Nas comemorações de um certo Dez de Junho tive o privilégio de ouvir Cesária Évora. Pouco tempo antes chegara-me às mãos um disco da senhora do Mindelo. Fiquei marcado pelo tema Sodade. A voz dela nessa canção foi também um hino ao talento de Luis Morais e à inspiração de Amândio Cabral.
A grata memória desse momento empurrou-me para agora ir ouvir o som do cavaquinho, do violino e do violão.
Já me tinham dito ser o Mindelo o sítio ideal. Quem o fez só não me disse que a fusão da nobre lagosta com o coco, o caril e os coentros numa cama de sons e cores melodiosas, numa noite tropicalíssima, em que o violino e a percussão crioula se misturavam com Racine e Camões, tinha um efeito tão poderoso.
Os sentidos e os sabores de uma portugalidade orgulhosamente mesclada com a acolhedora influência da poderosa negritude, que Senghor tão bem cantou, numa sociedade cujos padrões democráticos estão cada vez mais enraizados, são uma garantia de futuro.
Uma sociedade que aposta tudo o que tem na cultura e na educação das suas gentes, na preservação da sua herança histórica e cultural, na gestão racional dos seus escassos recursos, tem quase tudo o que necessita para singrar e consolidar-se. É essa a melhor garantia de perenidade da lusofonia por estas paragens.
O poeta ficaria satisfeito se soubesse da maneira como os cabo-verdianos vão alargando as fronteiras do seu mar. Da sua língua. Da sua alma. Dele. Deles. Nossa.



Este texto é outro hino a essa terra. E bem merecido.
Inteiramente justa a tua avaliação, Sérgio: os cabo-verdianos têm sabido preservar muito bem a sua identidade cultural através das artes, sobretudo da música, que tem excelentes representantes.
Não conheço Cabo Verde… estás a deixar-me com água na boca. Boas férias.