Vendo as televisões, nestas últimas 48 horas, fica-se com a impressão de que os comentadores surgem de todos os cantos e proliferam como cogumelos. Julgo que esta é mesmo a profissão mais em foco nas pantalhas lusas, logo após os políticos e os jogadores de futebol. Ao contrário de muitas outras, praticamente invisíveis.
Como não existe um ranking – formal ou informal – de comentadores, fica-se também com a impressão de que todos se equivalem. Nada mais falso. Alguns são rigorosamente incapazes de exprimir uma ideia, por mais que espremam as meninges e por mais tempo que permaneçam em antena.
O pior é quando a ‘boa moeda’ dos comentadores se deixa contaminar pela ‘má moeda’, ficando tudo nivelado por baixo. Hoje, por exemplo, ouvi um deles, que aliás respeito, defender uma nova solução governativa que passe por um executivo de iniciativa presidencial deixando à margem os líderes do PSD e do PS. Uma espécie de cenário grego, com o tecnocrata Papademos, ou de cenário italiano, com o tecnocrata Monti. Com a diferença de que estes dois governos foram impostos pelos eurocratas de Bruxelas e pela eurofinança de Berlim – com os maus resultados que sabemos e as péssimas consequências que tiveram nos sistemas políticos dos dois países – e aqui ocorreria por amável desígnio de alguns membros da oligarquia política e empresarial cá do burgo.
Raras vezes tenho ouvido uma ideia tão disparatada. Se a actual legislatura terminar antes do prazo previsto, como é muito provável que aconteça, a única solução governativa credível e propiciadora de um mínimo de estabilidade só pode sair de eleições.
Mais democracia, nunca menos democracia. Quando não há outra solução, resta esta. Que é sempre a melhor, mesmo que por vezes não pareça.


baralhar para voltar a dar ???
não obrigado, já estou farto .
E isto, penso ser a opinião de muitos, em relação a TODOS os nossos queridos politicos…
fizeram a cama, estes, deitem-se nela.
Assim mesmo, à antiga !
Depois ? seguem-se os outros, e os outros, e os outros, etc etc …
Pedro,
A situação que estamos a atravessar merece prudência e bom senso.
Já não chega ter uma maioria, um governo e um presidente. É preciso mais. E esse mais implica provavelmente a aceitação do que vem aí tanto a nível nacional-as medidas que terão de ser tomadas até Setembro-assim como o que virá depois das eleições na Alemanha e das Europeias do próximo ano.
Todas as soluções tiradas da cartola têm de envolver um pacto social entre o cidadão comum e a classe política. Esse pacto social pode implicar um referendo ou um plebicisto sobre novo resgate-provavelmente, um bail in como no Chipre-ou sobre a permanência da troika em Portugal.
No actual momento que vivemos, olhar simplesmente pelo espelho retrovisor não resolverá nada.
Detesto o futebolês, que empobrece. Mas vendo bem isto o que se precisa é do Bruno de Carvalho. Se assim for venham eleições. Para manter este plantel? Para quê então?
Eu, que sou limitado (reconheço), também não consigo perceber que a solução seja manter um governo a fingir que o é até a Troika se ir embora e depois, pimba!, venha o que agora não convém por causa da dita Troika e do Orçamento para 2014 e por aí fora.
Se temos de regressar em pleno aos mercados quando a Troika se for embora e, pimba!, prometemos logo eleições, ainda por cima com a nossa dívida a cento e muitos por cento do PIB e eleições de cujos resultados não é provável que resulte uma boa solução governativa, a Troika vai-se embora num dia e regressa no dia seguinte.
Isto digo eu, mas não leio nas estrelas, e o que hoje é mentira amanhã é verdade, sendo que, igualmente, o que hoje é verdade amanhã é mentira.
Ah, e além disso, para mim também não adianta haver eleições. Depois do que os partidos do arco da velha nos arranjaram e sendo certo que não votarei nos outros, encontro-me praticamente vacinado.
Parece que agora, no Egito, uma boa data de gente concluiu que a democracia não dá assim tão bons resultados, porque muita democracia nem sempre garante muita liberdade. Então parece que estão todos contentes pelo golpe de Estado militar.
Um outro problema da democracia, na sua versão portuguesa, é que é extremamente lenta. A democracia é, em Portugal, como a justiça: tem tantas garantias que acaba por só se realizar tarde de mais. Desde que se conclui que um governo está esgotado até ter-se um governo novo (depois de eleições), demora uns seis meses. O que é demasiado. Não dá. Os mercados enforcam-nos antes disso.
Sempre.