
… tente conduzir.*
* — Este sinal alternativo de estrada perigosa é pouco comum no nosso país: por um lado, só raramente nos cruzamos com alguma caravana de veículos de intervenção policial ainda em condições de circular e, quando muito, um ou outro submarino a deslocar-se à superfície; por outro lado, com o país em paz, sem que se preveja qualquer invasão estrangeira e com as obrigações da NATO, deve ter-se isso em conta nos transportes militares e não recorrer a concursos internacionais para aquisição de veículos grandes e gastadores só para treinar uns tiros e praticar todo-o-terreno.

Deviam colocar um sinal destes, no fim da minha rua, em frente à casa da minha vizinha Anacleta , casada com o Anacleto, mãe de um par de coisinhas lindas, rechonchudas e gémeas que respondem ao nome de Anacletinha e Anacletinho .
E digo que deviam colocar um destes sinais naquele local, devido ao tamanho, ou melhor… ao volume daquela família e consequentemente ao perigo público que representam. Quando se dá o caso de o meu vizinho Anacleto chegar a casa com o “grão na asa” e a mulher o receber à cachaporrada , com os filhinhos a fazer equipe e atravessam repentinamente a rua, todos em fila, é como se um carro de assalto com reboque se atravessasse.
Um dia destes, saíram-se-me assim, de surpresa; o Anacleto à frente, já com a mona aberta e a sangrar, a berrar que nem um capado, a dona anacleta atrás, de rolo da massa nas unhas, qual Brites de Almeida, ou de Aljuba Rota, sabe-se lá… e os miudos de seguida. Quando me deparei com o séquito, meti travões a fundo, guinei a direcção, mas não consegui evitar o embate. A coisa foi de tal maneira destructiva que a companhia de seguros, declarou o meu carro, um Mercedes 520 blindado, irrecuperável.
Tive de o entregar para retoma, na compra de um novo, mas por estar de tal forma destruído, avaliaram-no somente em 200 euros… diz que era para aproveitar os estofos…
Ainda pensei responsabilizar a família Anacleto, pelo acidente e tentar que me reçarcissem dos danos, mas tá bem… quando me refiz do choque, já eles íam a chegar a alcácer do Sal…
Guardasse-o, que é uma raridade, meu amigo. Possuir um blindado irrecuperável não é para qualquer um. Mesmo que em vez de 520 já só fosse um 519 ou ainda menos…
Tem munta razão, meu amigo. Mazisto um home nestas alturas fica de tal forma surprendido e azamboado que não consegue atinar com as melhores decizões…

Quéqueçadefazer?!
É assim a vida… cumós interreptores…
AVISO
«Comentar assuntos de transportes militares nestes termos pode ser um sinal de indigência intelectual e causar problemas de visão que impedem de ver um centímetro à frente do seu nariz. Sintomas ultrajantes podem ser também observados, bem como a revelação de elevadas doses de ignorância e insensibilidade. Os eventuais comentadores ficam também advertidos para o perigo de ocorrência de gaguez intelectual.»
Sobre os «problemas de visão que impedem de ver um centímetro à frente do seu nariz» e para que saibas: é impossível alguém ver seja o que for a partir do interior de um tanque daqueles!

Sim,…estou a ver, e não se deve ver mesmo nada, está visto. Olha, para se ver tudo e mais alguma coisa, não há como um sidecar de duas rodas, mais recentemente denominado «back-car».
«Get back, get back,
get back to where you once belonged…»
Pelos vistos, o Amigo Luis, domina com ligereza os assuntos relativos aos transportes de militares.
Isso é bom. É importante que no nosso país haja alguém que o saiba fazer com prontidão e sagez, mesmo que não saiba distinguir a ficção da realidade, o humor do sério.
No entanto salva-se o altruísta aviso que nos deixa e que agradeço, na parte que me diz respeito… a da «gaguez intelectual» que não sei o que seja, mas para a qual fiquei alertado.
Espero entretanto que a OMS emita um relatório acerca desse “mal” que muito provávelmente estará associado uma qualquer epidemia… esta época do ano é favorável ao aparecimento d’essas coisas, as quais nem à basucada conseguem ser destruídas.
Caro amigo Bartolomeu: gostaria na verdade de o poder ajudar mas temo não ser eu a sumidade que V. julga, na matéria em questão. Limitei-me a citar fontes, por certo muito mais avalizadas do que eu para esse efeito. Por isso, remeto-o para o post de ontem Transportes públicos? (18) por João Carvalho | 05.12.11 onde, ali sim, há uma intervenção de um verdadeiro especialista – Luís Parreira – acerca de tudo isto. Ele, aliás, deixa ali um bom lote de pistas que, caso lhe interessem, poderá seguir.
Quanto à «gaguez intelectual», essa poderá ser-lhe explicada melhor do que ninguém pelo próprio João Carvalho, que foi o autor do conceito.
Vá lá ver, então, que está lá tudo! Abraço.