema não passa de marketing baseado em mentiras para sacar subsídios e compensações ao mesmo tempo que se atira areia para os olhos dos accionistas.

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